Sunday, April 28, 2013

Clipografia: Megaforce



Uma das principais forças criativas em ascensão hoje no mundo do videoclipe, a trupe do Megaforce consiste de quatro diretores/diretores de arte/designer gráficos (Charles Brisgand, Clément Gallet, Léo Berne e Raphaël Rodriguez) que aos poucos vem construindo uma das mais sólidas videografias do século XXI. Com pouco mais que dez clipes, o Megaforce já é um dos nomes mais requisitados para a direção de vídeos musicais, seja de bandas indie ou de mega-stars.

No clique abaixo, os clipes que mais gosto do Megaforce.

Top 10: Filmes mais aguardados de 2013

5- AUGUST: OSAGE COUNTY



Saca esse elenco: Meryl Streep, Julia Roberts, Ewan McGregor, Sam Shepard, Benedict Cumberbatch, Chris Cooper, Juliette Lewis, Dermot Mulroney, Abigail Breslin. Podia ser qualquer filme que já ia estar na fila, mas se trata da adaptação de uma das mais aclamadas peças do teatro contemporâneo americano, vencedora do Pulitzer e do Tony. 

A história se passa quando o marido de uma matriarca sulista viciada em comprimidos (Streep) desaparece e suas filhas, acompanhadas de seus respectivos esposos/namorados aparecem para ajudar na busca. A lavação de roupa-suja familiar começa e salve-se quem puder. Dizem que o estilo é super Tennessee Williams, o que já me deixa salivando. O filme já teve as primeiras exibições-teste e, obviamente, todos dizem que Meryl Streep já é favoritíssima ao Oscar (qual ano não é?) O tipo de filme que não vi e já gostei.

Saturday, April 20, 2013

LIBERAL ARTS



Há muuuuuito tempo que não via um comédia romântica tão bem escrita e com personagens tão carismáticos quanto LIBERAL ARTS, o charmosíssimo filme escrito/dirigido/protagonizado por Josh Radnor (mais conhecido pela série "How I Met Your Mother"). Misturando elementos do gênero "campus comedy" (filmes americanos focados na vida universitária), uma pitada de hipsterismo, uma interessante reflexão sobre amadurecimento e um inveterado amor pela literatura, LIBERAL ARTS diverte de uma forma genuína e com um frescor único mesmo no cenário do cinema independente.

O filme conta a história de Jesse (Radnor), um morador de Nova York bastante insatisfeito com seu trabalho burocrático, que recebe o convite para uma homenagem a ser feita a um antigo professor, Peter(Richard Jenkins), na faculdade onde estudou. Jesse então conhece Lizzie (Elizabeth Olsen), uma estudante de graduação por quem vai se apaixonar e fazer com que ele veja a vida de uma forma diferente.

Uma das coisas mais interessantes de LIBERAL ARTS consiste na forma com que lida com certos clichês de filmes sobre amadurecimento - já vistos em GARDEN STATE ou em todo filme de Cameron Crowe - de maneira nova e até mesmo surpreendente. Os diálogos de Radnor inevitavelmente passam pelo semi-autobiográfico, o que acaba tornando até mesmo os momentos mais simples algo de genuíno e cativante.


Esse frescor que nos faz gostar dos personagens de cara é grande parte mérito do elenco -todo espetacular. Radnor interpreta Jesse como uma espécie de "everyday man", o que é uma escolha feliz para um personagem que podia facilmente se tornar um "tipo". Elizabeth Olsen, provavelmente a mais talentosa jovem atriz em atividade no cinema americana, é de uma naturalidade assustadora - sente-se empatia e cumplicidade com ela desde a primeira cena. Richard Jenkins em uma cena devastadora já vale o filme (e a forma com que a storyline dele se liga a de Jesse/Lizzie é bastante inteligente). Zac Efron também faz papel-surpresa com um personagem nada a ver, mas super divertido. E nenhum filme independente americano pode existir sem Allison Janney, que faz o papel de uma professora universitária com uma cena pós-sexo que já vale o filme.

O principal charme de LIBERAL ARTS para mim, contudo, foi a expressão de seu amor inveterado por livros, literatura, e a discussão sobre o próprio ato de ler. O filme cita Keats ("Ode on a Grecian Urn" acima de tudo!), Blake (Songs of Innocence and Experience), Crepúsculo, Drácula e, especialmente, David Foster Wallace. O escritor pós-moderno, que se suicidou em 2008, tem uma relação direta com o filme. A obra-prima de Wallace, Infinite Jest, é um dos livros preferidos de Jess e também de um aluno deprimido, Dean (John Magaro, excelente), com quem ele desenvolve uma amizade. O nome do romance (espertamente) nunca é mencionado de forma direta, mas pela capa e por alguns comentários sobre ele, é possível perceber que se trata de Infinite Jest.

Além disso, LIBERAL ARTS foi praticamente todo filmado em Kenyon College, faculdade onde estudaram Josh Radnor (mais um aspecto autobiográfico) e Allison Janney. Foi exatamente em Kenyon College que David Foster Wallace fez seu antológico discurso "Isto é água" para uma turma de formatura. 


O discurso - que hoje já faz parte de várias coletâneas de literatura norte-americana - fala sobre realidade, amadurecimento, auto-afirmação e a necessidade de ser livre, temas também bastante presentes em LIBERAL ARTS.

Em resumo, LIBERAL ARTS é uma comédia romântica não apenas sobre amadurecimento mas também bastante madura, lidando de forma apaixonada com o mundo universitário e literário.

Tuesday, April 2, 2013

O maior coreógrafo do mundo

Vincent Paterson pode ser considerado o coreógrafo mais bem-sucedido e influente da história recente da dança. Obviamente, isso se deve especialmente ao fato de ter definido as coreografias mais marcantes dos dois maiores ícones da música dos últimos trinta anos: Michael Jackson e Madonna. Contudo, ele também é responsável por coreografias de filmes, programas de TV e espetáculos teatrais e circenses. Um documentário sobre a vida e trabalho do artista, chamado THE MAN BEHIND THE THRONE, será lançado esse ano e parece ser imperdível. Olha o trailer:



Paterson começou como dançarino em vários filmes até que sua carreira ficou para sempre entrelaçada à de Michael Jackson. Ele começou como um dos zumbis do clipe de "Thriller" para logo depois ser um dos dançarinos principais do clipe de "Beat It", ao lado de outro lendário coreógrafo: Michael Peters. Se você se lembram, o clipe de "Beat It" mostra uma luta de duas gangues: uma comandada por um negro (Michael Peters, o criador dos passos de dança tanto de "Beat It" quanto de "Thriller") e a outra por um branco (que era interpretado por Vincent Paterson).



Já alçado a categoria de coreógrafo oficial de Michael Jackson, Paterson posteriormente foi o criador dos geniais movimentos de dança do segmento de "Smooth Criminal" do filme MOONWALKER, que depois virou clipe. As referências aos musicais de Vincent Minelli (especialmente A RODA DA FORTUNA) foram ideias de Paterson, assim como algumas inovações para o rei do pop, como o uso de efeitos especiais na sua dança (o famoso passo em que ele se inclina todo para a frente) e o fato de dançar em dupla com uma mulher. 



Em seguida, Paterson também coordenou toda a coreografia da turnê "Bad". Além disso, é de Paterson também a coreografia do fantástico clipe de "Black or White", onde MJ  mescla seus passos de dança característicos a danças folk, como a tailandesa e a russa. 




Um dos últimos trabalhos de Paterson ao lado de Michael Jackson promovido à categoria de diretor, com o clipe de "Blood on the Dance Floor".



Vincent Paterson também trabalhou com Madonna, definindo algumas das coreografias mais marcantes da Rainha do Pop. Foi ele o responsável, por exemplo, por toda a coreografia da "Blond Ambition Tour", a turnê mais espetacular da cantora, e que depois deu origem ao filme NA CAMA COM MADONNA. Difícil escolher a melhor coreografia, mas uma que gosto muito (e cujo ensaio é brevemente mostrado no trailer do documentário THE MAN BEHIND THE THRONE) é a de "Keep it Together", que mistura CABARET com LARANJA MECÂNICA.



É de Paterson também a coreografia da histórica apresentação de "Vogue" feita por Madonna, como uma Maria Antonieta depravada, no MTV Movie Awards de 1990.



Paterson também trabalhou diretamente com Madonna ao desenvolver a coreografia do filme EVITA, de Alan Parker, sendo responsável pela concepção especialmente das cenas de tango que a cantora teve que interpretar.



Ainda no mundo do cinema, foi Paterson o coreógrafo do filme DANÇANDO NO ESCURO, de Lars Von Trier, desenvolvendo os passos de dança dos momentos-chave da produção, especialmente a sequência do "I've Seen It All" com Bjork.



Além disso, Paterson também concebeu as sensualíssimas sequências coreografadas de Natalie Portman no filme CLOSER, de Mike Nichols.




O jeito agora é esperar pelo documentário THE MAN BEHIND THE THRONE para ver mais do trabalho desse mestre da dança.

Top 10: FIlmes mais aguardados de 2013

6- ONLY GOD FORGIVES


Depois do espetacular DRIVE, Nicolas Winding Refn retoma a parceria com Ryan Gosling para um filme que parece ser ainda mais barra-pesada: tem gângsters, drogas, boxe tailandês e muita porradaria. Além disso, pelo rapidíssimo teaser acima, podemos conferir o estilo característico de Refn - com luzes de neon e um certo artificialismo - e Kristin Scott Thomas, que eleva o patamar de tudo o que participa. Quero logo um trailer de verdade!