Sunday, September 20, 2009

Top 10 - Os filmes da minha vida

Esta lista representa mais do que os meus filmes preferidos – são os filmes da minha vida, aqueles que mudaram a minha própria atitude com relação ao cinema. Estou revendo todos eles, para logo depois colocar minhas impressões aqui.

5- BLADE RUNNER

blade_runner poster

A EXPERIÊNCIA:

De todos os filmes da minha vida, BLADE RUNNER sem dúvida é o que mais vi e o que mais tem relação prática com decisões que tomei, especialmente no campo profissional. Isso se deu porque através dele entrei em contato com a literatura de Philip K. Dick e o livro que deu origem ao filme, "Do Androids Dream of Electric Sheep?". A partir daí, trabalhei como o filme+livro+autor (e outros livros de Dick) na minha especialização, no mestrado e no doutorado.

Provavelmente o filme que mais vi na minha vida, é curioso eu não lembrar exatamente da primeira vez que assisti a BLADE RUNNER. Vi em VHS, depois em dvd, depois no cinema duas vezes em relançamentos (uma experiência única), e até em sessões de debate  na universidade - mas quando tive um contato inicial com ele realmente me escapa. Eu me lembro que quando era pequeno ele costumava passar sempre no "Domingo Maior", aquela sessão de filmes da Globo de domingo à noite. Como no comercial só passavam as cenas da Daryl Hannah de cara pintada dando uma chave de perna no Harrison Ford, ficava com medo de ver (e tinha que acordar cedo pra ir pra escola). E também construí uma idéia errada sobre ele, achando que era uma produção com muita ação.

Hoje quando me pego fazendo uma apresentação ou palestra sobre BLADE RUNNER, fico às vezes surpreso de ver como aquele filme do qual eu tinha medo hoje se tornou o mais presente em minha vida.

O FILME:

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Já falei e escrevi tanto sobre esse filme/essa história que fico até sem ter o que dizer. Quem quiser saber do filme numa perspectiva pós-moderna e historicista, que ache minha tese pela internet. Aqui eu queria falar apenas sobre o prazer estético que é assistir a BLADE RUNNER. Antes de mais nada, me surpreende que um filme tão denso seja capaz de entreter tanto. Diferentemente de 2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (só pra ficar no terreno de clássicos da ficção científica), BLADE RUNNER não requer uma atitude contemplativa e intelectual do telespectador. Pelo contrário: é uma história com vários acontecimentos, crimes, amor, tiros, lutas, efeitos especiais e tudo mais que o cinema de entretenimento pode proporcionar. Mas fugindo do lugar-comum, consegue ainda assim discutir temas atemporais: a vida, a morte, as memórias, o corpo.

Tão famosas quanto BLADE RUNNER são as histórias por trás dele: das inúmeras versões, do perfeccionismo de Ridley Scott, do mau-humor de Harrison Ford, da impaciência dos produtores, do inicial fracasso comercial, seu posterior status cult e atual condição de clássico. Ainda tendo conhecimento de todas essas informações, aos primeiros acordes de Vangelis e o olho refletindo as chamas, tudo se desfaz.

Mesmo sendo um filme de 1982 (a versão original, eu digo), acredito que BLADE RUNNER seja um dos poucos (único?) filmes de ficção científica cujo futuro não ficou datado. "Como assim?", gritam os  afoitos, "E aquela maquiagem e cabelos e ombreiras dos anos 80?!" Explico. Por ser um filme construído de inúmeras referências (METROPOLIS, HQs francesas, civilizações perdidas, teses futuristas de Syd Mead, film noir, romance policial, art deco,entre outros) BLADE RUNNER é um gigantesco quebra-cabeças estético e artístico (disse que não ia falar de pós-modernismo e não vou). Portanto, nada mais atual que assistir a um filme de ficção científica cujo futurismo remeta a diferentes estilos e épocas - sendo os anos 80 um deles.

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Também adoro ver um herói que não é herói (existe detetive mais incompetente que o Deckard de Harrison Ford?), o vilão que não é vilão (e ainda recita Blake!) e um cientista nada louco que coloca em cheque todo o racionalismo do ocidente em algumas frases. Ao mesmo tempo em que trabalha com esses grandes elementos de sua narrativa, BLADE RUNNER consegue ainda construir uma atmosfera única (onírica, simbólica, sinistra) com pequenos detalhes um tanto inexplicáveis, mas que fazem toda a diferença: o olho com reflexo vermelho dos replicantes, a língua pra fora de Pris quando morre, os bizarros brinquedos de J.F. Sebastian, Pris com os dedos no nariz de Deckard, os reflexos da luz numa água que não existe no salão da Tyrrell Corporation etc.

O filme todo parece caminhar para seu ápice na cena da morte de Roy Batty, um dos maiores personagens da história do cinema em imortal atuação de Rutger Hauer. Com um prego numa mão e uma pomba na outra (dá pra ser mais cristão que isso?), ele faz seu discurso final que não causaria espanto se estivesse na boca de Hamlet. Assim como aquele príncipe problemático da Dinamarca, a morte parece acompanhá-lo sem piedade, mas quando ele a encontra finalmente consegue a redenção desejada. "Time to die".

BLADE RUNNER é daqueles filmes em que realmente se encontra algo novo a cada vez que se assiste - e tendo tantas versões, realmente nem é tão difícil. Fico feliz que hoje finalmente está tendo seu mais do que seu merecido reconhecimento. Um dos filmes da minha vida, e que também tornou meu trabalho e do meu estudo muito mais prazerosos.

Saturday, September 19, 2009

Top 10 - Videoclipes mais sexy

Se 'o sexo vende', sexo em videoclipe vende música. Até as canções mais pavorosas ficam boas se o clipe tem uma boa dose de sacanagem. Seja através da mera sugestão ou de imagens mais explícitas, fato é que os clipes abaixo são de fazer qualquer um se abanar.

P.S.: Como está cada vez mais difícil achar vídeos com habilidade de 'embedding', CLIQUE NAS FOTOS PARA VER O CLIPE.

10- STACY'S MOM - Fountains of Wayne

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Mistura de delírio juvenil com homenagem às MILFs, esse clipe mostra que os fedelhos nem sempre estão atrás das garotinhas. A 'mãe' realmente é um fenômeno, e as ilusões eróticas do garoto são divertidas. O visual suburbano bem 'American dream' reforça o fetiche da situação.

9- AIN'T IT FUNNY - Jennifer Lopez

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Com uma bunda daquelas, Jennifer Lopez realmente não poderia faltar nessa lista. E o clipe escolhido é exatamente aquele em que ela faz o melhor uso de seu derriére. Depois de ver seu futuro nas cartas do tarô, J-Lo fica com fogo na periquita e se transforma numa cigana pra lá de caliente. Chegando num vilarejo gyspsy, troca olhares mais do que 43 com um cara que coloca o cigano Igor no chinelo. Dirigido por Herb Ritts, o visual quase sépia do clipe deixa tudo ainda mais bonito. O auge é quando Jennifer Lopez faz sua dança-cigana-do-acasalamento, com o melhor rebolado  da história do videoclipe. #Chupa Carla Perez!

8- SLOW - Kylie Minogue

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A melodia e a letra da música já são um convite ao sexo, mas o clipe aparentemente simples vai ainda mais longe da sugestão. Numa vibe Busby Berkeley, Kylie fica deitada à beira de uma piscina cercada de homens sarados enquanto faz uma coreografia sensual captada do alto pela câmera. O mais curioso é que não há toques, beijos e nem olhares, mas a possibilidade do sexo já é mais do que suficiente.

7- HOW DOES IT FEEL - D'Angelo

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É um dos videoclipes mais simples já feitos: o artista nu canta sua música, e é isso. Só que o trabalho todo aqui é da câmera que, (aparentemente) sem cortes, vai caminhando pelo corpo do cantor. Claro que o corpo ajuda, e os closes em partes perigosas de D'Angelo fizeram com que muita gente quisesse ser o operador de câmera desse clipe.

6- NO QUIERO ENAMORARME - Daniel Zueras

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Os clipes com mais referências a sexo são os do 'dance farofa', e poderia ter feito uma lista só com eles. Mas nessa categoria, se destaca esse vídeo de Daniel Zueras por uma abordagem bem direta ao ponto com relação ao bissexualismo. O cantor encontra o casal numa festa, eles conversam, e quando piscamos já vemos  os caras se beijando enquanto a mulher é apalpada em mais de uma maneira. Mesmo tendo uns momentos  ridículos (morro de rir quando o cara tá cantando na cama no meio do casal), dá um senhor calor.

Moda animal

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Steven Klein fotografou recentemente um editorial de dar arrepios a qualquer membro da PETA. Colocar um modelo vestindo Calvin Klein, Dior, entre outras marcas, no meio de carcaças de animais abatidos é uma idéia original mas um tanto doentia.

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Não tem como negar que o resultado é pra lá de inusitado, mas as imagens são hipnóticas. Mau-gosto ou não, fato é que de Steven Klein pode se esperar qualquer coisa.

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Para mais fotos de Steven Klein, clique aqui.

Famoso no clipe: Christina Ricci é um anjo em "Natural Blues" de Moby

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CLIQUE NA FOTO PARA ASSISTIR



Clipe que já adquiriu status cult, "Natural Blues" é um belíssimo trabalho que une a melodia hipnótica de Moby ao estilo visual de David LaChapelle. Mais conhecido por seu trabalho colorido e extremamente sexual, La Chapelle realiza um clipe que foge do seu estilo tradicional. Temos um Moby velho (ótimo trabalho de maquiagem) num asilo assistindo a imagens de seu passado de alegria e juventude na televisão (inclusive uma possível namorada, vivida por Fairuza Balk).

De repente, um anjinho de porcelana em cima da TV toma a forma de Christina Ricci (belíssima), que depois carrega Moby  para o que parece ser a morte e o renascimento, embora outras interpretações sejam possíveis. Belíssimo trabalho que chegou a receber alguns prêmios na Europa.

Saturday, September 12, 2009

DISTRITO 9

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Um dos conceitos mais básicos da ficção científica é pegar um tema de impacto social importante e colocá-lo sob uma perspectiva fantástica, causando assim um distanciamento e ao mesmo tempo lançando uma nova luz sobre a questão. Dos filmes de ficção científica contemporâneos, certamente DISTRITO 9 é o que utiliza esse conceito com mais talento.

Na verdade, essa produção de Peter Jackson, dirigida por Neil Blomkamp trata de forma bem direta um dos temas mais caros ao gênero: a alteridade, ou seja, a questão do outro. Seres extraterrestres são sempre a bola da vez quando o assunto é alteridade, sejam eles malvadões (ALIEN) ou bonzinhos (E.T.). O que DISTRITO 9 traz de original é enfatizar o aspecto desumano do homem quando lida com extraterrestres que, sem poderem retornar ao planeta de origem, acabam vivendo na Terra como refugiados. E, ironia das ironias, fixam residência exatamente na África do Sul. Felizmente, a questão do apartheid não é mencionada nenhuma vez durante o filme, o que tornaria a alegoria ainda mais óbvia. Pelo contrário, o tom documental da primeira hora de produção parece querer esconder as sutilezas do roteiro e das declarações de 'especialistas' que falam da presença alienígena em Johanesburgo.

A temática do tratamento do 'outro' e esse 'outro' ser de outro planeta é tão forte que DISTRITO 9 em seus primeiros 40 minutos apenas explica a situação como se fosse um documentário (e aí é praticamente igual ao curta-metragem que lhe deu origem). Praticamente todas as questões da vida 'à margem' são tratadas, desde os nomes pejorativos dados aos extraterrestres até a perfeita caracterização da vida na favela. O filme parece que vai se dar ao luxo de não ter uma narrativa usual, mas eventualmente uma história toma forma quando um dos chefes da MNU (Multi-National Corporation, cujo emblema é igual ao da ONU), empresa responsável pela retirada dos extra-terrestres para uma espécie de campo de refugiados, sofre um grave acidente.

Mais sobre o enredo não dá pra dizer sem estragar algumas surpresas. Mas posso revelar que, a partir daí, DISTRITO 9 se torna um tanto convencional, com direito a perseguições, alianças inesperadas e explosões. Contudo, o filme permanece fascinante em grande parte pela notável atuação do protagonista Sharlto Copley e pelo visual ultra-realista (em especial os alienígenas, um primor de efeitos especiais).

Mesmo deixando um gancho para uma possível continuação, me surpreendeu como o filme tem uma perspectiva pessimista. O final é de deixar qualquer um arrasado, mas faz pensar bastante não no que o homem costuma fazer com grupos de 'outros' que não entende, mas o que faz com ele mesmo.

Friday, September 11, 2009

Fotógrafos: Terry Richardson

terry-richardson-obama-photo

Pornografia, sacanagem, sexo explícito e gente pelada. Quando se pensa nas imagens de Terry Richardson, geralmente são essas idéias que vêm à cabeça. O fotógrafo, adepto da simplicidade em suas produções (onde na maioria das vezes não há maquiagem nem iluminação especial) tem um prazer especial em retratar diferentes aspectos da sexualidade: seja através de um 'soft porn' chique ou beirando o bizarro. Seus retratos - de celebridades ou gente comum - com seus fundos brancos e flashes exagerados são inconfundíveis. No entanto, o fotógrafo também tem campanhas famosas reconhecidas no circuito publicitário da moda, onde seu estilo se mescla às normas do mercado. No clique abaixo (as fotos mais NSFW da história desse blog!), vamos ver alguns dos trabalhos mais conceituados de Terry Richardson.

Wednesday, September 9, 2009

Barbra? É você?

Sarah Jessica Parker-SATC

Barbra Streisand vista esses dias voltando do Rio de Janeiro onde foi fazer uma plástica com Pitanguy.

A cirurgia deixou a diva mais jovem, não é? Só é pena que o guarda-roupa seja de 1983.

Tuesday, September 8, 2009

Links do Trenó

o-espiao

- CineVita fala do filme O ESPIÃO - que eu nem sabia que existia mas fiquei louco pra ver.

- Blog do Vinícius faz uma apanhado dos primeiros filmes exibidos no Festival de Veneza.

- Fred Burle se decepciona com UP, da Pixar.

- IeIeIe com Canela faz uma defesa apaixonada da Tijuca.

- A Grande Abóbora dá dicas (cinematográficas e culinárias, inclusive) de como limpar seu notebook.

- Katylene comenta a primeira foto do elenco reunido do novo filme de SEX AND THE CITY

- Glamaddict mostra onde foram parar as eliminadas do "Garota da Laje".

JUÍZO FINAL

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Eu acredito que qualquer filme de ficção científica, por pior que seja, sempre apresenta uma idéia interessante. Portanto, quando li que o diretor Neil Marshall (dos ótimos DOG SOLDIERS e ABISMO DO MEDO) ia fazer um filme do gênero, fiquei todo empolgado. No entanto, a maioria da crítica disse que JUÍZO FINAL ("Doomsday" no original) era uma bomba e que a história não fazia sentido.

E qual não foi a minha surpresa ao ver que JUÍZO FINAL é uma das produções mais divertidas do ano! Na verdade, o filme é um grande apanhado não só de alguns dos elementos clássicos da ficção científica (vírus mortal, sociedade distópica, futuro apocalíptico, história alternativa) mas também de alguns  filmes marcantes do gênero que são homenageados/copiados/imitados em inúmeras cenas: "olha ali uma cena de ALIENS!" "E um momento inspirado em FUGA DE NOVA YORK!" "Agora sei onde todos os extra de MAD MAX foram parar!" "É um vírus  igual  ao do EXTERMÍNIO?!"

Não, não é o mesmo vírus de EXTERMÍNIO - até porque zumbi é só o que falta em um filme que tem Bob Hoskins, punks canibais, cavaleiros medievais e um escravo masoquista todo vestido de látex. JUÍZO FINAL começa falando de um vírus mortal que se alastra pela Escócia. Para proteger o resto do Reino Unido (e o mundo), é construído um muro que isola a Escócia do restante da ilha (o roteiro é esperto o suficiente para mencionar a Muralha de Adriano). Anos depois, a epidemia mortal ressurge em Londres, ao mesmo tempo em que se descobre que existem alguns sobreviventes na Escócia. Ou seja: além do scotch, do kilt, e da gaita de foles, os escoceses ainda tem a cura que pode salvar a humanidade. O governo britânico manda então à Escócia um grupo de elite, comandado pela super 'badass' Major Eden Sinclair (Rhona Mitra, a diva da porradaria), para conseguir a tal cura. E nisso estamos ainda com 2o minutos de filme!

A preparação e a chegada dos soldados ingleses à Escócia é feito com um suspense fantástico, e as referências a ALIENS são óbvias, mas também perfeitas. Só que ao invés de monstrengos com sangue ácido, o que Rhona Mitra e companhia encontram do outro lado do muro é uma sociedade caótica comandada por punks canibais (chegou o momento MAD MAX!). É preciso dizer, aliás, que o filme é violentíssimo e não brinca em serviço quando o assunto é cabeça explodindo, sangue jorrando e um pequeno banquete de carne humana. Mas o que torna JUÍZO FINAL tão divertido é que Neil Marshall é um diretor de visão, que sabe das inúmeras referências a que remete e também consegue usar da estetização da violência a seu favor.

Por mais sangue que haja, há um sempre um elemento altamente irônico no filme que ao invés de causar repulsa impressiona como fenômeno estético. Além dos mais, sempre que o roteiro chega às raias do exagero (e acreditem, isso acontece várias vezes), há uma certa pausa para um alívio cômico como para dizer ao público: "Eu sei que isso é exagerado, portanto divirtam-se". Um dos melhores exemplos é quando o grupo de canibais, prestes a devorar uma vítima, canta e dança ao som de...Fine Young Cannibals!

Depois disso, JUÍZO FINAL vira um filme medieval - não me pergunte como, vocês vão ver - com a presença especialíssima de Malcolm MacDowell e sua cara de maluco. Há até uma cena que remete a GLADIADOR, mas na Idade Média! Mesmo com toda essa mistureba, impressiona como Neil Marshall tem um talento especialíssimo para cenas de ação que remetem imediatamente a James Cameron. A sequência de perseguição de carros é de literalmente tirar o fôlego.

Em resumo, JUÍZO FINAL pode ser chamado de 'colcha de retalhos', mas no melhor dos sentidos. Diverte muito e ainda faz pensar em várias questões da ficção científica como gênero cinematográfico. E por que Rhona Mitra não vira logo uma mega-estrela?

Dánacaradela v.20

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=UYTsrfLbseI&hl=pt-br&fs=1&]

NOVELA: Celebridade

PARTICIPANTES: Laura (Cláudia Abreu)  e Maria Clara (Malu Mader)

PORQUE É TUDO DE BOM: Tabefes e escândalos são ótimos, mas tem horas em que uma troca de ofensas em cima do salto surte muito mais efeito. Gilberto Braga é mestre nesse tipo de cena, e com uma das maiores vilãs da história da telenovela - Laura 'Cachorrona' - tudo fica mais fácil. Só que Maria Clara também não sai por baixo não e pisa na ferida com seu scarpin salto 15.

MELHOR PARTE: Adoro a cara de nojo da Malu Mader quando ela diz "Você é pobre!", e a tirada dos 'vizinhos' é impagável. Mas nada supera Laura 'fazendo a loka' ao som de Carmina Burana. É muito lençol voando! É operático! É digno da cachorrona!

Monday, September 7, 2009

Top 10 - Os filmes da minha vida



Esta lista representa mais do que os meus filmes preferidos – são os filmes da minha vida, aqueles que mudaram a minha própria atitude com relação ao cinema. Estou revendo todos eles, para logo depois colocar minhas impressões aqui.

6- CONTA COMIGO

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A EXPERIÊNCIA:

Diferentemente da maioria das pessoas que são apaixonadas por CONTA COMIGO, não assisti ao filme na 'Sessão da Tarde' da Globo quando era criança. Sempre ouvia falar do filme, mas numa mistura de falta de interesse e oportunidade, nunca o assistia quando passava nas tardes que enormes prazeres me proporcionou com OS GOONIES, TE PEGO LÁ FORA e tantos outros.

Já adulto, num fim de tarde de domingo sem nada pra fazer, começo a assistir então CONTA COMIGO na HBO. Pra começar, acho estranho um filme relativamente antigo passar no canal, assim de repente. Quando termino de ver - e muitos fãs do filme se sentem da mesma maneira - dá uma sensação de tristeza e perda tão grande, associada ao pensamento de que a vida é realmente algo fugaz, e de que são poucos os que realmente nos compreendem. O filme passou de novo seis horas depois na HBO2 e eu assisti novamente, e mais pensativo fiquei. Atualmente, é um filme que evito ver porque mexe muito comigo. Filmes sobre amizade em geral tem um efeito muito forte sobre mim. No caso de CONTA COMIGO, sendo o melhor filme já feito sobre esse tema, acho melhor rever apenas quando preciso colocar a minha vida em perspectiva.

O FILME:

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Baseado no conto "The Body" de Stephen King, CONTA COMIGO é um caso notório de história 'coming of age', onde os personagens principais passam uma jornada física e emocional. Ao final da jornada, quando aprendem mais sobre si mesmos e o mundo, é que conseguem ultrassar a barreira provinciana que parece confiná-los em um mundo de mediocridade.

No filme, esse mundo é retratado pela cidadezinha de Castle Rock (que depois daria nome à produtora de Rob Reiner). Típica cidade do interior dos EUA do final dos anos 50, é lá que os amigos Chris, Gordy, Vern e Teddy vivem no mundo de garotos de doze anos: fumando escondido, jogando cartas, falando de garotas e super-heróis, e se xingando para esconder a profunda amizade que nutrem um pelo outro. Quando decidem partir na busca do corpo de um menino desaparecido, suas histórias de vida se revelam lentamente diante de si e do grupo, para formarem uma espécie de tapeçaria que esconde os medos, decepções e pequenas alegrias que formam a identidade de qualquer jovem em formação.

Uma das principais qualidades do filme é a simplicidade em que se desenvolve a história, sem atropelos e grandes reviravoltas. Há uma sub-trama envolvendo um grupo de 'rebeldes sem causa' liderados por Kiefer Sutherland (em fenomenal atuação) que vai ser importante no fim do filme, mas em nenhum momento o roteiro perde o foco dos seus quatro protagonistas e seu lento mas marcante processo de aprendizagem enquanto caminham juntos pela linha do trem - uma metáfora visual simples mas extremamente eficiente.

À medida em que caminham nessa pequena aventura que vai durar dois dias, aprendemos mais sobre o contexto familiar e psicológico de cada um deles. Vern (Jerry O'Connell) é um garoto um tanto inocente e assustado a quem o sentido das coisas geralmente escapa; Teddy (Corey Feldman), é um menino agitado que idolatra o pai veterano da 2a Guerra Mundial, mesmo que ele depois tenha enlouquecido e ferido o próprio filho; Chris (River Phoenix) é o líder do grupo, vindo de uma família desestruturada e com fama de ladrão; e Gordy (Will Wheaton) é um garoto sensível, traumatizado pela morte de seu irmão mais velho (pequena mas marcante participação de John Cusack) e ignorado pela família.

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A história do filme é narrada por Gordy quando adulto, personagem de Richard Dreyfuss. A narração em off, claramente literária e que de vez em quando explica alguns momentos desnecessários, contudo, não incomoda porque todo o filme tem uma atmosfera de 'história de aventuras' sobre ele, como se estivéssemos ouvindo mais uma narrativa exagerada de um amigo. E a própria questão da narrativa é um elemento central do filme, já que Gordy tem pretensões a escritor e vive inventando histórias bastante apreciadas pelos seus amigos.

CONTA COMIGO se dá ao luxo de ter uma dessas pequenas narrativas dentro do filme, como se fosse um curta-metragem: é a história do jovem Lardass e de como, através de uma competição de tortas, ele se vinga da cidadezinha onde vive. Esse segmento de CONTA COMIGO, apesar de relativamente curto, não só coloca o talento narrativo de Gordy em perspectiva mas também ilustra o forte sentimento de exclusão que sente com relação ao mundo ("Eu sou estranho?", ele pergunta a Chris). A sequência de "Lardass", apesar de ter um tom totalmente diferente do restante do filme (parece John Waters) é divertidíssima, como se fosse uma versão light (porém não menos nojenta) de CARRIE, do mesmo Stephen King.

CONTA COMIGO, contudo, não teria metade de sua força dramática se não fosse a vitalidade de seus jovens atores e o talento de Rob Reiner para dirigi-los. Todos não são menos que excelentes, mas o destaque é sem dúvida River Phoenix. É impressionante como ele incorpora visivelmente a função de líder do grupo, mas deixa transparecer uma sensibilidade que torna o o personagem mais vivo que todos os outros. Juntamente com O PESO DE UM PASSADO, é uma das grandes atuações desse notável ator que a tragédia quis que infelizmente tivesse uma carreira curta demais. Há uma maturidade nos olhos de River Phoenix, especialmente em suas cenas com Will Wheaton, que justificam grande parte da tristeza que sentimos ao fim do filme. A cena em que seu personagem conta a história do roubo na escola e sua decepção com a professora me faz chorar toda vez, e mostra que ali existe realmente uma criança cuja ilusão foi destruída. Talvez seja a cena central do filme e que ilustra em poucos diálogos o processo de amadurecimento do personagem, mesmo que para isso tenha que revelar, em meio às lágrimas, sua inocência.

Há em CONTA COMIGO uma história simples com personagens complexos, onde em um instante podemos estar diante das maravilhas da infância (a discussão sobre que animal é o Pateta é impagável) ou da inescapável amargura que a segue. Assim, permanece uma das produções mais adoradas do cinema e se tornou um dos filmes da minha vida.

Famoso no clipe: Ben Stiller é gerente de supermercado em "Closer" do Travis







Típica música 'fofa' do Travis, "Closer" tem tudo a ver com a rotina monótona de um supermercado onde os funcionários tentam, através da música, dar um pouco mágica ao lugar. Mas nem todo mundo gosta muito da idéia: o gerente do supermercado vai investigar se algo de estranho está acontecendo, mas curiosamente não acha nada. E o gerente é o Ben Stiller! - com sua característica levantada de sobrancelhas.

Rapidinhas

antichrist-poster- ANTICRISTO: Infelizmente, a nova obra de Lars Von Trier não dá certo nem como cinema nem como polêmica. Muito se fala que o cinema do diretor (assim como o de Tarantino, por exemplo) segue regras próprias que nem sempre condizem com a realidade. Pra mim, isso é uma experiência fascinante que rendeu filmes brilhantes (DOGVILLE e DANÇANDO NO ESCURO, por exemplo). Só que em ANTICRISTO, esse estilo contrasta e muito com algumas atitudes do casal protagonista - o que deveria construir uma aura de mistério e horror apela para o grotesco psicologizante, com explicações rasas sobre qual seria a causa da loucura que toma conta da mulher (Charlotte Gainsbourg) na cabana no meio da floresta. A sequência inicial realmente é muito bonita (parece um clipe de Sigur Rós), mas é pena que o resto do filme não esteja à altura. O personagem de Willem Dafoe é irritante e maniqueísta, sendo uma espécie de investigador do inexplicável. Quando ele contra a 'chave' para o mistério, é uma grande decepção - a não ser que alguém ache uma tese de doutorado pode levar uma mulher a cortar o clitóris com uma tesoura enferrujada. Lars Von Trier tenta fazer um JOGOS MORTAIS 'cabeça', mas decepciona.

bruno-poster- BRÜNO: Mesma fórmula de BORAT, num filme muito melhor. Se por um lado temos as mesma variações de "olhem como esse americano é idiota", por outro lado as piadas e a crítica ao mundo da moda, às celebridades e à homofobia são direto ao ponto. A entrevista com o pastor que promove a cura do homossexualismo é inacreditável, assim como a passagen de Bruno por talk-show estilo "Márcia". Mas nada prepara o público para o final redentor, com direito a luta livre e música-tema com ídolos do pop.

hangover-poster- SE BEBER, NÃO CASE: Apesar de algumas piadas bem sacadas (a do RAIN MAN é muito boa!) e da estrutura de 'suspense às avessas' do roteiro, cansa muito rápido. Na milésima cena de "olha só o que fizemos quando estávamos bêbados", nos resta perguntar se o filme é só isso. E pelo visto é. Aliás, quem ainda aguenta filmes de homens americanos adultos se comportando como crianças? Judd Apatow pelo menos usa temática com algum talento.

drag-me-to-hell-poster- ARRASTE-ME PARA O INFERNO: Vi com muito medo, mas também me diverti. Antes de mais nada, é uma excelente estratégia usar um filme de terror como forma de interpretar a crise econômica dos EUA - o filme já tem uma longa vida na seara dos estudos culturais. Adorei que as cenas nojentas são também as mais engraçadas. E o final é uma pérola do sarcasmo.

Friday, September 4, 2009

Spike Jonze 'auteur' ganha perfil no NYT

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A revista do New York Times do próximo domingo faz um perfil longuíssimo (7.600 palavras) sobre Spike Jonze, enfatizando obviamente os bastidores da produção de WHERE THE WILD THINGS ARE. Chamado de 'auteur' pela revista (o termo pelo visto não está tão fora de moda assim), há no artigo várias informações interessantes sobre a carreira do diretor e sobre o filme em si. Algumas delas que me chamaram atenção:

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- O processo de produção de WHERE THE WILD THINGS ARE já dura mais de uma década, com vários diretores envolvidos.

- Jonze já esteve perto de dirigir uma outra obra de Maurice Sendak, mas na época o estúdio achou suas idéias loucas demais.

- Ele já está perto de fazer 40 anos!

- Sofia Coppola foi quem entrou em contato com John Malkovich para que ele se encontrasse com Jonze e ser feito o convite para participar de QUERO SER JOHN MALKOVICH.

- Aliás, QUERO SER JOHN MALKOVICH quase teve sua produção cancelada. O que salvou o filme foi a troca dos executivos da Universal.

- O artigo apresenta algumas curiosidades interessantes sobre a produção do clipe de "Sabotage" (clipe favorito #13), umas das obras-primas de Jonze.

- O tema central do artigo, como não poderia deixar de ser, é a suposta briga entre o diretor e a Warner pelo corte final de WHERE THE WILD THINGS ARE. O manda-chuva da Warner realmente confessa que se Jonze tivesse saído da produção, as coisas teriam sido mais fáceis. No entanto, nega que quisesse demití-lo.

- De acordo com a jornalista que escreveu o artigo - que assistiu ao filme - a principal razão da briga entre Jonze e a Warner não foi porque o filme é 'dark demais', como muitos na época noticiaram. Na verdade, o 'problema' do filme seria que ele não tem um roteiro bem definido, com um enredo com começo, meio e fim. É um filme que se baseia basicamente em sensações, o que foge do esquema de produções juvenis.

- Spike Jonze diz que uma de suas inspirações pro filme foi o diretor John Cassavetes.

- Jonze foi convidado para dirigir a continuação de ACE VENTURA, mas felizmente recusou!

- Um aspecto que não tem a ver com Spike Jonze mas que achei curioso: o artigo cita como fontes vários sites de fanboys como Slashfilm, CHUD e FirstShowing. Sinal dos tempos?

Você conhece o Miles Fisher?

Além da 'blackface' de Roger Sterling no último episódio de MAD MEN, outro ponto muito comentado foi como o ator que fazia o amigo/traficante de Paul Kinsey parecia o Tom Cruise. Pesquisando mais sobre o cara, descobri que ele é relativamente conhecido: se chama Miles Fisher e é uma espécie de artista multimídia - além de ator, também é cantor e comediante.

Sua semelhança com Tom Cruise já foi aproveitada aliás, em uma paródia bem engraçada presente no filme DEU A LOUCA NOS SUPER-HERÓIS. A imitação dos trejeitos e das caretas de Cruise é assustadora de tão perfeita:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=FjGmZJu8OnY&hl=pt-br&fs=1&]

Outra paródia impagável é a do filme PSICOPATA AMERICANO, em que Fisher personifica Patrick Bateman com umas expressões iguazinhas às de Christian Bale. E a versão de "This Must be the Place" também é bem boa:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=6cPuaqGZGro&hl=pt-br&fs=1&]

Quem quiser saber mais do cara, pode visitar o site oficial.

Wednesday, September 2, 2009

Mad Men: melhor episódio da série?

O episódio dessa semana de Mad Men, o terceiro da terceira temporada, talvez tenha sido o melhor da série inteira. Trabalhando com diferentes contextos e sub-temas, lançou luz sobre a personalidade de diferentes personagens da forma única que só a série consegue fazer: com uma sutileza inacreditável (que às vezes requer ver o episódio novamente), através de olhares, gestos e frases ações um tanto enigmáticas.

Além disso, o episódio foi entretenimento puro, com direito a muita música e dança. As imagens em particular são tão ricas que não resisti em pegar uns screencaps.

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Betty se arruma para ir à festa de Roger Sterling e acho interessante como o fato de sua persona de 'mulher grávida' e sua aparência interessa muito mais a ela do que o fato de ter um filho. Não poderia realmente ter melhor esposa para Don Draper, o rei da manipulação das aparências. Não é à toa que ele fala para Sally prontamente: "Vai assistir televisão!"

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O momento mais comentado do episódio foi sem dúvida Roger Sterling cantando para sua jovem noiva em 'blackface', ou seja, com o rosto pintado como um negro. Típica representação humorística dos afro-americanos em cinema e teatro até mais ou menos os anos de 1950, se tornou uma das ofensivas formas de racismo do show-business. Corajoso da série mostrar a cena. Vamos ver se nessa temporada teremos um tratamento mais especial com relação à tensão racial dos anos de 1960 - e se o comportamento da empregada dos Drapers é uma indicação, parece que a questão dos direitos civis vai ser parte da temática.

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Um momento um tanto bizarro é aquele em que um convidado da festa pede para tocar a barriga de Betty. Como eu, alguns se lembraram da cena de DE OLHOS BEM FECHADOS em que um homem mais velho dá em cima de Nicole Kidman. Ecos kubrickianos em Mad Men?

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A dança de Pete e Trudy também parece ter saído do nada, mas eu aposto qualquer coisa que os dois ensaiaram loucamente em casa aqueles passos de charleston pra chamar atenção na festa. E tendo de dividir as atenções (e o cargo) com Ken, Pete com certeza quer mostrar que é bom em tudo. Mas o desapontamento de Trudy quando o assunto de ter filhos é levantado mostra que nem tudo é festa no lar dos Campbell.

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A sub-trama da 'maconha no escritório' também foi excelente, especialmente por desenvolver ainda mais essa 'nova Peggy' que está surgindo na terceira temporada. "I'm Peggy Olson, and I'd like to smoke some marijuana" já é a melhor frase da série.

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De longe, a parte do episódio que eu achei mais densa foi o jantar na casa de Joan. Apesar da tensão imensa (recepcionar e agradar os colegas de trabalho de seu marido, o médico/estuprador), ela tinha que aparentar suavidade e calma, além de se portar como uma típica dona-de-casa assexuada, tudo que ela não é. Christina Hendricks tem mais um grande momento na série, em cenas curtas mas que implicam questões de classe e sexismo.

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Apesar do diálogo afiadíssimo da sequência do jantar ("I don't want to argue over this" / "Then stop talking"), nada é mais mortal que o olhar de Joan para o marido quando ela descobre, em uma conversa coloquial, que médico dos seus sonhos não é tão bom assim. É uma cena aparentemente trivial, mas a edição inteligentíssima e a fluidez dos atores, marca a grande revelação e decepção da personagem.

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Mas o grande momento de Joan foi sem dúvida quando ela cantou C'est Magnifique. Novamente, a personagem adota uma persona (a dona-de-casa de vários talentos) para agradar o marido, numa cena que de certa forma pode até ser comparada ao estupro da temporada passada. Apesar de incrivelmente sexy, a cena é bem triste. Acho interessante como todo o apartamento tem tons vermelhos e a fotografia os realça, mas nada poderia ser mais frio.

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Qual vai ser o futuro de Roger com sua nova esposa que já está mostrando as garras? Será que vai se dar conta do absurdo da situação em que se meteu? E podemos dizer, assim como Don, que "he is not happy, he is foolish"?

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O episódio terminou com um belo (e enigmático) beijo entre Don e Betty. Seria a reconciliação definitiva do casal? Ou um breve momento de tranquilidade antes da tempestade que virá a seguir? Afinal de contas, o movimento pelos direitos civis e o assassinato de Kennedy estão se aproximando. Ou foi à toa que Sally estava lendo "A Queda do Império Romano"?

Tuesday, September 1, 2009

Top 10 - Versões 'cool' pra músicas pop

Culpem o pós-modernismo, a abolição das barreiras entre a baixa e a alta cultura, a decadência da música popular ou até mesmo a cara de pau dos artistas. Mas a verdade é que de uns anos pra cá é cada vez mais comum músicos da MPB, do rock alternativo e até mesmo do cenário ultra-independente fazerem versões para canções descaradamente pop. Tudo parece uma grande brincadeira, mas esse cantores/bandas são espertos o suficiente para saberem a descontrução que estão fazendo não só daquelas músicas tidas como 'ruins' (mas extremamente populares) mas também da sua própria imagem de 'artista sério'.

Aqui vão as minhas 10 versões preferidas nesse estilo. Uma observação: como são versões de show gravados pelo público, o som não está com aqueeeela qualidade Dolby.

10- Maria Gadu - "Baba" de Kelly Key







Maria Gadu é a 'revelação da MPB' do ano, mas é difícil não se apaixonar pela sua voz aveludada porém marcante, lembrando muito Cássia Eller. Sua versão da música-chiclete de Kelly Key é estilo puro, com um swing insuspeito. [Versão original]

9- Antony and the Johnsons - "Crazy in Love", de Beyonce







O mega-hit dançante de Beyonce virou uma canção de cortar os pulsos na voz de Antony. A melodia tem uns violinos assassinos e nem dá pra acreditar que é mesma música. Na voz dele, o sentido de desespero da letra alcança outro nível. Lindíssimo, mas pra ouvir só comendo muito chocolate. [Versão original]

8- Flaming Lips - "Borderline", de Madonna







O que começa quase como uma baladinha, com o vocalista gemendo, termina sendo praticamente uma canção de rock progressivo. Uma das melhores músicas da Madonna que ganhou uma versão à altura. [Versão original]

7- The Killers - "Girls Just Wanna Have Fun", de Cindy Lauper







Cantada por um homem a canção adquire todo um novo sentido. E o estilo 'pós-new wave' do The Killers combina totalmente com a melodia. Fiquei surpreso como a voz do Brandon Flowers tem tudo a ver com o apelo "anos 80" da música. [Versão original]

6- Last Shadow Puppets - "S.O.S.", de Rihanna







Essa versão seria perfeita para um próximo filme de James Bond. A guitarrinha 'surf music' dá um aspecto de perigo e mistério que na versão original é só de brincadeirinha. Adoraria que eles fizessem uma versão de "Livin' La Vida Loca" ;-) [Versão original]

Links do Trenó

vogue nippon a2

- House of Models exibe as lindas fotos de Raquel Zimmerman no Rio de Janeiro para a Vogue Nippon.

- Hollywoodiano traz os pôsteres de 2012, de Roland Emmerich. Com Cristo Redentor desabando e tudo!

- Camila Felix mostra o belo ensaio fotográfico da Vogue Paris desse mês, baseado em Diane Keaton.

- Gravataí Merengue fala sobre porno-paródias de seriados de TV.

- Cineroad (assim como eu) lista as melhores cenas da década até agora.

- Blog na TV diz que veremos uma versão de 'Single Ladies', de Beyonce, no seriado Glee.

- Walking Contradiction é o novo blog do @feliperezende.

Música do ano?

Eu estou simplesmente VICIADO em "Kiss of Life", música nova que estará no segundo disco dos Friendly Fires. Não consigo parar de ouvir!!!

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=NK0H3jEwUYc&hl=pt-br&fs=1&]

É pop! é samba-enredo! é indie rock! E a dancinha do vocalista Ed MacFarlane é de matar qualquer Joelma de inveja. Difícil aparecer música mais legal esse ano.

Notícias do Trenó

agora-posters

- Novo trailer de AGORA, novo filme de Amenábar com Rachel Weisz que estou louco pra ver.

- Vídeo hilário da MadTV sobre Whitney Houston. Uma das imitações mais perfeitas que já vi. E o que é a Bjork cantando "I Will Always Love You?"

- A capa do calendário Dieux du Stade 2010 fotografado por Tony Duran.

- Entrevista bem legal com Kristin Bauer, a 'Pam' de True Blood.

- Demi Moore diz que nunca fez cirurgia plástica.

- Bastidores de THE RABBIT HOLE, o novo filme de Nicole Kidman dirigido por John Cameron Mitchell.