Monday, July 16, 2012

Frank Ocean, orientação sexual e o disco do ano



Se todo mundo que revelasse já ter se apaixonado por alguém do mesmo sexo fizesse um disco tão bom quanto Channel Orange, de Frank Ocean, o mundo seria um lugar muito muito muito melhor. 

O cantor de 24 anos era mais conhecido na verdade por seu trabalho como compositor, tendo Justin Bieber, John Legend e Brandy cantando suas músicas. Mas foi quando Beyoncé gravou uma das melhores composições de Ocean até então - "Miss You" - que todo mundo passou a prestar atenção no cara (aliás, por mais que goste da versão da Beyoncé, o Frank Ocean no piano detona). Jay-Z e Kanye West, que não são bobos, pegaram dele a excelente "No Church in the Wild" (usada no trailer do novo O GRANDE GATSBY) e gravaram no badalado Watch the Throne. Não demorou muito para Frank Ocean ser considerado a mais nova promessa do R&B.

Além de ter suas composições cantadas por outros artistas, Ocean já havia despertado o interesse do mercado fonográfico através do lançamento independente do disco Nostalgia, Ultra, cuja ótima música Novocane, que cita de Viagra a Stanley Kubrick, chegou ao Top 100 da Billboard.

Diante desse cenário, havia uma certa expectativa com o lançamento do primeiro disco de Frank Ocean por uma gravadora. Essa expectativa foi multiplicada por 100 quando o cantor, em seu Tumblr, publicou um texto dizendo que se apaixonou por um homem quando tinha 19 anos e que, embora aquele amor nunca tenha se tornado público, foi um dos melhores momentos da vida dele. Em um dos momentos mais bonitos do texto, Ocean escreve:

"Thanks. To my first love. I'm grateful for you. Grateful that even though it wasn't what I hoped for and even though it was never enough, it was. Some things never are... and we were."

É um texto muito bonito e sensível, onde o cantor também afirma que agora não tem mais nada a esconder. Isso tem particular importância porque vários rumores começaram a surgir depois que alguns críticos, depois das primeiras audições do álbum Channel Orange, disseram que era o disco em que Ocean estaria saindo do armário, com pelo menos três músicas onde ele falava de amor relacionando a um "him" [ele] ao invés de "her" [ela]. A orientação sexual do cantor já vinha sendo discutida até mesmo anteriormente, quando na própria "Miss You" de Beyoncé existe a frase "it doesn't matter who you love." Ou então em "Thinkin' Bout You", que Justin Bieber regravou, mas trocando uma frase em que aparecia "boy" por "girl".

Nos sites americanos, o texto escrito por Frank Ocean foi recebido da forma mais paquidérmica possível: "ele é gay", "ele é bissexual", "ele saiu do armário" eram as manchetes. Ok, por mais que o "Yep, I'm gay" tenha marcado época, já está na hora de ir além, não é? A necessidade de definir "o que é Frank Ocean" era uma tentação muito grande. Especialmente no mercado hip-hop/R&B, notoriamente conhecido por sua homofobia  e intolerância, especialmente com negros de diferentes orientações sexuais. 

Essa revelação às vésperas de lançar um aguardado disco novo pode ter sido golpe de marketing? Há essa possibilidade, claro - Frank Ocean não seria nem o primeiro nem o último a usar da estratégia. Porém, isso não interfere no brilhantismo de Channel Orange, o melhor disco que ouvi esse ano. A sonoridade "black" do disco lembra os melhores momentos de Stevie Wonder e Prince, mas com toques contemporâneos de guitarras,  violinos e até música eletrônica que alguns estão chamando até de "neo-R&B".

Channel Orange é daqueles álbuns que se pode ouvir sem pular nenhuma faixa do início ao fim - incluindo os interludes. Por isso mesmo, é difícil encontrar uma única canção de destaque em meio a tanta coisa boa: "Pyramids" é um épico que vai do Egito antigo até um clube de prostituição de New Orleans; "Super Rich Kids" descreve os jovens abastados que na verdade só procuram um amor de verdade em meio à solidão; "Sweet Life" é pra elevar o espírito com um estilo black ano 70 delicioso; a cativante "Forrest Gump"  compara o amor (masculino) do cantor com o protagonista do filme de Robert Zemeckis.

Mas se é pra escolher uma canção apenas, fico com a curta e devastadora "Bad Religion", candidata a melhor composição do ano. Como em várias de suas músicas, aqui Frank Ocean conta uma história: ele está num táxi, e pede ao motorista para ser seu psicólogo por  uma hora. A partir daí, o cantor faz um tocante paralelo entre o amor não correspondido que sente por um homem com a devoção cega de várias religiões. Nos versos mais criativos e tristes de 2012, Ocean canta:

Unrequited love
To me is nothing like a one man cult
And cyanide in my styrofoam cup
I can never make him love me

Em sua interpretação de cortar o coração no programa de Jimmy Fallon na semana passada, o cantor levou a canção a um outro patamar de emoção. 


Com um talento desse tamanho (e suscitando discussões sobre sexualidade bastante pertinentes), Frank Ocean parece se confirmar como um dos nomes mais quentes não só do R&B, mas da música contemporânea dos EUA.

Dois lados do mesmo chocolate




Se toda a diferença entre a direita e  a esquerda fosse uma barra de chocolate, tudo seria ótimo...

Sunday, July 8, 2012

Fotógrafos: Mark Seliger


É impossível pensar nos últimos 20 anos da revista Rolling Stone sem pensar no trabalho de Mark Seliger. Assim como Annie Leibovitz foi responsável pelas marcantes imagens da publicação nos anos 60 e 70, foi Seliger o fotógrafo oficial de praticamente todas as capas da Rolling Stone a partir dos anos 90. No clique abaixo, alguns dos trabalhos de Mark Seliger que acho mais bacanas.

Monday, July 2, 2012

4 mulheres de...

...QUENTIN TARANTINO.


- Mia Wallace (Uma Thurman, PULP FICTION): Femme fatale ícone do universo filme B criado pelo diretor, aparentemente existe simplesmente como tipo - nesse caso, "mulher do gângster". Porém, quando a conhecemos melhor, vemos que ela tem opiniões bastante definidas sobre sexo, drogas e ...milkshake. 

- Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent, BASTARDOS INGLÓRIOS): Única sobrevivente do massacre que dizimou sua família durante a campanha nazista na França, busca vingança contra seus inimigos usando uma das armas mais eficientes já criadas: o cinema. 

- A Noiva (Uma Thurman, KILL BILL Vol. 1 & 2): Noiva. Mãe. Assassina. Nascida como ideia de piloto de TV para Mia Wallace, nada a impedirá de completar sua vingança, matando um por um aqueles que impediram sua felicidade. 

- Jackie Brown (Pam Grier, JACKIE BROWN): Aeromoça de meia-idade cansada da vida encontra mala cheia de dinheiro. Mafiosos, cafetões, policiais corruptos e Bridget Fonda vêm de brinde.

Notícias do Trenó


- Naomi Watts como Princesa Diana no filme novo de Oliver Hirschbiegel.

- Anderson Cooper sai do armário.


- Estaria o hit "Call Me Maybe" ajudando o movimento gay?


- Seria REENCARNAÇÃO o novo UM CORPO QUE CAI?


- BLADE RUNNER refeito com tintura a óleo. Impressiona.

20 anos de BATMAN O RETORNO



BATMAN O RETORNO foi o que me fez descobrir o verdadeiro significado de hype. O ano era 1992, e pela primeira vez passei a procurar desesperadamente por notícias, fotos e vídeos de um filme. Afinal de contas, ele se tornou um dos melhores filmes de superheróis de todos os tempos e a minha produção preferida da série BATMAN (sorry, Christopher Nolan). Para minha surpresa, descobri que semana passada o filme completou 20 anos de lançamento.

Para dizer a verdade, não consigo explicar porque queria tanto assistir a BATMAN O RETORNO. Tinha assistido ao primeiro BATMAN em VHS e, apesar de ter gostado (Jack Nicholson realmente impressiona e aquela cena na galeria de arte é um dos meus momentos favoritos do cinema de Tim Burton), está longe de ser um dos meus filmes preferidos.

Por outro lado, tudo sobre BATMAN O RETORNO eu lia avidamente: primeiro sobre o retorno de Michael Keaton, depois a escolha do Pinguin e da Mulher-Gato para vilões (dois vilões!), e finalmente a novela sobre a escolha da atriz para fazer Selina Kyle, cujos nomes dados como quase certos várias vezes eram o de Madonna e Rachel Welch.

Posteriormente, quando as primeiras fotos foram divulgadas fiquei ainda mais impressionado:  o Pinguin era nojento e a Mulher-Gato era diferente de tudo  que já tinha sido feito - afinal de contas, ela usa praticamente um figurino sadomasoquista. Lembro claramente de ter visto pela primeira vez imagens do filme no Video-Show (ainda apresentado pelo Miguel Fallabella!). Duas cenas eram rapidamente mostradas: a briga entre Batman e a Mulher-Gato no telhado e a sequência em que a vilã está na loja de departamentos. O programa exibiu magens de making of (depois usadas como extra no DVD) de Michelle Pfeiffer treinando e depois tentando - sem CGI! - arrancar a cabeça a de cada um dos manequins com o chicote. 


Premiere do filme

Eu vi esse filme no cinema pelo menos umas cinco vezes e quando o pego pela metade na TV hoje em dia sempre paro pra dar uma olhadinha. Várias coisas ainda me impressionam: a doentia gangue do circo, a construção dos três personagens principais como se fosse um triângulo amoroso, Michelle Pfeiffer colocando um pássaro vivo na boca, a trilha operática de Danny Elfman, a princesa do gelo morta, entre outros. Mas nada é mais tocante que a sequência do baile de máscaras, com Michael Keaton e Michelle Pfeiffer excelentes, ao som de Siouxsie and the Banshees, em uma das mais lindos momentos da filmografia de Tim Burton.