APENAS UMA VEZ

APENAS UMA VEZ surpreende por ser uma love story musical que é anti-romântica e anti-musical. Não que o filme seja crÃtico com relação a esses estilos consagrados do cinema. A questão é que a grande vitalidade que emana da tela vem do poder de sugestão não só do roteiro como também das atuações – o filme se constrói nas entrelinhas e no não-dito, e a simplicidade aparente esconde uma profundidade de sentimentos talvez só captada pelos mais sensÃveis.
A atração de um cantor de rua por de uma moça simples em Dublin a princÃpio parece ser uma história de amor como outra qualquer. Mas quando a singeleza da produção ultrapassa os clichês do gênero (ninguém quer interromper o amor dos dois de forma direta, não existe um ‘vilão’ a não ser as próprias circunstâncias), APENAS UMA VEZ se abre para infinitas possibilidades que tornam o filme imprevisÃvel.
Além do mais, as músicas são mostradas como se fossem realmente sido compostas à pouco – há um senso de urgência e ao mesmo tempo de leveza não só na melodia mas também nas cenas que envolvem as canções. Destaque para When your mind’s made up e Falling Slowly, a canção vencedora do Oscar 2008.
Triste e feliz ao mesmo tempo, APENAS UMA VEZ é uma pequena jóia até mesmo quando se pensa na conjuntura do cinema independente atual. ImperdÃvel.