Friday, July 31, 2009

Top 10 - Filmes mais bonitos do cinema

Existem filmes que tem um visual tão arrebatador que, sinceramente, nem precisavam ter uma história. Mas quando a beleza das imagens casa perfeitamente com o enredo, fica melhor ainda. Aqui vão meus dez filmes preferidos nesse estilo:

10- A LIBERDADE É AZUL

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A trilogia das cores de Kieslowski é toda um desbunde visual, em especial porque cada filme tem que seguir a sua palheta específica de azul, branco ou vermelho. Mas acredito que A LIBERDADE É AZUL é o mais rico em termos de imagens, já que todos os tons de azul da fotografia (de Slawomir Idziak, responsável também pelo visual soturono de GATTACA e do quinto HARRY POTTER) se fazem presentes em praticamente todos os fotogramas. Em particular, as cenas de Juliette Binoche na piscina são de tirar o fôlego, ainda mais acompanhadas pela trilha clássica de Zbigniew Preisner.

9-  EVITA

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Darius Khondji é um dos meus diretores de fotografia favoritos, e sou fã de seu trabalho especialmente ao lado de David Fincher (ALIEN 3, SEVEN, O QUARTO DO PÂNICO). Mesmo se especializando em um estilo mais moderno, acredito que seu melhor trabalho seja em EVITA, em que o visual clássico de uma Argentina de sonhos é crucial para que o filme funcione como musical. As sequências do funeral de Evita são um espetáculo por si só, mas as cenas da alta-sociedade de Buenos Aires são perfeitas em sua mistura de beleza e também ironia .

8- O TERCEIRO HOMEM

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Filmes em preto-e-branco geralmente são lindos por si só, mas no caso de O TERCEIRO HOMEM o filme inteiro é construindo através de um jogo de luz e sombras (e bota sombra nisso) pelas ruas de Viena. A cidade na verdade se torna uma personagem que engole todos os envolvidos numa sinistra trama de espionagem, até chegar em sua arrebatadora última cena, que parece saída de um sonho.

7- UM CORPO QUE CAI

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Aqui grande parte do crédito é claro que vai para Hitchcock e seu ímpeto controlador. O que mais me chama atenção é o uso das cores - do cinza do tailleur repressor de Kim Novak, ao vermelho da Golden Gate e das flores de Carlota Valdez, ao verde que envolve Madeleien quando ela retorna do mundo dos mortos. E há algo de perturbador em seu enigmático final, com um suicídio em plena luz do dia causado por uma freira pra lá de sinistra. É um filme hipnótico, devido não só à natureza labiríntica de sua história mas também ao seu visual, que parece imitar a mente alucinante de seu protagonista.

6- AMOR À FLOR DA PELE

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Os filmes de Wong Kar-Wai são reconhecíveis  já nas primeiras cenas. Acredito que só Almodóvar hoje tenha uma marca visual tão forte em sua filmografia. No caso do cinema de Wong Kar-Wai, grande parte de sua beleza vem da contruibuição do diretor com Christopher Doyle, provavelmente o mais talentoso diretor de fotografia da atualidade. Nos filmes de Kar-Wai a luz parece sair dos personagens para o ambiente - e no caso de AMOR À FLOR DA PELE, é o vermelho faiscante que envolve Tony Leung e Maggie Cheung que dá o tom da produção. A história é orgânica, pulsante, em especial porque as imagens do filme (por mais que às vezes não tenham um sentido óbvio) são a representação dos sentimentos dos protagonistas.

Thursday, July 30, 2009

Revendo "Reencarnação"

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Nessas minhas férias, estou aproveitando para rever vários filmes que assisti há bastante tempo: de clássicos (BARRY LYNDON, que eu amo) até comédias pop (TODO MUNDO QUASE MORTO). Felizmente, também estou tendo a oportunidade de dar uma segunda chance a filmes que vi no cinema há alguns anos e que, quando as luzes da sala se acenderam, não sabia se tinha amado ou odiado o que tinha acabado de assistir. De todos os filmes dos últimos anos, talvez o que mais tenha me dado essa impressão é REENCARNAÇÃO, de Jonathan Glazer.

Lembro de pensar ao fim daquela sessão em 2005: "Que filme foi esse que eu vi?" REENCARNAÇÃO ficou em minha cabeça por muito tempo, e acredito que a razão de muitas pessoas não gostarem dele é por ser tão enigmático e perturbador. O filme é ao mesmo desconfortante e refinado, como se envolvesse toda a problemática um tanto gótica e doentia da história  com uma roupagem de requinte estético. A premissa de REENCARNAÇÃO (garoto de 10 anos se apresenta para uma mulher como a reencarnação de seu falecido marido) começa como estapafúrdia, fica enigmática, se torna sinistra e ao fim se mostra doentia. Mesmo a explicação que o filme eventualmente dá para a situação é altamente ambígua, porque as escolhas visuais do diretor Jonathan Glazer nunca  são fáceis.

Há algo de extremamente surreal em REENCARNAÇÃO, talvez por seu roteiro ser de autoria de Jean-Claude Carriére, colaborador de longa data de Buñuel. Mas o visual também realça o elemento fantástico da história, que sempre fica no limiar entre o sobrenatural e o romântico (o que também cria a atmosfera desconfortante que já mencionei). Jonathan Glazer usa e abusa das tintas kubrickianas (o que não é surpresa para quem já conhece sua carreira em videoclipe), especialmente nos close-ups prolongados e uso da música clássica.

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Nicole Kidman, em notável atuação, combina perfeitamente com esse estilo (logo ela, que fez o último filme de Kubrick). Sem ela, seria muito fácil considerar REENCARNAÇÃO um exercício em bizarrice, mas sua expressividade é tão genuína que acaba desarmando até o espectador mais racional. Em uma das cenas mais impressionantes do cinema recente, a personagem de Kidman vai à ópera e, por mais de dois minutos ininterruptos, vemos um close de seu rosto e da avalanche de emoções que passam por ele. É uma estratégia ousada, mas cujo efeito é inesquecível.

Mas REENCARNAÇÃO tem um elenco muito bom, a começar pelo jovem Cameron Bright, que interpreta o menino que diz ser o marido de Kidman. Seu rosto melancólico combina (assim como o cabelo de Kidman) com uma atmosfera O BEBÊ DE ROSEMARY que ronda a história do filme. A surpresa fica por conta de Anne Heche, em pequena mas crucial interpretação. Depois da grande cena em que ela revela um dos grandes segredos do enredo, dá vontade de saber mais sobre a personagem, seus erros e seus amores.

Na época, o filme foi muito comentado por algumas cenas tidas como polêmicas, em especial a que em Nicole Kidman e o garoto estão na banheira. Essa é uma das várias conotações sexuais que o filme coloca. E como elas são com um menino de 10 anos, é claro que isso pode chocar. Mas nada é mostrado ou mesmo realizado, tudo é sugerido - e acredito que desses momentos moralmente questionáveis de REENCARNAÇÃO é que surge um grande filme. É uma obra corajosa e de visão, cuja história lúgubre (realçada pela espetacular trilha de Alexandre Desplat) porém imersa na luz amarela da alta-sociedade nova-iorquina (a fotografia de Harry Savides é um achado) ilustra a própria peculiaridade do amor e suas desilusões.

A cena final é tão assustadora e bela (como já cansei de falar aqui no blog, adoro cenas de mar em cinema) que ao mesmo tempo que dá um outro ponto de vista para todo o enredo de REENCARNAÇÃO, amplia suas possibilidades. Não é um filme fácil, mas extremamente gratificante para quem se deixar levar por suas nuances.

Notícias do Trenó

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- Raquel Zimmerman arrasa na nova campanha de Jea-Paul Gaultier até vestida como homem.

- Vazou a divertidíssima nova música da Madonna, "Celebration".

- Belíssimos pôsteres modernos para filmes clássicos feitos pelo TCM.

- Trailer do filme novo dos Irmãos Coen, A SERIOUS MAN.

- Teste de sabor de TruBlood, tipo O positivo.

- 12 mulheres que mudaram a percepção dos americanos sobre sexo.

Wednesday, July 29, 2009

Mika Carlisle

Só eu achei a nova música do Mika, "We are golden", muuuito parecida com a "Heaven is a Place on Earth" da Belinda Carlisle?

Mika:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=SuKBY_ZVIAE&hl=pt-br&fs=1&]

Belinda:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=vFPajU-d-Ek&hl=pt-br&fs=1&]

Tuesday, July 28, 2009

Filme errado

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- HAHAHA, poxa gente, me preparei tanto pra fazer ser o novo Freddy Krueger. Mas tá beleza!

Retrato retocado

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Sendo a adaptação de um dos meus livros favoritos, estou com muita expectativa por DORIAN GRAY desde que o filme entrou em produção. A direção está por conta de Oliver Parker, um notório fã de Oscar Wilde que já dirigiu versões de duas comédias do autor: UM MARIDO IDEAL foi um ótimo filme, mas o mesmo não pode se dizer da versão de The Importance of Being Earnest (que no Brasil recebeu o título de ARMADILHAS DO CORAÇÃO).

Parker agora se aventura no único romance de Wilde, uma obra famosa não só por seu destaque na história da literatura mas também pelo papel decisivo que teve no julgamento do autor por seus atos 'imorais'. A trama do jovem de notável beleza que nunca envelhece, enquanto um quadro com uma pintura sua vai se transformando, é uma brilhante representação do arquétipo da busca do homem pela eterna juventude. Mas é claro que a perfeição interior vem acompanhada de uma implacável derrocada moral, onde a alma do personagem é consumida.

Quando Ben Barnes (o Príncipe Caspian do segundo CRÔNICAS DE NÁRNIA) foi anunciado como Dorian, fiquei com o pé atrás. O ator pode ser muito bonito, mas é totalmente diferente do Dorian descrito por Oscar Wilde no romance, que tem cabelos loiros encaracolados, realçando sua perfeição angelical. De cara, me lembrei de algumas terríveis alterações feitas nas características físicas de ENTREVISTA COM O VAMPIRO (especialmente no vampiro Armand, que com Antonio Banderas parecia um travesti). Mesmo assim, ENTREVISTA COM O VAMPIRO é o filme que eu gosto bastante, e a alteração na aparência de Dorian não é um crime tão grave.

Contudo, logo depois descobri que o roteiro incluía uma personagem que não existe no livro: uma filha (!) para o personagem de Lord Henry (um dos grandes personagens da literatura mundial, vivido no filme por Colin Firth). A função dessa nova personagem (interpretada pela ótima Rebecca Hall) ainda não está clara pra mim, mas é bom que funcione, porque ter um filho vai de encontro a várias das idéias propagadas pelo próprio Lord Henry.

Hoje, vendo o trailer de DORIAN GRAY, percebi qual será o tom do filme. Dêem uma olhada:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=eu_-asU0Hd4&hl=pt-br&fs=1&]

O livro O Retrato de Dorian Gray é um exemplo notório do "gótico vitoriano" mas também é um ácida crítica social da Inglaterra do século XIX, com o humor refinado característico de Wilde. Pelo trailer, no entanto, parece que veremos a Londres vitoriana de SWEENEY TODD ou de DO INFERNO, e realmente me preocupa que uma história tão complexa seja transformada em um mero conto de horror. Além do mais, alguns elementos que são sugeridos no livro de forma sutil (o que faz Dorian com toda a liberdade que passa a ter quando descobre que nunca envelhecerá?) parece que serão mostrados no filme na forma mais banal possível.

Ainda tenho expectativas para DORIAN GRAY, mas espero que não seja mais uma daquelas adaptações decepcionantes cuja desculpa de "atualizar a história para o público do século XXI" seja usada para realizar um mau filme.

Famoso no clipe: Courtney Cox com Bruce Springsteen e Counting Crows

Courtney Cox (que adicionou o sobrenome Arquette depois de se casar) já esteve em outros clipes além do óbvio "I'll Be There For You" de The Rembrandts. E são clipes de duas músicas que eu particularmente gosto muito: a primeira é "Dancing in the Dark", de Bruce Springsteen. É uma daquelas canções animadas porém tristinhas que o cantor faz tão bem. A atriz, bem jovem, é a escolhida pra dança com Springsteen no palco.







O segundo clipe é o de "A Long December", música dos Counting Crows que marcou minha adolescência. O vocalista da banda, Adam Duritz, nos anos 90 era uma espécie de "Falcão do Rappa", conquistando com seu jeito desleixado estrelas como Jennifer Aniston, Mary-Louise Parker e a nossa Courtney Cox. Na época em que os dois eram namorados, ela fez essa participação do belo clipe de "A Long December".





Top 10 - OS FILMES DA MINHA VIDA

Esta lista representa mais do que os meus filmes preferidos – são os filmes da minha vida, aqueles que mudaram a minha própria atitude com relação ao cinema. Estou revendo todos eles, para logo depois colocar minhas impressões aqui.

8- OS INCOMPREENDIDOS

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A EXPERIÊNCIA

Desde que passei a me interessar por filmes, sempre li bastante sobre aqueles considerados clássicos e movimentos importantes do cinema. Desde então, uma obra que sempre me chamava atenção quando lia sobre ela era OS INCOMPREENDIDOS, não só por ser considerado o trabalho que deu origem a um dos importantes movimentos artísticos do século XX (a 'nouvelle vague'), mas também porque foi o primeiro filme de François Truffaut. O que mais me interessava em OS INCOMPREENDIDOS, contudo, era o fato da história tratar do drama de um protagonista pré-adolescente. De todos os filmes clássicos 'não-americanos', sempre foi o que tive mais vontade de ver. Quando tive a oportunidade de assistí-lo numa tarde sábado na TVE (agradeço muito a esse canal por poder assistir a vários filmaços), realmente minha fascinação por essa obra de Truffaut tornou-se ainda maior.

O FILME

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É difícil falar de OS INCOMPREENDIDOS sem falar de toda a história por trás dele. Afinal de contas, foi o filme fundador da "nouvelle vague", que praticamente colocou a escola realista do cinema em outro patamar. Se o neo-realismo italiano procurava retratar com fidelidade a vida como ela era além dos estúdios, a "nouvelle vague" procurava dar uma forma quase literária aos filmes. Um dos artífices do movimento, André Bazin (que serviu de mentor de Truffaut e a quem OS INCOMPREENDIDOS é dedicado) pensava nessa nova forma de cinema como um romance, especialmente do tipo em que os personagens escapam do julgamento moral do seu realizador (não é à toa que o filme cita Balzac, que partilhava desse estilo literário). A "nouvelle vague" ecoou em diferentes cinematografias, desde a New Hollywood dos anos 60 e 70 até o Cinema Novo. Há quem afirme, em tom de crítica, que o cinema brasileiro ainda hoje insiste nas fórmulas do cinema francês da metade do século passado, já que é inegável que filmes como CENTRAL DO BRASIL e O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS são herdeiros da "nouvelle vague".

É importante também ressaltar que a história de OS INCOMPREENDIDOS é autobiográfica, já que François Truffaut também foi um estudante rebelde e 'incompreendido', que matava aulas para ir ao cinema e se divertir com os amigos.  O protagonista Antoine Doinel de certa forma era Truffaut, e por isso o diretor retornou a ele em outros filmes em diferentes fases da sua vida. Aqui impressiona que Doinel sempre foi interpretado por Jean-Pierre Leaud, num caso único do cinema (até a série HARRY POTTER, pelo menos) do público acompanhar o processo de amadurecimento de um personagem nas telas.

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Mas ao  despirmos OS INCOMPREENDIDOS de todo esse conhecimento prévio, o que temos? Certamente a história definitiva sobre encontrar-se perdido numa sociedade opressiva, onde a única solução parece ser cometer atos que são contras as leis dessa mesma sociedade. Uma das características mais interessantes do filme é que ele parece não ter uma história em si: o que temos é apenas uma sucessão de acontecimentos que levam o protagonista Antoine Doinel a se envolver numa espiral de problemas com a escola, com a família e eventualmente com uma instituição para delinquentes juvenis. OS INCOMPREENDIDOS é uma festa para os estudiosos de Foucault e sua teoria de 'corpos dóceis', já que cada tentativa feita por Doinel para exercer sua identidade acaba sendo o oposto que cada esfera social espera dele. O garoto está longe de ser um anjinho: com sua jaqueta de golas levantadas e suas atitudes por vezes extremadas, é um dos grandes rebeldes do cinema. Mas Truffaut nunca o julga, e o filme inteligentemente brinca com a percepção do espectador, jogando o tempo todo com o aspecto punitivo/libertário em que o personagem é construído.

Truffaut costumava dizer que o cinema salvou sua vida, e essa parece ser a razão pela qual Doinel e seu amigo de rebeldia René geralmente faltam aulas pra ir ao cinema, ou os personagens constantemente são retratados embaixo de uma fachada de cinema. Diante de tantas esferas castradoras (a escola parece ser uma versão em preto-e-braco do THE WALL do Pink Floyd), o cinema é o espaço da liberdade. Até mesmo a família serve de instrumento para diminuir a expressividade de Doinel, mesmo que essa instituição seja falida (a mãe do garoto pensou em abortá-lo, além de ter um relacionamento extra-conjugal).

Quando garoto é colocado em um reformatório, isso ocorre menos por um desejo punitivo e mais por uma decorrência natural de seus atos. Mas ainda assim, o personagem tem direito a um único momento de liberdade - que na verdade, é o maior de todos. Na verdade, o filme todo parece ser construído para enfatizar a importância de sua cena final, uma das mais bonitas da história do cinema. Pra mim, a imagem mais bonita que pode ser retratada em uma tela é o encontro do homem com o mar. Símbolo máximo da comunhão do  homem consigo mesmo, é dessa imagem que resulta a força sequência final de OS INCOMPREENDIDOS e uma das razões dessa ser uma obra inesquecível.

Monday, July 27, 2009

Rapidinhas

ghost-town-poster-2- GHOST TOWN: Umas das melhores surpresas que tive esse ano. O mega-roteirista David Koepp se aventura mais uma vez na direção e realiza seu melhor filme. Aparentemente, é aquela típica comédia bonitinha que usa fantasmas pra mostrar como a vida é bela e o amor é lindo. No entanto, a história é bem menos açucarada do que poderia se imaginar, e mesmo a transformação do incorrigível misantropo (Ricky Gervais, excelente) em uma figura de bom coração não é tão completa assim. Greg Kinnear está inspirado como o fantasma mau-caráter, e até mesmo Tea Leoni (que geralmente acho irritante) agrada, em sua melhor versão de Meg Ryan. A última fala do filme é de uma delicadeza que até hoje estou pensando nela.

house-bunny-poster-2- O CLUBE DAS COELHINHAS: Besteirol estrelado por Anna Faris, que merecia mais. O filme foi feito para repetir o sucesso de LEGALMENTE LOIRA e levar Faris finalmente ao estrelato, mas isso não aconteceu. Piadas geralmente sem graça e situações que ficam entre o óbvio e o estapafúrdio não ajudam.

secretarypostermain- SECRETÁRIA: Misteriosamente, nunca tinha assistido a esse filme - e realmente adorei. Tanto se falou que o filme era pervertido e um tanto imoral, mas na verdade não é nada disso. O que mais vale é que o diretor não julga seus personagens, o que por si só já dá uma leveza à produção, mesmo com cenas de sadomasoquismo light. Maggie Gyllenhaal arrasa - ela tinha que fazer o papel de uma maluca lésbica assassina e colocar uma maquiagem bem pesada pra ganhar o Oscar.

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pineapple-express-poster- SEGURANDO AS PONTAS: Mais uma produção da "escola Judd Apatow" de comédia com todos os seus elementos característicos: 'bromance', piadas sobre filme e música, e Seth Rogen. Nesse filme, contudo, o diferencial está em fazer da maconha quase um personagem, o que eventualmente dá certo. James Franco, que deveria fazer mais comédia,  está impagável como o traficante que vive chapado. A trama amalucada que envolve uma briga de gangues pra lá de exagerada lembra até o estilo dos Irmãos Coen. Mas pra fazer esse filme, só se eles tivessem fumado um baseado.

Sunday, July 26, 2009

DANACARADELA V.17

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=Ksl1ao1Q6QM&hl=pt-br&fs=1&]

NOVELA: Laços de Família

PARTICIPANTES: Íris (Deborah Secco) e Camila (Carolina Dieckman)

PORQUE É TUDO DE BOM: Sinceramente, “Judas”? Só em novela da Globo mesmo. Certeza que no mundo “off-Leblon” de Manoel Carlos, o que estaria escrito era “puta”. Adoro quando a Carolina Dieckman diz “vou te espetar”, como se a Deborah Secco fosse um pedaço de picanha. A ótima Thalma de Freitas, reduzida ao papel da empregada-negra, sempre me mata de rir com “cês tão com o demônio do corpo”. E o que dizer da estratégia ‘genial’ de Camila de “hoje você escapou”? Só faltou ela fazer o barulhinho dos passos indo embora.

MELHOR PARTE: Adoro a Carolina Dieckman entrando no quarto com aquele prendedor de cabelo na mão, se sentindo a mãe do Norman Bates. Só faltou a trilha de PSICOSE!

Saturday, July 25, 2009

TOP 10 - OS FILMES DA MINHA VIDA

Esta lista representa mais do que os meus filmes preferidos – são os filmes da minha vida, aqueles que mudaram a minha própria atitude com relação ao cinema. Estou revendo todos eles, para logo depois colocar minhas impressões aqui.

9- MOULIN ROUGE

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A EXPERIÊNCIA:

Fui ao cinema com uma amiga minha, no dia da estréia em uma sessão vazia no meio da tarde. Já tinha lido várias críticas e estava bastante empolgado com o que tinha visto e lido sobre o filme. Naquela sexta, foi capa do Caderno de Cultura do JB com uma crítica mais que positiva (lembro que chegava a comparar os primeiros 30 minutos do filme ao início de O RESGATE DO SOLDADO RYAN em termos de impacto).

Eu e minha amiga ficamos maravilhados. Aquelas cortinas se abrindo com a fanfarra da 20th Century Fox e o maestro pequenino na parte baixa da tela foi o suficiente pra me entregar totalmente. Está aí um filme que, visto no cinema, proporciona uma experiência visceral.

Quando o filme acabou, minha amiga e eu nos olhamos e nem dissemos nada – as lágrimas dela e a minha cara de estupefato diziam tudo. Ao nos recompormos, perguntei pra ela: “Vamos tentar assistir de novo ficando sentados aqui?” Na hora ela topou. Depois de um tempo, pessoas da próxima sessão começaram a chegar. Um funcionário do cinema veio falar com a gente e quando eu ia começar a implorar pra ele deixar a ficar ali, ele disse: “Vocês chegaram no meio do filme, né? Podem ficar aí pra ver o que vocês perderam.” Realmente, o Deus Pop estava do nosso lado e tive o prazer de assistir ao filme mais uma vez. Depois, ainda iria no cinema mais duas vezes rever o que se tornou um dos filmes da minha vida.

O FILME:

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Pode-se falar tudo de Baz Lurhmann, menos que ele não é um diretor de visão. Os detratores dizem que sua estética é cafona, pós-MTV, editada pra pessoas com déficit de atenção, exagerada, artificial. Mesmo assim, nem eles podem dizer que Lurhmann não tem uma estética própria, o que é mais do que pode se afirmar de 90% dos diretores em atividade no cinema norte-americano hoje. Em seus outros filmes, Luhrmann já mostrava sua verve operática acompanhada de uma perspectiva pop: foi assim no ótimo VEM DANÇAR COMIGO e em seu exercício kitsch sobre Shakespeare: ROMEU + JULIETA. Só que em MOULIN ROUGE a combinação perfeita entre seu estilo próprio com as tendências da arte contemporânea resultaram num espetáculo incomparável.

Nos últimos dez anos, é notória a tendência de alguns filmes hollywoodianos seguirem a cartilha do pensamento pós-moderno - MATRIX, CLUBE DA LUTA e CIDADE DOS SONHOS são talvez os melhores exemplos, além é claro de toda a filmografia de Quentin Tarantino. No entanto, pra mim MOULIN ROUGE é o filme que, de todos eles, tenha a tarefa mais difícil, porque além de usar várias técnicas do pós-modernismo, ainda tem de contar uma história de amor. E a aí está o grande desafio: como apresentar o tema mais manjado de todos - a atração de um homem e de uma mulher - usado elementos narrativos da contemporaneidade, cujo modus operandi é o do cinismo e da ironia?

É desse aparente contrasenso que Baz Luhrmann cria o tecido de todo o enredo de MOULIN ROUGE. Uma das marcas de um grande diretor é sua habilidade de, contando a história particular de seu filme, também ser capaz de remeter à própria experiência cinematográfica. Foi isso que Hitchcock fez com JANELA INDISCRETA, Cronenberg fez com MARCAS DA VIOLÊNCIA e Luhrmann faz com MOULIN ROUGE. Assistir ao filme é mais do que ser imerso no mundo particular da Paris do final do século XIX, mas é pensar no próprio cinema como forma de entretenimento. Nada por ser mais auto-reflexivo do que isso - afinal, o filme não abre e fecha com aquelas imensas cortinas vermelhas à toa.

Algo que sempre me surpreende toda a vez que assisto a MOULIN ROUGE é a sua capacidade de brincar com a narrativa de maneira complexa, de forma que sempre há a possibilidade de se encontrar algo novo. Luhrmann constrói uma peça ("Spectacular Spectacular") dentro de um livro (que está sendo narrado/escrito por Christian) dentro de um filme (o próprio MOULIN ROUGE) que pode ou não estar dentro de um grande espetáculo musical (as cortinas novamente). Ou seja, o próprio papel do espectador é colocado em cheque, já que suas funções como pagante de cinema se multiplicam. É o meta do meta do meta, em que cada um desses universos se relacionam de forma macro e micro.

De todas essas relações entre peça/filme/livro, a que mais me impressiona é aquela arquitetada  na cena do "Ensaio de Emergência", quando Satine, Christian, Ziedler, Toulouse-Lautrec e cia. apresentam a história de "Spectacular Spectacular para o Duque. Em menos de 10 minutos, essa cena consegue tudo que Michel Gondry não fez no REBOBINE, POR FAVOR inteiro. Na verdade, o que Baz Luhrmann realiza aqui é contar a história de MOULIN ROUGE completa, desde os grandes acontecimentos (o amor proibido, a morte da protagonista) até os menores detalhes (a briga entre Toulouse e o capanga do duque ao final, por exemplo). Além disso, a cena é divertidamente irônica com relação ao que os artistas têm de passar para conseguir algum capital para realizar suas produções. Os coitados têm de fazer malabarismo e carregar o patrocinador no colo - literalmente!

Outro fator que chama atenção em MOULIN ROUGE é o amontoado de referências que o filme articula para contar a sua história. Na história do cinema, talvez só PULP FICTION tenha usado de tanta bricolagem para montar não só sua narrativa, mas também seu visual. Assim, como em qualquer obra surgida na cultura pós-moderna, o prazer do espectador é diretamente proporcional ao conhecimento prévio que ele tem de diferentes artes e mídias. Contando com isso, Luhrmann pinça de "La Bohéme" e dos romances do século XIX elementos pra sua história de amor, se apropria da imagem de grandes divas da música e do cinema para construir sua própria protagonista, rouba de Bollywood o visual para criar sua 'meta-peça' etc.

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Contudo, talvez o grande (e mais genial) 'roubo' de Baz Luhrmann tenha sido o das referências musicais em MOULIN ROUGE. O que faz desse filme um dos musicais definitivos é a sua imensa habilidade de articular, sem nenhum momento de hesitação, elementos da ópera (a já citada "La Bohéme"), filmes clássicos pertencentes ao gênero (OS HOMENS PREFEREM AS LOIRAS, A NOVIÇA REBELDE) e verdadeiros hinos do pop/rock ("Show Must Go On", "Your Song", "Smells Like Teen Spirit"). Chama a atenção a preferência por três canções de David Bowie ("Heroes", "Diamond Dogs" e sua versão de "Nature Boy"), mas acredito que isso seja deliciosamente proposital: o cantor seria a representação (nos anos 70) dos ideais de liberdade, beleza, verdade e amor da boemia parisiense do final do século XIX. As performances das cenas musicais são extremamente criativas e bem elaboradas, do pastiche cômico de "Like a Virgin" ao trágico grandiloquente do inesquecível "El Tango de Roxanne". Muito se fala da edição acelerada que não dá tempo de se digerir nada, mas acredito que isso dá ao filme um sentido de urgência que condiz com a estética almejada por Luhrmann. MOULIN ROUGE é menos uma experiência contemplativa do que sensorial.

Adoro todas as interpretações: Richard Roxburgh e sua meticulosa neurose para o Duque, John Leguizamo conseguindo (assim como o próprio filme) passar do drama para a comédia em segundos (só é pena que apareça tão pouco), Jim Broadbent e sua divina caricatura circense. Nicole Kidman realmente tem o papel de sua vida aqui: a câmera, a luz, os figurinos, tudo é cuidadosamente construído para realçar sua condição de diva. Ela é Marilyn, Garbo, Marlene, Madonna - e desse bric-a-brac das figuras femininas mais famosas do século XX, ela espertamente constrói sua interpretação, uma das mais subestimadas (e sensuais)  do cinema recente. Ewan McGregor, que facilmente poderia ser engolido por Kidman e pelo visual do filme, consegue aquela mistura de carisma, sex appeal e inocência  das grandes estrelas - e que voz!

MOULIN ROUGE tem fãs ardorosos e inimigos mortais, e acho curioso como os dois grupos o amam e o odeiam geralmente pelos mesmos motivos. O filme de Baz Luhrmann pega o gênero musical e o eleva à décima potência. É interessante que, comparado com CHICAGO (outra produção musical contemporânea), MOULIN ROUGE tem um estilo bem diferente. Enquanto o filme de Rob Marshall tem um tom geralmente realista para apresentar as sequências de música e dança só nas cenas de sonho, MOULIN ROUGE é todo uma grande sequência de sonho, com seus argentinos narcolépticos, sets em forma de elefante e lua de Meliés que canta ópera. E, sinceramente, é um sonho que sempre me deixa feliz.

Thursday, July 23, 2009

É pouco mundo pra tanto fim

A vibe fim do mundo continua com força total. Depois de EU SOU A LENDA recentemente, esse ano vamos ter 2012 e THE ROAD. E já em Janeiro de 2010, já temos compromisso marcado com mais um apocalipse: trata-se de THE BOOK OF ELI, filme dos irmãos Hughes (de DO INFERNO, que eu adoro) que andavam meio sumidos.

O filme é estrelado por Denzel Washington no papel de um herói num mundo pós-apocalíptico que tem em suas mãos a possível salvação da humanidade: o tal livro do título. Mas é claro que salvar o mundo não é tão fácil assim, ainda mais quando se tem Gary Oldman como vilão. Apesar de lembrar O MENSAGEIRO (aquela bomba horrorosa do Kevin Costner), gostei muito do trailer. Dêem uma olhada:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=ItSwuOG4Wgc&hl=pt-br&fs=1&]

Denzel é simplesmente 'o cara', e pelo visto vai botar pra quebrar nas cenas de ação. E Gary Oldman dispensa qualquer apresentação. Estou com fé no filme.

Links do Trenó

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- Blog na TV mostra o que acontece quando os seriados encontram pinturas clássicas.

- Cenas de Cinema traz um top ten muito interessante, cortesia de um crítico mirim.

- Hit na Rede fala sobre bons e maus momentos de cantores gringos cantando em português.

- Inácio Araújo comenta o ótimo A VIAGEM DO BALÃO VERMELHO (sobre o qual já falei aqui).

- Gravataí Merengue fala sobre Karen Junqueira, a Bruna Surfistinha do cinema.

- Boy Culture tem os teasers da coletânea Celebration, de Madonna.

- Chico Barney em novo endereço.

Wednesday, July 22, 2009

A Ilha do Dr. Scorsese

Em um dia cheio de novidades em Hollywood, que tal terminarmos com o pôster de SHUTTER ISLAND do Scorsese?

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Adorei, mas a vibe é CABO DO MEDO total. Como já falei aqui na minha análise do livro, há uma atmosfera de filme B no romance de Dennis Lehane, mas o enredo não poderia ser mais diferente daquele que nos apresentou Max Cady.

E sou só eu, ou vocês também ficaram incomodados com o nome apenas do Leonardo DiCaprio no pôster? Tudo bem querer vender SHUTTER ISLAND como um filme de suspense que quer arrasar nas bilheterias - mas isso aqui não é A PRAIA. Tem um elencasso! Vamos ver se outros pôsteres surgirão.

Tim Burton aprontando das suas

Outro trailer maravilhoso divulgado hoje - a mais do que aguardada versão de ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS de Tim Burton. Tem a patota toda: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Danny Elfman e o visual acachapante. Precisa de mais?

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=DFz6q-aSzuY&hl=pt-br&fs=1&]

La belle dame

O aguardadíssimo BRIGHT STAR de Jane Campion, que já tem um dos mais simples e belos pôsteres do ano, agora também tem um trailer. Parece ser mais uma daquelas histórias de amor impossível, mas os atores parecem estar ótimos. Além do mais, é Keats!

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=gJOg7w1K1B8&color1=0xb1b1b1&color2=0xcfcfcf&hl=en&feature=player_embedded&fs=1]

Tuesday, July 21, 2009

The Wire + The Great Gatsby

A série The Wire é simplesmente viciante - e não é fácil discordar de todos aqueles que dizem ser a melhor coisa da história da TV. Estou terminando de assistir à 2a temporada e talvez diga por aqui depois o que achei.

Até agora, uma das melhores cenas foi quando o bandidão arrependido D'Angelo Barksdale dá sua opinião, num 'clube do livro' na prisão, sua opinião sobre The Great Gatsby. Melhor que muita análise literária que li por aí.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=1M2AUYYKfxk&hl=pt-br&fs=1&]

Fotógrafos: Steven Klein

O nome mais quente em fotografia de moda recentemente é Steven Klein. Suas fotos geralmente tem um quê de perversão chic, cujo lado artístico geralmente tende ao inusitado e até mesmo ao bizarro. Há algo também muito irônico em seus cliques, em que até as fotos mais simples parecem esconder um conteúdo sexual subliminar. Fotos abaixo NSFW.

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Sunday, July 19, 2009

Top 10 - Os filmes da minha vida

Esta lista representa mais do que os meus filmes preferidos - são os filmes da minha vida, aqueles que mudaram a minha própria atitude com relação ao cinema. Estou revendo todos eles, para logo depois colocar minhas impressões aqui.


10 - DE VOLTA PARA O FUTURO 2

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A Experiência:

Posso dizer que o primeiro DE VOLTA PARA O FUTURO foi o primeiro filme 'não-infantil' que eu vi. Assisti em VHS por causa de uma prima mais velha, que era fã. Eu, que estava acostumado a filmes da Disney e dos Trapalhões, fiquei maravilhado com tudo. Portanto, em Janeiro de 1990, quando pude assistir à parte 2 no cinema, a expectativa era gigante. Ainda assim, fiquei em dúvida: na porta do antigo cinema do Barra Shopping, fiquei indeciso entre DE VOLTA PARA O FUTURO 2 e OS TRAPALHÕES NA TERRA DOS MONSTROS (aquele em que moram umas criaturas na Pedra da Gávea!). Pra minha felicidade (e da minha prima também), escolhi a primeira opção. A minha paixão por ficção científica, em especial viagens no tempo, começou de verdade com DE VOLTAR PARA O FUTURO 2. E ao final, que delícia foi ver o trailer já do terceiro filme (já que as partes 2 e 3 foram filmadas ao mesmo tempo).

O Filme:

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Me assusta como DE VOLTA PARA O FUTURO 2 é um filme extremamente complexo, mas Robert Zemeckis e o roteirista Bob Gale fazem tudo parecer muito simples. É talvez a mais intrincada produção sobre viagem no tempo do cinema - mistura passado, futuro, presente, presente alternativo e passado alternativo. É uma estrutura em cinco dimensões onde cada linha do tempo se interpõe a outra, fazendo com que os personagens várias vezes tenham que se deparar consigo mesmos mais jovens ou mais velhos.

O primeiro DE VOLTA PARA O FUTURO, por mais perfeito que seja como cinema de aventura, usa a questão da viagem do tempo como apenas uma desculpa para ilustrar a sociedade norte-americana dos ano 50, ano em que a cultura dos EUA se consolida como dominante e a identidade pop do país se define. Os anos 50 são o próprio símbolo da nostalgia norte-americana, e o primeiro filme brinca com isso, descontruindo alguns estereótipos sobre o período.

Já nessa segunda aventura, a questão da viagem do tempo está no centro da história, fazendo com que o roteiro (e os atores) tenha um talento especial em desenvolver a narrativa e ao mesmo tempo explicar para o espectador a ordem dos eventos à medida em que eles ocorrem. Para isso existe, por exemplo, a famosa cena da explicação de Doc Brown em seu laboratório no 1985 alternativo. Nesse momento, o roteiro explica (como se fosse uma aula, com quadro negro e tudo) como funciona a viagem no tempo e o próprio conceito de história alternativa. Essa cena sozinha serviu de ponto de partida para inúmeros filmes de viagem no tempo que depois seriam feitos em Hollywood.

Uma outra coisa que me surpreende é a qualidade e o carisma de todo o elenco da série, em especial nesse filme. De Michael J. Fox (fazendo vários papéis) e Christopher Lloyd (brincando com o clichê do cientista louco), até os excelentes Thomas F. Wilson e Lea Thompson, o elenco dá vida aos personagens (e suas diferentes encarnações temporais) de forma insuspeita para um filme de aventura juvenil.

É difícil escolher qual a melhor parte do filme, já que cada uma delas é perfeitamente construída como se fosse uma história em si, por mais que faça parte do todo. Atualmente, é divertido ver o futuro de 2015 pensado por Zemeckis e cia, mas acredito que o próprio diretor tenha pensado muito bem em como a futurologia no cinema se torna datada no mesmo momento em que é inventada. Daí a divertida piada do "Café 80s", com seus Michael Jacksons e Reagans robóticos. Ou seja, a melhor piada são os anos 80 - quando o filme foi feito. Aliás, existe filme com melhor uso de 'product placement'? Do tênis Nike à Pepsi, a questão do consumo parece ser central a esse 2015 - previsão pra lá de certeira.

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Há na história DE VOLTA PARA O FUTURO 2 uma questão muito importante abordada de forma sutil: toda os problemas do filme surgem graças à ambição desmedida de Marty e sua necessidade de sucesso. Mais do que sucesso - dinheiro. Ao chegar em 2015, não é à toa que ele pergunta (duas vezes) para Doc Brown se o seu 'eu' do futuro ficou rico. E de todas as coisas legais que ele poderia levar como "souvenir do futuro" (um dos vários e divertidos anacronismos da série, incluindo seu título), ele decide pelo almanaque esportivo que o ajudaria a ficar milionário. De forma desonesta, certamente, mas isso não o impede. É interessante porque Biff (o vilão) pensa da mesma forma que Marty (o herói). A diferença é que Biff é bem-sucedido, e Marty não. Quem garante que o 1985 com um Marty milionário seria melhor que o de Biff? Nunca saberemos. De qualquer forma, o presente com o Biff dono da cidade, em divertida caricatura de Donald Trump, talvez seja o ponto alto do filme. Nessa parte, Zemeckis brinca de A FELICIDADE NÃO SE COMPRA, e Marty vê o que teria acontecido se seu pai tivesse morrido e Hill Valley se tornasse uma cidade dominada pela corrupção.

Quando o filme retorna para 1955, é um golpe de mestre mostrar as mesmas cenas do primeiro filme com um diferente ponto de vista, onde o passado se torna alternativo para Doc Brown, Marty e nós espectadores. E uma cena que me arrepia até hoje é quando, logo depois que o Doc Brown de 1955 consegue enviar o DeLorean para 1985, Marty aparece correndo ao fundo e sobe a maravilhosa trilha de Alan Silvestri.

DE VOLTA PARA O FUTURO 2 é o tipo de filme que se pego passando na tv, sempre paro pra ver. Fico surpreso como, mesmo depois de assistir várias vezes, ainda consigo encontrar coisas novas e me emocionar, mesmo sabendo praticamente todas as falas e cenas. É um dos filmes da minha vida.

Thursday, July 16, 2009

Top 10 - Melhores comédias românticas

O gênero comédia romântica está entre os mais formulaicos da história do cinema - geralmente antes de ver o filme a gente já sabe o final. Mas existem algumas comédias românticas que mesmo entre os clichês do estilo (que, convenhamos, são a graça de ver esse tipo de filme) conseguem inovar e seduzir. Essa lista é dos meus filmes preferidos desse gênero que sofre muito preconceito, mas que tem filmes bem interessantes. Preferi produções mais recentes (portanto nada de Doris Day/Rock Hudson) e que fossem estritamente comédias românticas, sem partir pra outro gênero (como FEITIÇO DO TEMPO ou ANNIE HALL). Aqui vai meu top 10:

10- UM GRANDE GAROTO

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Hugh Grant é o inquestionável rei das comédias românticas modernas, mas gosto como nesse filme ele não parece fazer o mesmo personagem de sempre. Misantropo da geração iPod, ele acaba sendo forçado a conviver com um garotinho e ajudá-lo de várias formas, especialmente na relação com sua mãe depressiva (Toni Collette, ótima). Apesar de seu interesse em Rachel Weisz, o relacionamento central da história é entre o personagem de Grant e o menino. É a típica história do ranzinza que tem seu coração amolecido, mas com uma roupagem contemporânea e criativa.

9- MELHOR É IMPOSSÍVEL

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Apesar de eu achar NOS BASTIDORES DA NOTÍCIA o melhor filme de James L. Brooks, esse aqui é o que tem mais claramente a cara de 'comédia romântica'. Novamente um protagonista de coração duro, o inesquecível Melvin Udall de Jack Nicholson. Mais do que isso, suas neuras e grosserias são impagáveis, e detestar o personagem é impossível. A apagadinha Helen Hunt vive seu interesse romântico, e juntamente com o vizinho gay (Greg Kinnear excelente) faz com que Udall acabe revelando um pouco de sentimentos por trás da couraça. O clima 'bittersweet' característico do cinema de James L. Brooks se faz presente, assim como a elegância de sua direção.

8- AFINADO NO AMOR

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Adam Sandler, assim como Jim Carrey, alterna sua carreira entre bombas horrorosas (LITTLE NICKY) e  filmes excelentes (EMBRIAGADO DE AMOR, que não está na lista por ser mais do que 'comédia romântica' pra mim). Na segunda categoria, AFINADO NO AMOR é ótimo representante. Atuando com Drew Barrymore (com quem também fez o fofo COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ), Sandler faz um cantor de casamento que se apaixona pela garçonete Drew. Mas o mais divertido mesmo do filme é o fato dele se passar nos anos 80 e as divertidas piadas que surgem da situação. O tecladista da banda de Sandler vestido de Boy George é hilário, assim como a ponta essencial de Billy Idol (com a mesma cara de 20 anos atrás!). Steve Buscemi rouba todas as cenas, e o início com Sandler cantando 'You Spin Me Round' é perfeito.

7- QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL

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Eu não gostava muito desse filme e nem entendia sua indicação ao Oscar. Mas depois que revi algumas vezes, ele subiu muito no meu conceito. A idéia de construir a história através das cinco cerimônias do título dá uma agilidade ao roteiro e ajuda muito no desenvolvimento dos personagens. Hugh Grant ascende ao estrelato e o poema de W.H. Auden entra para a cultura pop.

6- A GAROTA DO ADEUS

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Um dos filmes mais engraçados que eu já vi. Richard Dreyfuss e Marsha Mason em interpretações inesquecíveis, dando aula de sarcasmo. Mas com os diálogos de Neil Simon, não tinha mesmo como dar errado. É a típica história do homem e da mulher que se odeiam o filme todo, mas só pra disfarçar o amor que um tem pelo outro. Adoraria ver uma refilmagem com um casal moderno, tipo Ryan Gosling e Rachel McAdams.

Wednesday, July 15, 2009

Lady Gaga é um Muppet

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Se a Bjork surgisse com aquele vestido de cisne hoje, ela seria considerada a mulher mais estilosa do mundo pelo visto.

Notícias do Trenó

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- Channing Tatum fazendo pose para  GQ.

- Natalie Portman estará no THOR de Kenneth Branagh.

- Hugh Jackman vira vendedor da Avon.

- Novidades sobre Celebrate, o novo single de Madonna.

- Depois de Pride and Prejudice com zumbis, agora é a vez de Sense and Sensibility com monstros marinhos!

- Tarantino diz que entende mais de cinema do que qualquer crítico.

- Prévias dos pôsteres da versão americana de DEIXE ELA ENTRAR.

- Lista de todos os filmes a serem lançados em 3D nos próximos anos.

- Steven Soderbergh diz se arrepender de ter dirigido CHE.

Watchmen - A Versão do Diretor

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Versão cinematográfica  da  mais ambiciosa HQ de todos os tempos, WATCHMEN finalmente chegou às telas pelas mãos de Zack Snyder (de 300) depois de um projeto de longa gestação em Hollywoood, que já tinha passado pelas mãos de Terry Gilliam, Darren Aronofsky e Paul Greengrass. O filme foi um relativo fracasso de público e crítica, especialmente considerando o desejo dos produtores de pegar a esteira de sucesso de O CAVALEIRO DAS TREVAS, com sua visão de 'filme de super-heróis' mais realista e violenta.

Mas é difícil compor a natureza quase operática de WATCHMEN para cinema. Por mais grandiosa e multi-facetada que tenha sido a visão de Christopher Nolan em O CAVALEIRO DAS TREVAS, ainda assim era a história de três personagens: Bruce Wayne, Harvey Dent e Coringa. Já em WATCHMEN temos uma séries de personagens (muitas vezes de duas gerações de super-heróis), misturados a eventos políticos e militares mergulhados numa história alternativa de um período especialmente datado (a Guerra Fria). É uma tarefa hercúlea que  Zack Snyder corajosamente se propôs a realizar. Tinha muito medo do filme se tornar uma outra tragédia como 300, com seu 'cinema de wallpaper do Windows' e seu conservadorismo estúpido. Felizmente, WATCHMEN não chega aos níveis de ruindade daqueles espartanos com sua barriga tanquinho. Porém, mesmo tendo alguns bons momentos, passa longe de ser um grande filme.

Primeiramente, há o aspecto de transposição da narrativa em HQ para a narrativa cinematográfica. Em termos visuais, Snyder é extremamente fiel à história de Alan Moore/Dave Gibbons - a HQ parece ter servido de storyboard para todas as cenas. O curioso é que mesmo assim o diretor não apelou para os milhões de telas azuis como em seu filme anterior. Em segundo lugar, alguns personagens tiveram um perfeita passagem para a tela grande, sendo o destaque óbvio Dr. Manhattan - com voz e rosto de Billy Crudup, ele é mais uma prova de até onde a mescla entre interpretação e o CGI podem chegar. A produção não esconde a sua grandiosidade, com sets e efeitos especiais complicados. Praticamente nada é cortado (exceto o "Contos do Cargueiro Negro", que virou um outro filme) e as implicações políticas, metafísicas e pós-modernas são mantidas. Contudo, essa fidelidade exagerada acaba prejudicando alguns momentos-chave de WATCHMEN. Duas chamam especial atenção: o flashback contando o passado do Dr. Manhattan e a conclusão da história.

Quando a HQ de WATCHMEN foi lançada serialmente, houve uma edição especialmente dedicada a contar a história da infância de Jon Osterman e do acidente que levou o então renomado físico a se tornar o Dr. Manhattan. Isso tudo ocorria num flashback com Manhattan em Marte, misturando passado e presente num imenso contínuo que retratava como o personagem percebe o tempo. Talvez seja  a melhor HQ de todos os tempos -  instigante, um tanto perturbadora e profundamente triste. É difícil tratar essa passagem no filme, mas Snyder tenta novamente sendo totalmente fiel à HQ. O resultado é um flashback um tanto confuso e ao mesmo tempo trivial, que acaba por não explicar a importância da passagem do personagem por Marte.

Porém, o momento realmente ruim do filme é o seu final. Não vou dar nenhum spoiler, mas muito se foi falado que o diretor mudou um elemento chave da conclusão da história. Realmente, mudou para melhor - no filme teria ficado ridículo. Mas nem isso deixa o final com menos cara de vergonha alheia.  Tudo parece se resumir a uma história de Scooby-Doo, e vamos combinar que o figurino de Matthew Goode como Ozymandias não ajuda muito. Para uma história tão complexa quanto WATCHMEN, terminar como uma histórial policial da pior espécie é uma imensa decepção, e no momento mais importante do filme Zack Snyder não consegue dar o peso dramático devido.

As atuações em geral são boas, em especial Jackie Earle Haley como Rorschach (tirando essa voz rouca à la Christian Bale como Batman, que já está irritando), Patrick Wilson como o Night Owl II e Carla Gugino como a primeira Silk Spectre. Zack Snyder não fez concessões com relação à brutalidade da HQ, fazendo desse o filme mais sangrento desde SIN CITY. No entanto, a violência em meio aquelas roupas de super-heróis acaba sendo um grande pastiche, e nunca parece real o suficiente para o espectador.

Em resumo, WATCHMEN não é a tragédia que poderia ter sido, mas nem de perto é a obra-prima que os fãs da HQ esperavam.

Wednesday, July 8, 2009

Famoso no clipe: Jack Black fazendo palhaçada em "Sexx Laws", de Beck

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Adoram meter o malho no "Midnite Vultures" do Beck, mas pra mim é um dos discos mais divertidos dele. A começar pelo single de lançamento, a suingada "Sexx Laws". O clipe, dirigido pelo cantor, é um exercício de nonsense - tem uma geladeira transando com um fogão, precisa dizer mais? No meio dessa loucura toda, aparece Jack Black antes do mega-estrelato. Até hoje não entendi o personagem dele no clipe - se é que é pra entender - mas não tem como negar que o ator deixa tudo mais insano.

Tuesday, July 7, 2009

Um segundo ato para Michael Jackson

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Para um artista que está sob os holofotes desde a sua infância, parece sintomático que o funeral de Michael Jackson não poderia deixar de ser também uma espécie de show. Um show triste, certamente, não só porque a sua imensa ausência no cenário pop será para sempre sentida, mas também porque num evento criado para, entre outras coisas, celebrar a sua música e dança, não se viu um décimo do talento do rei do pop.

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Michael Jackson está ligado a minha vida mesmo que eu não queira. Uma das minhas primeira lembranças (se não for a primeira) foi quando assisti muito criança à estréia do clipe de Thriller (clipe favorito #2) no Fantástico. Foi com ele que entendi o que era um videoclipe, o conceito de música e imagem que poderia contar uma história. Mal sabia eu que estava tendo o luxo de ser apresentando ao mundo dos clipes através de um de seus representantes mais revolucionários. Obviamente, o aspecto mais marcante foi todo o conjunto de referências de filmes de terror. Eu, medroso desde sempre, fechei o olho logo no início do clipe quando o cantor vira lobisomem, voltei a ver quando ele caminha com a moça e fechei de novo quando os mortos-vivos saem das tumbas e esgotos. No momento mais famoso do vídeo (a dança dos zumbis), alternava entre olhadelas rápidas para a TV e enterrar a cara no colo da minha mãe, que empolgadíssima dizia “olha, olha”. Morria de medo, mas de vez em quando via um passo de dança legal. O clipe de Thriller é realmente o supra-sumo da idéia básica do terror: ele repele ao mesmo tempo que atrai, e sua mágica até hoje permanece inalterada.



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Depois veio Bad (clipe favorito #20) e era impossível não acompanhar a Jackson-mania, com todo mundo querendo dançar que nem ele, dar gritinhos que nem ele, se vestir que nem ele, pegar no saco que nem ele. No Show de Calouros do Silvio Santos aos domingos, no Xou da Xuxa de manhã, nos programas de humor – todos imitavam, dublavam e dançavam de acordo com Michael Jackson. Crianças nasciam com o nome de ‘Maicon’. E quem não queria ‘do the Bartman like Michael Jackson’?

Depois de Thriller, vi todas as estréias de seus inesquecíveis videoclipes no Fantástico (que era a MTV do povão). Na fase ‘Dangerous’, nada foi melhor do que ver a estréia de Black or White (que passou com sua explosiva seqüência final, e foi exibido duas vezes no programa), com seu revolucionário ‘morphin’ de rostos – que depois ficou comum, mas cujo efeito no clipe permanece insuperável. Vieram Jam, In The Closet, o maravilhosamente kitsch Remember the Time.  Seu ultimo grande clipe, Scream também foi um evento: um dos mais caros da história, dueto com a irmã Janet e o lançamento do álbum duplo ‘HIStory’ – com um disco de inéditas e outro de grandes sucessos (o lançamento de inúmeras coletâneas seria infelizmente uma constante na parte final da carreira de Michael Jackson).

Os clipes de Michael Jackson são muito importantes não só para mim, mas para toda uma geração – eles são a invenção da indústria pop como a conhecemos, onde a imagem dita a importância do artista e multiplica sua força. Jackson trabalhou com os melhores (David Fincher, Mark Romanek, Steve Barron, Herb Ritts) e foi responsável pela invenção do videoclipe como curta-metragem. Sua decisão de trabalhar com grandes diretores de cinema (John Landis, John Singleton e, obviamente, Martin Scorsese) elevou o estilo a uma nova forma de arte. Para a MTV e a Pepsi, ele foi um veículo para dominação do gosto juvenil da época. Para os negros, ele foi a representação de sua cultura para a massa branca dos subúrbios norte-americanos.

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O poder da imagem de Michael Jackson era tamanho que acabou por consumir o próprio artista. Nenhuma mudança de aparência na história foi mais estudada, analisada, debochada e criticada. De certa forma, com razão. Mas me impressiona como a idéia de um rapaz negro de cabelo encaracolado para uma quase-mulher branca (caucasiana) de cabelos lisos saiu das páginas de fofoca para os meios acadêmicos, onde se estuda o caso de Michael Jackson como o símbolo máximo do chamado homem ‘pós-humano’ – aquele que manipula o corpo de forma completa através de cirurgias e implantes. À medida que o tempo passava, o cantor se tornava uma imensa caricatura visual que transcendia os limites de gênero, raça, sexualidade e idade: não era homem nem mulher, branco nem negro, gay nem heterossexual, jovem nem velho.

A peculiaridade de Jackson acompanhava sua genialidade como artista – e ambas não poderiam caber em qualquer lugar. Como um Charles Foster Kane pop, ele criou sua própria Xanadu, com o nome do mundo imaginário da história de Peter Pan: ‘Neverland’, a Terra do Nunca. Como o personagem de J.M. Barrie, lá ele exercia o direito de ser a criança que parecia nunca ter deixado de ser, e aí parece estar grande parte do seu fascínio. Talvez por possuir um comportamento aparentemente infantil (sua voz de criança parecia ser elevada à milésima potência quando saída daquele corpo magro com pele alva), a revelação de sua atração sexual por crianças foi ainda mais chocante. Sua inocência não combinava com a de um predador sexual. Seria a infantilidade do cantor um reflexo da constante proximidade de crianças ao seu redor? E quão perigosa era essa proximidade?

É interessante pensar nisso porque nem sendo acusado do crime mais hediondo para a sociedade contemporânea, Michael Jackson perdeu seu fascínio. Hoje, no dia que foi realizado o seu funeral, a estrela do cantor brilhou mais do que nunca. À exceção da série de shows que marcaria seu retorno aos palcos esse ano, o cantor ficou durante muito tempo desaparecido da mídia. Seu último bom disco, o subestimado ‘Dangerous’, foi lançado há 15 anos atrás. Nesse mundo de informações rápidas em que ídolos vão e vem, por que mesmo depois de tão massacrado pela mídia a morte de Michael Jackson causa essa comoção tremenda?

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Acredito que é porque o cantor ultrapassa os limites de ‘ser importante para a música’ – ele na verdade ‘é’ a música. Seu legado é gigantesco – nas canções, na dança, no vestuário. Ele é mais do que uma influência – é uma espécie de arquétipo de grande artista. Ele se encontra entre os grandes da história do pop/rock porque em seu nome está mais do que um artista – está um conceito. Assim como outros da seleta lista de artistas que mudaram o mundo e são reconhecidos com um simples nome – Elvis, Beatles, Madonna, Bowie – a própria menção de ‘Michael’ já desperta todo um arsenal de símbolos que são parte de uma geração inteira: moonwalking, Billie Jean is not my lover, zumbis dançando, black or white, luvas brancas,  who’s bad.

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A famosa frase de F. Scott Fitzgerald – “não há segundo ato na vida americana” – já foi contrariada por Elvis, quando o cantor retornou aos palcos em Las Vegas e retornou ao sucesso, se tornado mito. Michael Jackson estava prestes a ter o seu segundo ato na série de shows em Londres, mas as cortinas se fecharam rápido demais. Mesmo assim, ainda conseguimos ouvi-lo através delas, com sua voz inconfundível e seus passos acrobáticos. Michael Jackson, na verdade, nem precisava de um segundo ato. A narrativa de sua vida é eterna.

Monday, July 6, 2009

Porrada no Harry Potter!

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Calma! Além do Voldemort e do Draco Malfoy, ninguém que maltratar o bruxo adolescente. Daniel Radcliffe de olho roxo e nariz sangrando é cortesia da Esquire de agosto.

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Mas o ator também aparece arrumadinho, no melhor estilo "fiquei 5 horas com meu personal stylist para parecer casual".

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Sunday, July 5, 2009

DANACARADELA V.16

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NOVELA: Páginas da Vida

PARTICIPANTES: Nanda (Fernanda Vasconcelos) e Marta (Lília Cabral)

RAZÃO DA BRIGA: Nanda aparece grávida e sua mãe tem um ataque histérico

PORQUE É TUDO DE BOM: Parece que baixa um entidade em Lília Cabral, porque a reação dela de se bater toda parece coisa de terreiro de macumba. Saravá!

MELHOR PARTE: O "Método Malhação de Atuação" de Fernanda Vasconcelos coloca qualquer Stanilawski no chinelo!

Links do Trenó

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- Freak Show Business lista os 10 beijos mais famosos da cultura pop e não-pop.

- Anotações de Um Cinéfilo comenta THE HURT LOCKER, o novo filme de Kathryn Bigelow.

- Film Experience faz uma análise interessante da decisão de ter 10 filmes indicados ao Oscar ano que vem.

- Especialista em Tudo presta uma homenagem a Michael Jackson.

- Ricardo Calil fala sobre a lista dos 50 melhores trailers da história.

- Lex Grego comenta sobre a nova série da HBO, 'Hung'.

Post Madonnico

Ontem foi a reestréia da Sticky & Sweet Tour de Madonna em Londres e as novidades foram ótimas. Primeiramente, Heartbeat foi muito bem substituída por Holiday numa versão eletro. E no meio da apresentação, a aguardadíssima homenagem a Michael Jackson que ficou bem legal (está em qualidade ótima no site oficial).

Outra mudança ótima foi a troca da sofrível versão rock de Hung up por Frozen misturada com Open Your Heart com batidas eletrônicas. Ficou dez!







A versão rock de Borderline (que adorei, embora  Madonna cantando ao vivo essa música  não seja lá essas coisas) também foi trocada: em seu lugar, entrou a animadíssima Dress You up, com muitas guitarras.







A única coisa que ficou faltando foi a aparição da tal Celebrate, que aparentemente será o novo single da cantora presente em sua coletânea 'Iconography' que ao que tudo indica ser lançada em setembro.

Já que estou falando de Madonna, outras coisas relacionadas à diva que encontrei pela internet essa semana. Primeiramente, descobri essa foto vintage que nunca tinha visto. Belíssima, e que olhos são esses?

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Depois, juntamente com o Boy Culture, vi pela primeira vez essas fotos de divulgação de DICK TRACY. Adoro esse filme, e as fotos são um arraso. Aliás, acho que Madonna está muito bem nesse filme. Acredito que ela atua bem, mas só quando faz o papel dela mesma (nessa caso - femme fatale devoradora de homens). O papel foi tão real que até mesmo o Warren Beatty ela tava pegando na época.

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E a V Magazine desse mês também traz Cameron Diaz em fotos inspirados no período 'Blonde Ambition' e 'True Blue', com direito a sutiã de cone e tudo.

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Saturday, July 4, 2009

Rapidinhas

apenas-o-fim-poster02- APENAS O FIM: ANTES DO AMANHECER, Domingos de Oliveira, cultura nerd, Claude Lelouch e criatividade para orçamento baixíssimo. Dessa mistura saiu a primeira obra de Matheus Souza. Parece um filme de patota - e é, todo filmado na Puc-Rio com a ajuda dos amigos do diretor de 22 anos. Gregório Duvivier e Erika Mader são o casal que discutem o fim de sua relação entre jardins da Gávea, referências pop e amigos bizarros que aparecem pelo caminho. É um filme simpático que conquista nos primeiros diálogos. E quando as citações a The West Wing, Orkut e TRANSFORMERS começam a cansar, a história sabe a hora de terminar. O típico filme 'fofo'.

LastChanceHarveyPoster- TINHA QUE SER VOCÊ: Falando em filmes 'fofos', esse aqui traz dois grandes nomes do cinema (Dustin Hoffman e Emma Thompson) numa história romântica 'madura'. Emma Thompson é sempre divina, mas em papéis amargurados ela se supera (nunca me esquecerei dela ouvindo Joni Mitchell no quarto em SIMPLESMENTE AMOR). Dustin Hoffman com sua cara de 'cachorro que perdeu o dono' conquista na primeira cena, e é impressionante como consegue dar nuances ao personagem com um olhar ou gesto. O filme tem um fiapo de história, mas com o charme dos protagonistas e do passeio por Londres, quem consegue resistir?

120x160 I've loved you so long- HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO: Filmaço com Kristin Scott Thomas (que nem sabia que falava francês), de quem gosto desde QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL. A atriz vive uma mulher que sai da cadeia depois de 15 anos, culpada por um crime terrível. Tristíssimo, o filme é rico em simbolismo (principalmente relacionado à água) e fundado na culpa que emerge de personagens consumidos pela dor. Mesmo que o final seja um pouco previsível e acabe apresentando uma solução um tanto simplista, nada prepara o espectador para a comunhão perfeita dos diálogos juntamente com as interpretações fortíssimas de Scott Thomas e Elsa Zylberstein (que vive a irmã da protagonista). De fazer Freud tremer.

state-of-play-poster- INTRIGAS DE ESTADO: Interessante 'filme de conspiração' que interessa menos pela trama política e mais pelo subtexto sobre a questão do fim do jornalismo tradicional. Russel Crowe interpreta um jornalista à moda antiga que se alia a uma jovem profissional do jornal onde trabalha (leia-se: blogueira) vivida pela ótima Rachel McAdams para investigar uma trama envolvendo a Guerra do Iraque, tramóias de Washington e amantes calientes. Além do elencasso principal (que ainda inclui Helen Mirren deliciosamente bitch e Ben Affleck menos canastrão que de costume), chama a atenção a presença de coadjuvantes de luxo como Jeff Daniels (que hoje é um ator e tanto - quem se lembra de ARACNOFOBIA?) e Robin Wright Penn (vivendo pela milionésima vez o papel de mulher-traída-amarga). Mesmo perdendo força da metade pro final, vale pela discussão sobre o papel do jornalismo no mundo de hoje.

Departures (Page 1)- A PARTIDA: O vencedor do Oscar de filme estrangeiro mostra uma visão peculiar sobre a morte no Japão. Me impressionou o fato de os familiares assistirem ao corpo ser maquiado e tratado. Essa prática funeral é um tanto chocante, mas conduzida com extrema sensibilidade (e até mesmo humor) pelo filme. Mesmo que as soluções narrativas sejam um tanto formulaicas e final já se saiba há milhas de distância, surpreende pela sutileza e coesão com que trata um tema tão denso.