- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

O filme mais aguardado de 2011

Jane Eyre Mia Wasikowska Michael Fassbender 425x178 O filme mais aguardado de 2011 24 quadros por segundo

Eu acabei de fazer minha lista de filmes mais aguardados de 2010 e já tenho o candidato a produção que mais quero ver em 2011. Não só é um dos meus livros preferidos, mas tem um diretor talentoso e um elenco maravilhoso, incluindo dois protagonistas que podem se tornar dois dos grandes nomes de Hollywood no futuro.

Trata-se de JANE EYRE, adaptação do clássico de Charlotte Brontë. Uma das histórias de amor mais famosas da literatura, o livro narra a história de amor complicada entre Jane – moça não muito bonita e de origem pobre, porém determinada -  e Rochester – um típico gentleman britânico com um segredo no sótão. JANE EYRE já teve inúmeras adaptações, e entre as atrizes que viveram o papel dessa heroína da literatura inglesa estão Joan Fontaine, Samantha Morton, Anna Paquin e Charlotte Gainsbourg.

Dessa vez, a atriz principal será Mia Wasikowska, que está com tudo depois de protagonizar a mega-produção ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS de Tim Burton e o hit independente THE KIDS ARE ALRIGHT. A atriz recebe elogios por onde passa e acredito que ela tem o look perfeito para Jane Eyre – aparentemente frágil, mas desafiadora. Quem vai fazer o atormentado Rochester (papel que já foi vivido por Orson Welles) vai ser Michael Fassbender, que tem tudo para ser o novo George Clooney. O cara chamou a atenção de todos com sua brilhante atuação em HUNGER e também teve um pequeno mas decisivo papel em BASTARDOS INGLÓRIOS. Também não é à toa que ele estará nos próximos filmes de Neil Marshall, Steve Soderbergh e David Cronenberg. Rochester pode catapultá-lo ao mega-estrelato.

O diretor será Cary Fukunaga, que fez um dos filmes mais interessantes de 2009: SIN NOMBRE (se você não viu, vá ver). A escolha é pra lá de inusitada, já que SIN NOMBRE é sobre gangues e imigrantes ilegais da América Central – e o diretor pulou direto pra um clássico da Inglaterra vitoriana. Bem, depois que Ang Lee provou que não precisa ser nenhum lorde inglês para transpor um clássico da literatura britânica para as telas (vide RAZÃO E SENSIBILIDADE), acredito que Fukunaga pode sim trazer uma nova visão para a história de Charlotte Brontë.

O elenco ainda inclui nomes como Judi Dench, Jamie Bell e Sally Hawkins. Resta a dúvida se essa versão de JANE EYRE vai ser uma produção histórica de pedigree (estilo ORGULHO E PRECONCEITO) ou ser quase que independente (estilo BRIGHT STAR). Contudo, antes de mais nada, o filme tem que ser bom. Portanto, torço muito pra que Michael Fassbender e Mia Wasikowska consigam viver seus personagens de forma arrebatadora.

Dois Shakespeares pouco comuns

shakespearepa 449x600 318x425 Dois Shakespeares pouco comuns 24 quadros por segundo

Dois projetos pouco usuais relacionados a William Shakespeare estão a caminho. Um parece que vai lançar luz sobre a vida do bardo inglês; o outro quer dar uma nova leitura a uma das mais célebres obras do dramaturgo.

O primeiro desses filmes se chama ANONYMOUS e vai ser dirigido por Roland Emmerich (!!!) O diretor se baseia naquela teoria manjada de que quem escrevia as obras de Shakespeare era o Earl of Oxford. De acordo com o Emmerich vai ser algo com ritmo de thriller, mas só espero que isso não signifique uma versão elizabetana de O CÓDIGO DA VINCI. O elenco, contudo, é bem interessante: Rhys Ifans, David Thewlis e Vanessa Redgrave como Elizabeth I (wow!) Quem diria que Emmerich reuniria um elenco digno de filme de HARRY POTTER. Vamos ver no que dá…

Já o segundo projeto é ainda mais interessante porque vem da mente divertidamente alucinada de Julie Taymor. Seu último trabalho foi o lisérgico ACROSS THE UNIVERSE, e quem já viu sua versão de TITUS ANDRONICUS sabe do que ela é capaz com uma obra de Shakespeare. Dessa vez, a diretora se aventura em A TEMPESTADE, a última e maravilhosa última peça do dramaturgo inglês. O elenco é interessantíssimo, misturando atores mais do que shakespearianos como (Alan Cumming), americanos (Chris Cooper) e até figuras que jamais imaginaria ver ligadas ao bardo (Russel Brand). Mas a grande novidade de Taymor é mudar o gênero do personagem central da peça – Próspero. Nessa nova versão, ele será uma mulher chamada Próspera, vivida por ninguém menos que Helen Mirren. Nem imagino como vá ficar, mas adoro essas brincadeiras com os clássicos. Tomara que o resultado seja bom.

Pop Erudito: Takashi Murakami + Kirsten Dunst + McG

kirsten dunst takashi murakami mcg akihabara film 1 424x283 Pop Erudito: Takashi Murakami + Kirsten Dunst + McG pop erudito

Dos artistas contemporâneos, não tem nenhum que eu admire mais que Takashi Murakami. De certa forma, ele até serviu como um dos motivos de eu estar estudando japonês. Murakami é famoso pelas suas obras multi-coloridas, com um certo apelo infantil, mas também ricas em um subtexto ‘dark’ e altamente sexuais.

Muitos o consideram o principal artista da Pop Art depois de Andy Warhol, e suas obras realmente impressionam numa avalanche de referências à grande parte da cultura popular japonesa – que por sua vez já é uma releitura da indústria de entretenimento norte-americana. Na verdade, para Murakami não existe mesmo muita diferença entre ‘arte’ e ‘indústria’, já que suas obras são licenciadas em dezenas de produtos. Afinal, quem nunca viu a imagem da florzinha sorridente criada por ele?

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Mês passado, tive o prazer de visitar a excelente exposição ‘Pop Life – Art in a Material World’ no Tate Modern, onde várias obras de Murakami estavam sendo exibidas. Entre elas, tirei uma foto (escondida do guarda) do famoso ursinho hip-hop que depois foi utilizado por Kanye West (cujo disco ‘Graduation’ tem todo o encarte feito por Murakami).

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Nessa exposição, um dos destaques era a exibição da vídeo-instalação ‘Akihabara Majokko Princess’, idealizada por Murakami e dirigida por McG (dos dois AS PANTERAS e do último EXTERMINADOR DO FUTURO). Mesmo sendo um diretor de cinema bem fraquinho, McG se dá melhor no terreno do videoclipe (de onde saiu) – e nesse vídeo sendo guiado pelo célebre artisa japonês, se deixa delirar.

A protagonista do vídeo é Kirsten Dunst, fofíssima com uma peruca azul e com roupinha de boneca-fada-sexy caminhando pelas ruas de Tóquio cantando a música ‘Turning Japanese’, da banda The Vapors. Um dos objetivos principais do vídeo é servir de retrato do distrito de Akihabara, capital da cultura ‘otaku‘ no Japão. De certa forma, o vídeo serve como um retrato talvez da principal questão da arte contemporânea: a demolição da barreira entre a ‘alta cultura’ e ‘ baixa cultura’. Mesmo sendo extremamente divertido e absurdo (Takashi Murakami faz até uma ponta, fantasiado de uma de suas obras), o vídeo deixa a entender essa preocupação que é central nas obras do artista. Assista  abaixo:

Pop Erudito: Walt Whitman + Levi’s

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Para desespero de uns e deleite de outros, os novos comerciais da marca americana Levi’s usam dois marcantes poemas de Walt Whitman (o maior poeta da literatura dos EUA) para vender… calças jeans.

Como essa discussão sobre (arte versus comércio) é tãaaaaaao anos 80, nem vou falar isso aqui. Fato é que os comerciais são extremamente originais e realmente apresentam um frescor que vão além de modelos anoréxicas em produções exageradamente manipuladas digitalmente. Esse frescor é milimetricamente planejado? Claro que é! Mas a criatividade aqui faz toda a diferença para transformar um mero minuto de “compre essa calça jeans” numa pequena pérola artística.

Os dois comerciais, que tem como slogan “Go Forth”, foram ficaram a cargo de Cary Fukunagaque será o diretor da futura versão de Jane Eyre para o cinema. O primeiro comercial usa o poema “Pioneers! O Pioneers!” de Whitman, que em linha geral fala dos exploradores responsáveis pela expansão territorial dos EUA. Usando uma estética que ilustra a aproximação dos jovens com a natureza e o com um aspecto selvagem, a propaganda tem um apelo moderno e ao mesmo tempo poético.

O segundo comercial da linha “Go Forth” é ainda mais simbólico. Usando dessa vez o poema “América”, a propaganda utiliza a voz do próprio Walt Whitman (gravada de forma rudimentar no final do século XIX!) narrando seu texto. É uma América de cunho romântico, mesmo que esse romantismo agora inclua novas identidades que no tempo de Whitman não faziam parte do sonho americano (especialmente os negros, maioria no comercial).

Mesmo com bandeiras dos EUA ao vento, o comercial passa longe da patriotada – começando com a palavra AMERICA em neon quase submersa. Parece haver uma espécie de narrativa, com um empresário engravatado sendo acuado e mostrado com um olhar desesperado. Claro que ele não se encaixa no modelo de consumidor da Levi’s – o belo e endinheirado de 18 a 34 anos que faz a alegria de qualquer marca de roupas. Talvez por isso esse segundo comercial seja tão esperto: acaba nos convencendo que os verdadeiros norte-americanos e aqueles que fazem parte do público alvo da empresa são a mesma pessoa.

A campanha “Go Forth” também está sendo usada na mídia impressa, com fotografias de um tom lírico clicadas por Ryan McGinley e com alguns trechos de poemas de Whitman também.

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Para aqueles que acham isso o exemplo máximo da massificação da maior voz poética da literatura norte-americana, tornando arte em comércio, só resta pegar as tochas. Mas há de se admirar a criatividade e o talento por trás da criação dessas (e porque não?) também belas obras de arte.