
A situação do Coldplay é realmente interessante: consegue ao mesmo tempo ser a banda que mais vende no mundo e a banda mais criticada e ridicularizada do planeta. Em seu quarto disco, o grupo de Chris Martin e cia resolveu então partir para referências múltiplas, talvez em parte devido à produção de Brian Eno, o homem por trás dos melhores discos do U2 - banda que o Coldplay já foi acusado mais de uma vez de tentar copiar.
As pluralidade de referências nacionais e culturais começa na capa do álbum, que se chama Viva La Vida or Death and All His Friends, misturando espanhol e inglês. A parte em espanhol se refere ao título de um quadro da pintora mexicana Frida Kahlo, mas a imagem da capa, contudo, é o célebre quadro "A liberdade guiando o povo", ícone de representação da Revolução Francesa. Os títulos das músicas remetem a uma sensibilidade asiática, como Lovers in Japan e Chinese Sleep Chant. No encarte do álbum, até um mapa do Brasil aparece. Isso porque ainda nem falei de músicas que aparentemente remetem à série LOST, como Lost! e 42 (um dos números amaldiçoados da série).
No entanto, posso dizer que essa salada dá certo. Tanto se falou que o Coldplay ia se reinventar com esse quarto disco, e as mudanças realmente aparecem - mas nada que possa preocupar os fãs ou tornar o estilo da banda irreconhecível. Chris Martin abusa menos dos falsetos, o pianinho característico aparece menos, as guitarras abundam, nem todas as músicas têm um refrão bonitinho.
A mais radicalmente diferente Violet Hill, por exemplo, que achava chatinha mas hoje acho ótima, mostra a evolução do Coldplay. Já a excelente Viva La Vida é um dos melhores exemplos do que a banda quis fazer com esse álbum: uma espécie de Clocks com violinos no lugar do piano, a música tem aquela vibração típica do Coldplay dos primeiros discos, mas com uma letra que fala de um rei que tudo perdeu e que hoje "varre as ruas sozinho."
A ótimas Yes usa de elemento indianos, enquanto 42 (provavelmente a minha favorita do disco), com uma letra simples que fala de fantasmas e memória, começa lentinha mas depois evolui para um solo de guitarra matador. O álbum termina com Death and All His Friends, talvez a mais Coldplay das dez faixas, mas com um tom macabro insuspeito.
Quanto mais se torna modinha dizer que Coldplay é péssimo, me parece que mais a banda evolui para um pop/rock de qualidade e com capacidade indiscutível de emocionar multidões.
[...] e profundo. Título inspirado pela arte de Frida Kahlo e capa arquetípica da Revolução Francesa, “Viva La Vida” é mais que uma coleção de boas canções, é um disco artístico e poetizado em faixas como [...]
ReplyDeletegalera , se vcs quizerem o cd completo, ta aí o link pra download: http://rapidshare.com/files/260350708/Coldplay_-_Viva_La_Vida_Prospekt_s_March_Edition.zip
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