Friday, January 23, 2009

AUSTRALIA

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Se fazer um épico romântico grandioso sem um pingo de auto-paródia já é uma empreitada e tanto, imagine se a história ainda tem ambições histórico-nacionalistas? Baz Luhrmann, dotado de um orçamento estratosférico e duração idem, apostou suas fichas nessa produção e o resultado é entretenimento puro.

Neste que é seu quarto filme, Lurhmann diminui o tom da estética kitsch que até aqui era sua assinatura e faz um delicioso pastiche. Se em MOULIN ROUGE, sua obra-prima, o bric-a-brac pós-moderno ousava misturar o musical hollywoodiano, o romance inglês do século XIX e Bollywood (entre inúmeras outras referências), em AUSTRÁLIA o diretor usa como molde os filmes da era de ouro do cinema americano: UMA AVENTURA NA ÁFRICA, E O VENTO LEVOU, O MÁGICO DE OZ.

Aliás, tanto a história de amor de Scarlett O'Hara e Rhett Butler quanto a visita de Dorothy 'além do arco-íris' foram lançadas em 1939, e não parece ser coincidência que esse é extamente o ano que Luhrmann escolhe para começar a contar como Sarah Ashley (Nicole Kidman), uma dondoca inglesa, vai parar na Austrália para tomar posse da fazenda de seu falecido marido. Lá ela conhece o misterioso e rude Drover (Hugh Jackman), homem que vai ajudá-la em sua jornada de dama da sociedade à mulher de fibra.

O filme é claramente dividido em três atos e muita (muita mesmo!) coisa acontece, mas nunca há a sensação de que AUSTRÁLIA está indo para lugar nenhum (como em O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON, por exemplo). Lurhmann ensaia uma crítica séria ao episódio da 'geração perdida' australiana (assim os créditos iniciais e finais querem nos fazer acreditar), mas sua atenção está mesmo na criação de uma emoção genuína - que, curiosamente, nada mais é que um reflexo das mesmas emoções já criadas pelos filmes que serviram de base para seu pastiche.

Nicole Kidman cai na brincadeira, fazendo uma Katherine Hepburn over que miraculosamente dá certo. O Drover de Hugh Jackman é mais um arquétipo que um personagem, e o look de galã dos anos 40 (um tanto mais bombado, claro), só ajuda na sua atuação. Algumas convenções do gênero são deliciosamente espertas (como o vilão de bigodinho vivido por David Wenham), outras são de gosto duvidoso (matar o personagem negro bonzinho, algo no mínimo de mal gosto considerando um filme tão interessado na igualdade racial).

Se o "cinema como espetáculo" hoje em dia parece estar resumido a já cansativa fórmula dos filmes de super-heróis, felizmente existem cineastas como Baz Luhrmann que nos fazem lembrar de que é possível fazer obras grandiosas, emocionantes e apaixonantes - mesmo em um tempo cínico como o nosso.

Thursday, January 22, 2009

Rapidinhas sobre as indicações ao Oscar

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- Se fosse por outro filme seu (SEVEN, CLUBE DA LUTA, ZODÍACO), a indicação de David Fincher seria vista como a glória. Como foi por BENJAMIN BUTTON, ficou algo como 'diretor visionário que se vendeu ao sistema'.

- Quantas comparações entre SLUMDOG MILLIONAIRE e Obama a mídia consegue fazer?

- A não indicação de O CAVALEIRO DAS TREVAS já fez do Oscar 2009 a cerimônia com a pior da audiência da história?

- Só eu gostaria de ver o Danny Elfman ganhando?

- A Academia vai resistir à tentação de ter Javier Bardem entregando o Oscar para Penelope Cruz?

-  Retrato engraçado da anomie suburbana? Yes! (checar: BELEZA AMERICANA). Retrato sério da anomie suburbana? No! (checar: REVOLUTIONARY ROAD, TEMPESTADE DE GELO).

- Mickey Rourke ou Sean Penn?

- A mágica de fim de ano de Clint Eastwood não é mais a mesma?

- Brad Pitt e Taraji P. Henson indicados... mas Cate Blanchett não?

- Por qual dos três filmes Angelina Jolie foi indicada: pela parte 'dramalhão', 'hospício', ou 'tribunal' de A TROCA?

- Será que nenhum ator de DOUBT vai ganhar prêmio? Eu acho q Viola Davis corre por fora.

- THE READER? E há quem diga que Harvey Weinstein já era...

Top Ten - Filmes mais aguardados de 2009

5- THE LOVELY BONES
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Depois de entrar para a história do cinema com O SENHOR DOS ANÉIS e do ótimo (mas pouco apreciado) KING KONG, Peter Jackson retorna ao tipo de história que o colocou no mapa, no melhor estilo ALMAS GÊMEAS. O filme já está sendo produzido há zilênios, mas problemas no set e com o elenco parecem ter adiado a produção. Mark Wahlberg como um dos protagonistas preocupa, mas acredito que a sensibilidade e o talento do diretor vai vencer as adversidades.

Tuesday, January 20, 2009

Fogo na roupa

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Pra quem come placenta e dá a luz sem anestesia (e sem gritar!), colocar a mão numa fogueira é fichinha!

O Curioso Caso de Benjamin Button

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A história de O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON parece um prato cheio para agradar David Fincher, um dos diretores americanos mais interessante da atualidade. Dado a preciosismos cinematográficos e marcadas assinaturas visuais, Fincher deve ter visto no conto de F. Scott Fitzgerald inúmeras possibilidades de brincar com a narrativa através de imagens. No entanto, se o que vemos na tela é realmente o que há de state of the art em termos de tecnologia, o tipo de história de BENJAMIN BUTTON requer um humanismo que sempre faltou à filmografia do diretor.

A história do protagonista, que nasce velho e vai rejuvenescendo não dá espaço para o pessimismo e quase misantropia presente nos outros filmes de David Fincher: Benjamin Button é um personagem que, em sua essência, marca a esperança e a celebração da vida e do amor. Poderia Fincher lidar com ele?

Ao se assistir a BENJAMIN BUTTON, a resposta pode ser 'sim' e 'não'. Escrito por Eric Roth, o filme tem muitas semelhanças como outra criação do roteirista, FORREST GUMP. Contudo, diferentemente do personagem que acreditava que a vida era 'uma caixa de chocolates', Benjamin Button é um tanto passivo - as coisas acontecem com ele ao invés dele fazê-las acontecer - e isso acaba por criar pouca empatia do público com ele. Ele é um protagonista sem ação. E nem Fincher consegue dar um jeito nesse problema.

A ação parte unicamente da personagem Daisy (nome caro a Fitzgerald), o amor de Button que inicialmete o seduz, depois vive com ele e ao final acaba por narrar a sua história (recurso um tanto mal-utilizado no filme, através de um diário). Quando a personagem não está na tela, o filme fica arrastado e sem vida. A discussão sobre a transitoriedade da vida e do caráter implacável do tempo só se tornam vívidas quando Daisy está em foco, particularmente na belíssima sequência em que ela sofre um acidente.

Brad Pitt, que vive o personagem quando velho através de um engenhosíssimo artifício visual que colocar o rosto do ator no corpo de outros atores mais velhos, convence mais exatamente ao viver o Button idoso. Quando jovem, nunca se percebe nos seus olhos o peso da idade e da experiência de alguém que já tem décadas de vida. No entanto, é ótimo ver a transformação do personagem de velho para jovem exatamente nos anos 50, quando a cultura jovem é 'inventada' e Pitt incorpora um estilo James Dean (vocês se lembram do início da carreira de Brad Pitt, quando as pessoas o chamavam de 'novo James Dean'?). Cate Blanchett dá vida a uma graciosa Daisy, mas é na hora final do filme (que dura um pouco mais do que devia) que ela realmente impressiona, especialmente porque Fincher mostra então uma bondade insuspeita para com os personagens em seus momentos finais.

Mesmo que um tanto irregular, O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON é uma experiência gratificante que, com poesia mas também frieza, aborda as felicidades e misérias da mortalidade.

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Prezados leitores

Vocês devem ter reparado que está impossível fazer comentários. Medidas já estão sendo tomadas para que o problema seja resolvido.

Grato

A Gerência

Sunday, January 18, 2009

500 razões para ver

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Todo ano vemos aparecer um filme 'romântico-independente-bittersweet-maluquinho' que, não tem jeito, nos faz apaixonar por ele. De BRILHO ETERNO a JUNO, esse tipo de filme já tem um lugar no meu coração (e olha que nem vi o NICK & NORAH). O mais forte representante desse estilo de cinema esse ano é 500 DAYS OF SUMMER, aquele tipo de produção que não vi ainda, mas já amei.

Tudo bem que ajuda ter Joseph Gordon-Levitt (meu ator favorito no mundo inteiro) e a fofucha Zooey Deschanel. Dirigido pelo novato em cinema Marc Webb (que já fez videoclipes bem interessantes), 500 DAYS OF SUMMER conta a história do relacionamento entre Tom (Levitt) e Summer (Deschanel): ele é um romântico inveterado, ela não acredita muito no amor. Quando ela termina com ele, Tom retorna aos 500 dias em que eles ficaram juntos pra ver o que deu errado.

O divertidíssimo trailer (que remete a um tipo antigo de trailer, com aquela narração em off exagerada) sugere muitas brincadeiras visuais, viagens na estrutura narrativa à la Charlie Kaufman, cenas musicais e muito coração partido.
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O Slashfilm tem o preview de duas cenas divertidas e o filme já está causando sensação em Sundance, distribuído pela Fox Searchlight (o mais respeitado estúdio independente da atualidade).  500 DAYS OF SUMMER é um dos imperdíveis de 2009.

Saturday, January 17, 2009

Top 6 - Melhores filmes de 2008

Eu poderia fazer um Top 10 dos melhores filmes que vi no ano passado. No entanto, quatro deles, apesar de bons, estariam ali apenas para completar dez escolhas. Digo isso porque em 2008 apenas seis filmes realmente me fizeram pensar, sentir e interpretar suas histórias de forma diferente.

6-  NA MIRA DO CHEFE
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No início do filme, o espectador mais mal-humorado pode logo se perguntar: "Mais um filme sobre assassinos de aluguel engraçadinhos?" Contudo, NA MIRA DO CHEFE é muito mais. Recheado de simbolismo (culpa cristã, contos de fadas, Bosch), o ridículo das situações acaba por revelar um humanismo insuspeito à medida que o roteiro avança. Os esterótipos do gângster, do assassino e do turista são desconstruídos e expõem a sensibilidade dos personagens de uma forma surpreendente. Brendan Gleeson e Colin Farrell, em notáveis atuações, formam uma espécie de 'odd couple' como o cinema raramente vê - engraçados, porém perigosos; rudes, porém tocantes.

5- VICKY CRISTINA BARCELONA
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Falando em turismo, Woody Allen parece ter encerrado sua fase européia (depois de três filmes em Londres) na ensolarada Barcelona. A mudança de ares fez muito bem ao diretor, que proporciona uma de suas mais inteligentes e bittersweet comédias. VICKY CRISTINA BARCELONA é um filme todo de subtexto, onde as escolhas aparentemente simples dos personagens (interessante como essa temática da escolha e suas consequências está muito presente no Allen recente, como em MATCH POINT e O SONHO DE CASSANDRA) são aquilo que definem sua humanidade. Allen parte dos estereótipos mais manjados desse tipo de 'filme de turismo': viajantes americanos em busca de aventura, nativos exóticos, pontos turísticos da cidade etc - desse ponto de vista não há nada muito diferente de, digamos, SOBRE O SOL DA TOSCANA. No entanto, ao brincar com esses chavões, o diretor examina como por trás de um aparente escapismo se esconde a tão sintomática anomie das classes abastadas. Para ver diversas vezes. E como pode a Patricia Clarkson ser arrasadora em uma cena?

4-CLOVERFIELD
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Até agora, o mais relevante filme live action de ficção científica dessa década. CLOVERFIELD consegue não só ser o melhor filme sobre o zeitgeist americano pós-9/11, como também uma das grandes obras a abordar a onipresença da imagem na sociedade. Monstros atacando metrópoles nunca são monstros atacando metrópoles - são, entre outras coisas, movimentos caóticos que se instauram para aniquilar o status quo. Sejam elas ataques terroristas ou a fragmentação da realidade, ambos se apresentam como forças capazes de destruir os mais sólidos dos prédios, ou os mais consistentes pilares do real.

3- O CAVALEIRO DAS TREVAS
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Nesta época negra, haveria melhor herói do que aquele que vaga a noite fazendo justiça com as próprias mãos - e ainda vestido de morcego??? Juntar esse herói (que o filme inteligentemente transforma em anti-herói exatamente no momento em que ele é mais heróico) com um justiceiro que segue a lei e paga o preço por isso (Harvey Dent) é ótimo, mas o golpe de mestre é colocar entre eles uma figura anárquica, que está além do limite da lei e do crime. O Coringa ultrapassa os limites pré-estabelecidos pela sociedade (daí a discussão dos críticos norte-americanos se o personagem seria um terrorista ou não), mas ainda assim acredita estar fazendo o que é justo. Neste grande panorama moral/social, ser brindado com atuações estupendas é apenas a cereja do sundae.

2- WALL-E
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A grande ficção científica dessa década é uma animação voltada (aparentemente) para crianças. No entanto, não tem como negar que é o filme mais maduro da Pixar (mesmo que o posto de 'melhor' ainda esteja firme com RATATOUILLE). Mezzo 'Chaplin pós-apocalíptico', mezzo 'história de amor entre o analógico e o digital', o filme mesmo em seus momentos divertidos não perde o tom crítico, seja ambiental (a destruição da natureza) ou social (a infantilização da sociedade). De quebra, uma aula de humanidade dada por um robô. Inesquecível.

1- SANGUE NEGRO
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Se a atuação de Daniel Day-Lewis já entrou para a história como uma das maiores do cinema, com SANGUE NEGRO Paul Thomas Anderson se consgrou como o maior 'novo' talento do cinema americano contemporâneo. O diretor trabalha com temas nada modestos (Religião! Ambição! Família! A construção da América!), dando tintas kubrickianas a uma narrativa épica que dura décadas. Os diálogos inesquecíveis (entre eles, aquele sobre certa bebida), as imagens marcantes, e as atuações inspiradas (Paul Dano!) fazem desse filme não só ser complexo, mas também um próprio estudo sobre a complexidade.

Thursday, January 15, 2009

Rapidinhas

- bodyofliesposter_000.jpgREDE DE MENTIRAS: Mais um filme sobre a Guerra do Iraque que consegue ser apenas razoável (acho que a grande produção sobre o tema está por vir - THE GREEN ZONE, do Paul Greengrass). Mesmo com boas atuações de DiCaprio e Crowe, o filme não sai do lugar-comum e a história não envolve.

- good-poster-viggo.jpgUM HOMEM BOM: Inacreditável: uma atuação ruim de Viggo Mortensen. O filme é mais um 'fetiche de Holocausto' que faz do espectador um simples voyeur. Os personagens são despidos de qualquer profundidade, e o filme fica sem propósito.

- twilight-poster1.jpgCREPÚSCULO: Chatíssimo, dormi no meio. Aquela família de vampiros que parece ter saído de um comercial de margarina me lembrou aquelas paródias no melhor estilo "Deu a Louca em..."

- burn-after-reading-poster.jpgQUEIME DEPOIS DE LER: Divertido filme dos irmãos Coen, abusando do nonsense e com atuações inspiradíssimas. No entanto, já vi esse filme antes e melhor dirigido por eles mesmos (em pelo menos quatro filmes). Por melhor que seja, essa repetição de história (um crime aparentemente pequeno que toma proporções gigantes, com comédia e violência na mesma medida) me soa como falta de criatividade.

- 2894310150_7f368c51c9.jpgGOMORRA: Mesmo com uma estética naturalista, falta ao filme um centro narrativo que crie uma conexão com o espectador. Das cinco histórias, umas são bem mais interessantes que as outras, o que acaba cansando.

tropic-thunder-poster.jpgTROVÃO TROPICAL: Como paródia, é extremamente inteligente. Como comédia anárquica, é surpreendente. A cena em que Robert Downey Jr. explica as regras do Oscar para atores que fazem papéis de deficiente mental é tudo o que sempre falei!

- be-kind-rewind-poster-0.jpgREBOBINE, POR FAVOR: Interessante fábula que acaba se tornando um tanto decepcionante à medida que o filme se desenrola. Ao conceber seus roteiros, Michel Gondry parece ter excelentes pontos de partida que pecam no desenvolvimento.

- divingbellandbutterflyposter.JPGO ESCAFANDRO E A BORBOLETA: A melhor direção de fotografia do cinema recente. Sensível e contundente.

- thesavagesposter.jpgA FAMÍLIA SAVAGE: Adoro essas comédias dramáticas, e se tem referências ao teatro do absurdo melhor ainda. A história é bem simples, mas quando se tem dois dos melhores atores em atividade tudo ganha outro brilho.

- blindness-final-poster-full.jpgENSAIO SOBRE A CEGUEIRA: Extremamente fiel ao livro, ilustra a podridão humana em estado bruto. As cenas pós-apocalípticas são impressionantes.

Indicações x Premiação: onde estarão as surpresas?

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Durante todo o período da temporada de prêmios de cinema, o momento mais interessante pra mim sempre foi o atual, onde ninguém sabe exatamente quem vai ser indicado e pelo menos 10 filmes, 10 atores e uns 8 atores diretores podem aparecer indicados em suas respectivas categorias no Oscar. E aí, logo depois que as indicações saem, fica bem fácil saber quem vai ganhar.

Neste ano a situação está diferente. Todos parecem estar bem certos que os cinco indicados a melhor filme serão O CAVALEIRO DAS TREVAS, FROST/NIXON, MILK, BENJAMIN BUTTON e SLUMDOG MILLIONAIRE. Se forem esses mesmos os indicados (e a crítica e os prêmios de seus sindicatos indicam isso), ja vai ser uma lista bem interessante. Dos cinco, dois seguem a fórmula de filmes indicados da academia: a mega-produção com estrelas de primeira grandeza (BENJAMIN BUTTON) e o filme de pedigree baseado em peça de teatro premiada (FROST/NIXON).

Os outros indicados fugiriam da fórmula do Oscar. SLUMDOG é sim um filme inglês com uma mensagem positiva (coisa que a academia adora), mas tem atores não-americanos e a Índia como cenário. MILK é sim uma cine-biografia, mas sobre um ícone gay que não tinha nenhuma crise de identidade com relação a sua homossexualidade. E, ainda mais chocante, O CAVALEIRO DAS TREVAS é um filme de super-herói baseado em quadrinhos, que ainda é uma continuação cujo primeiro filme não foi sequer indicado.

Se forem esses mesmos os indicados, acredito que a surpresa então ficará por conta de quem vai ganhar. E isso acontece também em outras categorias. Os filmes provavelmente terão seus respectivos diretores indicados (a não ser que Darren Aronofsky corra por fora). Na categoria de ator, também os indicados já estão decididos, com o duelo entre Mickey Rourke e Sean Penn prestes a começar. Na categoria de atriz, Kate Winslet, Anne Hathaway e Meryl Streep estão palmo a palmo (com Winslet ne frente com uma série de indicações e nenhuma vitória). Na categoria de atriz coadjuvante, Winslet também cresce ameaçando a favoritíssima Penelope Cruz.

E com tanta polarização, será que o fenômeno 'voto dividido' ocorrerá? Com votantes pensando apenas em Winslet e Cruz, ou Penn e Rourke, haveria chance para Viola Davis ou Leonardo DiCaprio? Só quem parece ter o prêmio realmente garantido é Heath Ledger por O CAVALEIRO DAS TREVAS.

Quinta-feira que vem teremos a certeza dos indicados. Mas, diferente dos outros anos, depois que o momento de maior suspense vai começar.

Thursday, January 8, 2009

Top Ten - Filmes mais aguardados de 2009

6- NINE
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Existem várias razões porque NINE é um dos filmes mais aguardados do ano: Nicole Kidman, Judi Dench, Marion Cotillard, Sophia Loren, Penelope Cruz, Rob Marshall, Fellini.

Mas o principal motivo? Daniel Day-Lewis - cantando!

Cahiers du Cinema: só os franceses mesmo

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Falem o que quiserem dos críticos franceses, mas eles foram os primeiros a dar valor a Hitchcock, ao musical americano e a Spielberg. Seus gostos geralmente são vistos como piadas, mas depois o tempo reafirma a sagacidade de suas escolhas.

Digo isso porque a Cahiers du Cinema, a bíblia do cinema europeu, divulgou sua lista de melhores filmes de 2008 e as escolhas dos críticos franceses foram as mais diferentes que já vi até agora:

  1. "Guerra sem Cortes" (Brian De Palma)

  2. "Juventude em Marcha" (Pedro Costa)

  3. "Cloverfield" (Mat Reeves)

  4. "Onde os Fracos Não Têm Vez" (Joel & Ethan Coen)

  5. "Two Lovers" (James Gray)

  6. "Valsa com Bashir" (Ari Folman)

  7. "Dernier Maquis" (Rabah Ameus-Zaïmeche)

  8. "Hunger" (Steeve McQueen)

  9. "A Short Film About the Indio Nacional" (Raya Martin)

  10. "De la Guerre" (Bertrand Bonello)


O documentário GUERRA SEM CORTES de Brian de Palma, que teve recepção morníssima em Veneza e foi massacrado pela crítica americana, ficou em primeiro lugar. JUVENTUDE EM MARCHA reafirma Pedro Costa como um dos grandes nomes do cinema europeu contemporâneo e coloca Portugal no mapa cinematográfico atual. A primeira produção americana de ficção a aparecer é CLOVERFIELD, filme que fez os geeks babarem em Janeiro do ano passado, mas nenhum deles teve a coragem de colocá-lo em seu top ten em blogs e sites.

Algumas outras opções também são bem diferentes (TWO LOVERS?) e podem despertar o interesse de outros mercados por esses filmes - ou até mesmo a ressurreição dessas obras em DVD.

A minha lista de melhores filmes do ano passado vem aí e tem pelo menos um ponto em comum com as escolhas da Cahiers du Cinema. Aguardem.

Tuesday, January 6, 2009

Listas e mais listas

Fim de ano é aquilo: os críticos se empolgam divulgam listas de melhores filmes não só do ano anterior, mas também da década e, é claro, da história.
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Primeiramente, foi a lista da Cahiers du Cinema lançada em Novembro, quando a conceituadíssima revista francesa enumerava os 100 melhores filmes da história. Nada de muito surpreendente: o primeiro lugar é de CIDADÃO KANE, e o amor dos franceses por Hitchcock, pelo faroeste e pelos musicais americanos continua inabalável. Os asiáticos e os britânicos ficaram em sua maioria de fora.
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Recentemente, Stanley Fish também fez uma lista curiosa de 10 melhores filmes americanos para o NYT. Embora Scorsese e Hitchcock estejam lá, é bem interessante FEITIÇO DO TEMPO (uma das melhores comédias do cinema recente, sem dúvida) ser chamado de um grandes filmes da história do cinema americano.
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Já o They Shoot Pictures, Don't They divulgou a sua tradicional lista de melhores filmes da década de acordo com a crítica. Pouca coisa mudou, mas é interessante ver em que posição entraram os filmes de 2008. AMOR À FLOR DA PELE continua firme no primeiro lugar.

Quem acompanha o este blog há um tempinho deve se lembrar que eu já publiquei aqui em Janeiro do ano passado uma lista pessoal de melhores filmes da década. Com a adição das produções de 2008 e pensando um pouco mais, fiz algumas mudanças nas minhas escolhas. No link abaixo, os meus preferidos da década até agora.

Top Ten - Cultura em 2008

O ano passado teve vários acontecimentos políticos, econômicos e sociais importantes que tiveram inevitavelmente uma influência nos eventos culturais de 2008. Também foi um ano de importantes shows no Brasil, do maior evento esportivo do mundo e da celebração do maior nome da literatura brasileira.

Vamos à lista:

10- Interpol no Brasil
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Um dos grandes nomes do rock alternativo mundial que eu jamais (jamais mesmo!) pensei que viesse ao Brasil. Numa Fundição Progresso lotada (e com goteiras constantes, numa falta de estrutura que acabava por dar uma atmosfera onírica ao local), a banda tocou seus maiores sucessos e ainda mandou dois 'bis'. Obstacle 1 foi de tirar o fôlego.

9- David Archuleta x David Cook
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Nesse ano em que me rendi ao fenômeno American Idol, o duelo entre o fofo com cara de koala e metaleiro farofa rendeu as melhores canções pop do ano - mesmo sendo versões. Imagine, Always Be My Baby, Hello, Stand By Me e Billie Jean foram as músicas mais rodadas no meu iPod em 2008 e os vídeos das apresentações estão entre os mais assistidos na internet no ano passado.

8-  Obama Pop
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A eleição de Obama foi o evento mais significativo do ano passado e sua repercussão na cultura foi desde o apoio incondicional de vários artistas até a criação de celebridades do YouTube. Além, é claro, do próprio Obama, que virou um ícone pop. Até quando?

7-  Prêmios para o Cinema Brasileiro
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O Urso de Ouro em Berlim para TROPA DE ELITE e o prêmio de melhor atriz em Cannes para Sandra Corveloni em LINHA DE PASSE reafirmou a posição do cinema brasileiro no cenário mundial.

6- O Retorno de Robert Downey Jr.
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Ele já andava fazendo filmes bons por aí (vide BEIJOS & TIROS), mas com HOMEM DE FERRO, TROVÃO TROPICAL e THE SOLOIST (que por estratégia mal-feita ficou pra esse ano), Robert Downey Jr. deu a volta por cima com muito estilo. Próxima na fila: Winona Ryder (não por acaso, ex-namorada do cara).

De volta ao trabalho

Feliz 2009 galera!

Agora chega de moleza!

O Rosebud é o Trenó! está de volta com força total em 2009 e, pra começar, estou c-h-e-i-o de 'Top Tens' pra postar por aqui, além das tradicionais categorias 'Medo.com.br', 'Dánacaradela' e também fofocas da temporada de prêmios do cinema que está esquentando.

Vamo que vamo!