Além de Seattle, outra cidade que conheci nos EUA foi San Francisco e, posso dizer sem dúvida nenhuma, foi o melhor lugar que já visitei: a cidade é encantadora, a atmosfera de arte e cultura tem um caráter mágico, as pessoas são tranquilas (e lindíssimas) e a organização urbana coloca qualquer metrópole no chinelo.
Minha passagem por San Francisco teve vários destaques, mas acredito que nada me deixou mais feliz do que assitir a UM CORPO QUE CAI no mitológico Castro Theater. Obviamente, assistir ao clássico de Hitchcock lá teve um sabor todo especial: afinal de contas, San Francisco está para UM CORPO QUE CAI assim como Nova York está para TAXI DRIVER - a cidade é um personagem do filme. Além disso, assistir ao filme no Castro Theater, uma das salas de cinema mais famosas dos EUA (se não do mundo) coroou a experiência. Nunca tinha assistido a UM CORPO QUE CAI no cinema, e além do mais tive a oportunidade de revê-lo pouco tempo depois da Sight & Sound ter divulgado sua famosa lista de melhores filmes da história, colocando o filme em 1o lugar depois de uma longa hegemonia de CIDADÃO KANE.
No clique abaixo, fotos de San Francisco e mais sobre UM CORPO QUE CAI.
O mais curioso é que não sabia que o filme estava em exibição em San Francisco. Ao chegar na cidade, fiz um tour pessoal pelas locações do filme. Primeiramente, fui para a Golden Gate Bridge, é claro.
Infelizmente, não pude ir a Fort Point, que é de onde Madeleine (Kim Novak) se joga na San Francisco Bay para logo depois ser resgatada por Scotty (James Stewart). Mas o clima sinistro da neblina na Golden Gate já foi o suficiente.
Andar pelas ladeiras da cidade, especialmente em torno da Coit Tower (perto de onde Scotty morava) me fazia lembrar o tempo todo das cenas em que o detetive seguia Madeleine durante todo o dia.
Emoção pura foi o que senti ao chegar no Legion of Honor, o museu onde Madeleine se senta por horas e fica observando o retrato de Carlota Valdez. O quadro era apenas um objeto de figuração e não pertence ao acervo real do museu, mas os outros quadros do museu sim - estão todos lá na galeria 7.
Além disso, me surpreendi com a quantidade de Rodins no museu: é uma das maiores coleções do escultor no mundo, incluindo um "O Pensador" e "O Beijo".
Foi nesse dia aliás que, numa coincidência, dentro do Legion of Honor, descobri olhando na internet que UM CORPO QUE CAI estava passando no Castro Theater.
No dia seguinte, antes de assistir ao filme, fui visitar talvez a locação mais emblemática de UM CORPO QUE CAI (que em outra mágica coincidência era pertíssimo de onde eu estava hospedado): Mission Dolores.
O prédio mais antigo da cidade, a Igreja da Missão Dolores foi construída pelos jesuítas assim que chegaram à região onde hoje fica San Francisco. É para lá que Madeleine vai para, nos fundos da igreja, chegar ao cemitério onde está o túmulo de Carlota Valdez. O túmulo era, obviamente, ficcional, mas impressiona observar aqueles as lápides reais de pessoas que chegaram à cidade há mais de 400 anos.
Logo após meu passeio pela belíssima catedral de Mission Dolores, fui para o bairro Castro, o mais famoso distrito gay do mundo e onde Harvey Milk iniciou uma revolução pelos direitos dos homossexuais. O bairro é cheio de restaurantes e cafés charmosos, além de gente andando tranquilamente com pouca (ou até mesmo nenhuma) roupa pela rua.
O Castro Theater é daqueles teatros de antigamente, com arquitetura art deco e um lustre inacreditável. O estilo antigo do cinema, porém, contrasta com a modernidade da projeção: tem melhor qualidade de som que já vi e a tela é enorme.
A versão de UM CORPO QUE CAI que assisti foi a restaurada em 70mm, por isso as cores praticamente pulavam da tela. O cinema estava lotado (2 da tarde de um domingo de sol) e, pelas reações da plateia a algumas revelações da trama, muitos estavam assistindo ao filme pela primeira vez, o que deixou tudo ainda mais divertido.
Acho que o momento único de estar assistindo a UM CORPO QUE CAI exatamente em San Francisco (e vendo na tela lugares que tinha acabado de visitar) me deixou mais sensível que de costume. Tanto que na cena chave do filme - a transformação de Judy em Madeleine - não resisti e deixei escorrer uma lágrima. A obsessão de Scotty chegava ao seu objetivo final ao ressuscitar a mulher amada, e a minha passagem por San Francisco chegava ao seu clímax, através da junção da realidade e da ficção.


















Muito amor por San Francisco! :)
ReplyDeleteAi, que cidade né? Quero voltar assim que possível!
DeleteGrande texto. Estarei em SFO na próxima semana e seu relato me servirá de guia. Parabéns e obrigado.
ReplyDeleteQue bom que pude ajudar. Curta bastante!
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