Wednesday, January 25, 2012

Bate-blog #2: Os prêmios da Academia, para a Academia


Para começar, saudações ao Anderson, ao Vinicius, ao Felipe e, claro, ao meu colega de Luz, Câmera e Tesão, Rômulo.

Vou tentar responder ao Anderson sobre os dez-ou-não indicados da forma mais direta possível: acho que, sim, essa seleção foi o melhor que conseguiram fazer. Por mais que MILLENIUM - OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES e DRIVE pareçam interessantíssimos, devem ser muito pesados para uma edição do Oscar que escolheu filmes como A ÁRVORE DA VIDA, O HOMEM QUE MUDOU O JOGO e MEIA-NOITE EM PARIS.

Afinal, é provável que o romantismo tenha sido um fator importante na escolha desses 9 indicados. Não vi HISTÓRIAS CRUZADAS, A INVENÇÃO DE HUGO CABRET, CAVALO DE GUERRA, O ARTISTA nem TÃO FORTE E TÃO PERTO, mas os cinco me parecem bastante românticos na abordagem de seus temas. Quanto aos outros quatro que eu pude ver, afirmo: são romanticíssimos, cada um de seu jeito.

Para HARRY POTTER, consigo pensar em um par de probleminhas para a Academia: é um fenômeno bem atual, que precisaria sobreviver ao teste-do-tempo para não morrer como uma (longa, de fato) coqueluche passageira; e ainda trata de um tema bem soturninho para uma fantasia de ação adolescente. Minha única “surpresa” foi não ver Alan Rickman entre os coadjuvantes. Eu tinha certeza de que ele seria indicado quando assisti ao filme, não tanto por ele estar bom (e está), mas por ser um papel oscarizável em um filme-do-momento. Mas as premiações ao longo do ano não apontavam para essa possibilidade, mesmo.

Eu ressinto bastante a ausência de O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS, mas a frieza da direção foi provavelmente um grande motivo para uma obra tão interessante e elegante ser deixada de fora da categoria principal – se não indicassem também o filme de Fincher ou o de Winding Refn, o de Alfredson iria destoar do conjunto, tão dourado e lustroso.

Este ano, a Academia fez uma premiação mais para si mesma, e não tanto para o público.

Pedro


Bate-blog #1 - Pegadinha do Mallandro!

4 comentários:

  1. Pedro, achei interessante vc falar em filmes "românticos" porque um dos comentários mais repetidos sobre os indicados desse ano é que são filmes escapistas - e acho que quando vc quer dizer "românticos" está falando desse tipo de coisa não é? De uma ausência de conflito, de falar de problemas atuais, como um GUERRA AO TERROR por exemplo... E realmente, se a tendência das indicações era essa, filmes com certa tensão como DRIVE iam destoar bastante do restante. Vc tocou num ponto importante.

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  2. Verdade. Não tinha reparado nessa sequencia "romântica" dos filmes indicados. Bem observado. :)

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  3. Aqui é o Pedro, perdido nos usuários do wordpress e usando o login do gmail, mesmo.

    É exatamente a esse escape para o idealizado, ou pelo menos para um fato excepcional, que me refiro.

    O Artista é alardeado como uma carta de amor à Hollywood dos anos 20, O Homem Que Mudou o Jogo é um elogio à grande (única, pelo jeito) revolução na indústria do beisebol, Meia-Noite Em Paris... bom, o filme é todo sobre escapismo e idealização (e eu gosto do filme só porque sinto um leve senso de ridículo nas tietagens do protagonista). Mas eu diria que A Árvore da Vida não é romântico dessa maneira. É romântico pelas possibilidades que vê para a existência e para a vida humana, e mesmo para os fatos da vida. Não é escapismo, exatamente, é recorte.

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  4. Pedro - certamente que a categoria de romantismo de A Árvore da Vida é bem difererente. E adorei o que vc disse de Meia Noite em Paris. Realmente o Owen Wilson é muito tiete hehe

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