- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

Laura Linney no auge aos 46

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A sempre ótima revista de domingo do NYT traz essa semana um perfil de Laura Linney, prestes a estrear a aguardada série The Big C, sobre uma mulher que descobre um câncer terminal e passa a adotar uma nova perspectiva com relação à vida.

A série, cujo primeiro episódio foi dirigido por Bill Condon (que já dirigiu Linney em KINSEY), parece que vai ter um tom bem bittersweet – o que já amei. Um gostinho disso dá pra ter na cena liberada no site do NYT, em que a atriz tem uma diálogo maravilhoso com Gabourey Sidibe sobre educação, obesidade, e O PATRIOTA com Mel Gibson.

O artigo do NYT é bem interessante, fazendo um apanhado da carreira de Laura Linney e mostrando como a televisão tem se mostrado um excelente refúgio para atrizes de talento com mais de 40 (Kyra Sedgwick, Mary-Louise Parker, Eddie Falco) terem bons papéis.

Alfabeto dos Geeks

Essa camiseta, ilustrando o Alfabeto dos Geeks, é fantástica. Consegui desvendar numa primeira olhada uns 10 dos personagens apresentados. E você?

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LOST – Comentários sobre o final da série

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É inevitável que uma série como LOST, tão marcada por mistérios e inúmeras perguntas, tenha muito de sua qualidade definida pelo nível de satisfação de seu final. Mesmo com o papo de “o que importa foi o caminho percorrido” e bla bla bla, todo mundo quer que o final seja no mínimo recompensador.

Contudo, o mais curioso é que muito sobre LOST não vai ser julgado pelo seu episódio final, mas especialmente pelos seus 20 minutos finais. E numa série dada a inúmeras referências, esse final não podia ser diferente: foi de citações a preceitos do Budismo e do Cristianismo, passando por MATRIX e O SEXTO SENTIDO. Mas me parece que muito da decepção ou da satisfação com relação ao final de LOST passa mais por uma questão crucial:

Os roteiristas-produtores não se preocuparam em explicar o que era a ilha, e sim o que eram os flash-sideways.

Está claro pra mim que essa é a primeira constatação de qualquer um que tenha a pretensão de discutir o tão desejado ‘significado’ da série (ou a falta dele). Na verdade, o abandono de alguns mistérios ou arcos narrativos (qual a importância de Walt? quem está por trás da Hanso Foundation? qual a razão do embate entre Widmore e Benjamin Linus?) foi feito para se dar ênfase a um único – qual a razão da tal realidade alternativa fora da ilha? Acontece que essa é uma preocupação apenas da última temporada, e não da série inteira. E daí que o nosso julgamento do final da série tem de passar irrevocavelmente pela nossa opinião da 6ª temporada.

Para mim, de todas as imensas qualidades de LOST, a maior delas é a criatividade em trabalhar sua narrativa – múltipla, fragmentada, plural. A série começou com o recurso tradicional do flashback, depois passou pelo mais inovador flashforward, e aí para uma narrativa de viagem no tempo e finalmente inventou uma nova realidade. Ou seja: começou trabalhando de forma convencional as questões de tempo (pra frente ou para trás), depois desconstruiu essa própria noção com as viagens no tempo e, ao final, ultrapassou não só os limites de tempo mas também as de espaço criando os flash-sideways.

Só que ficar na narrativa pura não dá uma série de sucesso: LOST também tinha personagens cativantes com micro-histórias que, sozinhas, dariam origem a várias outras séries interessantes individualmente. Junte-se a isso a questão dos mistérios inacreditáveis que se misturava à campanha de marketing que marcou época, e temos um dos principais fenômenos da cultura/entretenimento desse início de século.

Em se tratando de LOST, a 6ª temporada foi incrivelmente irregular. Todo aquele arco narrativo do Templo teve poucos momentos importantes e parece não ter levado a lugar nenhum. Os próprios acontecimentos da ilha estavam um tanto desinteressantes – apoiando-se basicamente no binômio Jacob/Homem de Preto e no talento de Terry O’Quinn.

O que havia de realmente marcante, questionador, surpreendente ou no mínimo curioso acontecia nos flash-sideways. Mesmo nos episódios mais fracos (como no de Kate ou no de Sun/Jin), havia algo que nos levava a considerar os paralelismos entre aquela realidade e a realidade da ilha. Em seus melhores episódios (como no de Desmond, em que começa a se delinear a junção entre os dois universos), somos apresentados aos melhores aspectos das duas esferas tão mencionadas pelos fãs, mas que no fundo sempre estiveram unidas: o da ‘mitologia’ e o das ‘histórias individuais’.

Assim sendo, por um lado gostei bastante da importância dada aos flash-sideways no final – e de certa forma, a ênfase quase que total nas tais ‘histórias individuais’ deixando vários aspectos da  ‘mitologia’ de lado (sim, ficamos sem saber o que era o pássaro que dizia o nome do Hurley na 1ª temporada). Contudo, quando o final se concentrava nesses aspectos ‘mágicos’, não convenceu muito. A tal caverna mágica pode ter inúmeros simbolismos, mas acabou se reduzindo a um recurso chinfrim pra criar um final com destruição digno de filme de James Bond (daqueles com o Roger Moore), com direito a câmera tremendo pra fingir que é terremoto. Mesmo eu talvez sendo o único a ter gostado de “Across The Sea” (aka, o episódio da mãe do Jacob/Homem de Preto), foi estranho ser apresentado aquilo tudo tão perto do final – ficou parecendo que a caverna mágica foi um recurso de última hora pra explicar a ilha e muita coisa relacionada a ela.

E aí chegamos a um ponto importante: onde ficou a ciência em LOST?  Muitos abandonaram a história na 5ª temporada, quando começou a narrativa das viagens no tempo e a série saiu do armário da ficção científica. Nessa 6ª temporada, quem gostava mais dos aspectos científicos em LOST (como Dharma, eletreomagnetismo, ‘buraco de minhoca’ etc), que chegaram ao seu ápice na 2ª temporada, se desiludiu de vez com a ênfase (talvez exagerada) em aspectos simbólicos e altamente subjetivos.

Eu acredito que de certa forma podemos interpretar isso como mais um aspecto da multiplicidade de leituras de LOST – que é uma de suas principais características (e agradeço profundamente Cuse e Lindelof por nos poupar de explicações timtim por timtim). Muitos dos mistérios de LOST podem ser lidos como a emergência de questões mágicas/imaginativas/simbólicas, mas também como aspectos científicos da ilha. Desde o urso polar (cobaias da Dharma ou representação dos poderes de Walt ao ler HQ?) até a própria caverna mágica (luz primordial ou descarga eletromagnética?), muito pode visto dessa forma dual.

No entanto, é nesse entre-lugar entre o científico e o simbólico que reside uma das principais questões não só de LOST mas de praticamente todas essas grandes narrativas contemporâneas da cultura pop: porque não satisfeitas com a própria força de seu enredo e com a construção de seus personagens, essas histórias tem de recorrer a um inevitável discurso religioso?

Não digo que isso seja bom ou ruim – apenas acho um fenômeno extremamente complexo. Qual a necessidade de obras literárias, cinematográficas ou da TV precisarem imbuir o seu ‘sentido final’ a uma esfera religiosa? Sendo mágica (HARRY POTTER), gótica (O SEXTO SENTIDO) ou de ficção científica (BATTLESTAR GALACTICA, AVATAR, MATRIX), parece que a própria natureza intrincada de suas histórias não lhe bastam: precisam de um ‘purgatório’, de uma figura messiânica, de um comentário sobre reencarnação.

Eu chamo esse fenômeno de “Chico Xavierzação” da cultura pop. Novamente, não sei se isso é válido em si. Não que seja novidade – a ficção científica especialmente é famosa por sua conexão com o místico. Mas essa ligação com o religioso hoje em dia me parece que é usado, antes de mais nada, como um discurso legitimador, do tipo “tem um monstro de fumaça que solta faísca, mas no fundo ele é a representação da queda de Adão. Viu como a série é profunda?”

E LOST, como principal narrativa de ficção científica pós-MATRIX, seguiu o mesmo caminho. Sabendo que não importa a explicação que fossem dar sobre a ilha, ela nunca seria satisfatória o suficiente, preferiram se concentrar nos flash-sideways. Só que essa explicação foi tão pesada no quesito religioso que me pergunto se precisava realmente daquilo tudo. Quando no episódio “Happily Ever After” se esboçou uma teoria de que tudo era o ‘amor’, muitos acharam patético. Mas não sei se seguir a veia unicamente sentimental teria sido tão ruim. Não que esse episódio final não tivesse seus momentos extremamente tocantes: Sun/Jin (chorei), Charlie/Claire (chorei muuuuito), Sawyer/Juliet (ri e chorei ao mesmo tempo).

Aliás, não é engraçado perceber que aqueles diziam “é o purgatório” estavam certos desde o início? Eles só estavam falando da realidade errada. E como o Rômulo tinha dito, teve até cena à la “Dumbledore explica tudo a Harry”, só que dessa vez com Christian Shephard (e pra quem não pegou a referência do nome, estava lá a Kate pra fazer piadinha e esfregar na nossa cara).

Falando especificamente do destino dos personagens:

- gostei muito do Jack nessa temporada. Teve final merecido e achei ótimo o “mini-flashback do amor” (golpe de mestre de Cuse & Lindelof) mais importante ser causado pelo seu pai e não por Kate.

- Kate excelente. Evangeline Lilly se redimiu de péssimos episódios.

- finais amorosos fofos: Sun/Jin, Charlie/Claire, e especialmente, Juliet/Sawyer.

- final amoroso meio forçado: Shannon/Sayid

- Locke: talvez o melhor “mini-flashback”, com ele mexendo o pé. E impressionante como a interpretação do Terry O’Quinn mudou.

- Ben: desfecho redentor para o personagem. E ele falar pro Locke levantar, muito bonito.

- Hurley: o novo Jacob, me surpreendi. Mas de forma positiva.

- Desmond & Penny: mereciam uma super cena, mas quem fez “The Constant” não precisa de mais nada.

Se teve uma coisa que gostei muito desse final foi que, ao mesmo tempo em que há um final redentor (de Cristo Redentor na entrada da igreja, mais especificamente) para os personagens, por outro lado há um certo amargor no destino deles fora dali. Jack morre na ilha acompanhado por Vincent, e por mais que seja por causa de seu heroísmo e sua recém-adquirida fé, é muito triste. Mais triste ainda é saber que os tripulantes do avião (Kate, Sawyer, Miles, Lapidus – vivo! – e Alpert –vivo!) provavelmente tiveram uma experiência de vida vazia e sem sentido se considerarmos seus flash-sideways. Afinal, Christian Shephard diz para Jack: “Alguns morreram antes de você, outros muito tempo depois de você”.

Mas a frase mais significativa de Christian para Jack Shephard foi: “Não existe o aqui e o agora.” E como tudo em LOST, pode-se ler isso de várias formas: a explicação mais óbvia seria uma mistureba new age de todas as religões (claramente retratadas no vitral atrás do personagem). Mas prefiro ler essa afirmação como uma reafirmação das maneiras como LOST sempre inteligentemente subverteu o esquema da narrativa linear. Depois de tanto falar sobre manipulações de tempo/espaço, chegou a hora de afirmar que ambos os conceitos são meramente discursos subjetivos – o ‘aqui’ e ‘agora’, ao final, realmente não fizeram a menor importância para aqueles que tiveram os momentos mais importantes de suas vidas na ilha.

Como não podia deixar de ser em LOST, é um final com mais perguntas que respostas e fico feliz que tenha sido assim. A própria questão de porque aquelas pessoas especificamente estavam na igreja vai ser debatida pra sempre, assim como debatemos por anos porque aquelas pessoas especificamente estavam na ilha.  Podemos até chegar a pensar quem estaria na ‘nossa igreja’, ou quem seria o ‘nosso Christian Shepherd’ (eu pelo menos pensei). Mas, claro que, assim como o ‘aqui’ e ‘agora,’ talvez eles não passem também de mais invenções para suportarmos a dor de não nos encontrarmos – pelo menos até vislumbrarmos a caverna iluminada.

LOST termina como uma excelente narrativa humana, imaginativa como poucas que já assisti – mas como reforçado nesse último episódio, essencialmente mística. O quanto isso vai afetar o legado da série (cujos episódios vou rever e rever), saberemos em breve. See you in another life, brotha.

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Pop Erudito: Walt Whitman + Levi’s

levisgoforthryanmcginley161 425x363 Pop Erudito: Walt Whitman + Levis estante

Para desespero de uns e deleite de outros, os novos comerciais da marca americana Levi’s usam dois marcantes poemas de Walt Whitman (o maior poeta da literatura dos EUA) para vender… calças jeans.

Como essa discussão sobre (arte versus comércio) é tãaaaaaao anos 80, nem vou falar isso aqui. Fato é que os comerciais são extremamente originais e realmente apresentam um frescor que vão além de modelos anoréxicas em produções exageradamente manipuladas digitalmente. Esse frescor é milimetricamente planejado? Claro que é! Mas a criatividade aqui faz toda a diferença para transformar um mero minuto de “compre essa calça jeans” numa pequena pérola artística.

Os dois comerciais, que tem como slogan “Go Forth”, foram ficaram a cargo de Cary Fukunagaque será o diretor da futura versão de Jane Eyre para o cinema. O primeiro comercial usa o poema “Pioneers! O Pioneers!” de Whitman, que em linha geral fala dos exploradores responsáveis pela expansão territorial dos EUA. Usando uma estética que ilustra a aproximação dos jovens com a natureza e o com um aspecto selvagem, a propaganda tem um apelo moderno e ao mesmo tempo poético.

O segundo comercial da linha “Go Forth” é ainda mais simbólico. Usando dessa vez o poema “América”, a propaganda utiliza a voz do próprio Walt Whitman (gravada de forma rudimentar no final do século XIX!) narrando seu texto. É uma América de cunho romântico, mesmo que esse romantismo agora inclua novas identidades que no tempo de Whitman não faziam parte do sonho americano (especialmente os negros, maioria no comercial).

Mesmo com bandeiras dos EUA ao vento, o comercial passa longe da patriotada – começando com a palavra AMERICA em neon quase submersa. Parece haver uma espécie de narrativa, com um empresário engravatado sendo acuado e mostrado com um olhar desesperado. Claro que ele não se encaixa no modelo de consumidor da Levi’s – o belo e endinheirado de 18 a 34 anos que faz a alegria de qualquer marca de roupas. Talvez por isso esse segundo comercial seja tão esperto: acaba nos convencendo que os verdadeiros norte-americanos e aqueles que fazem parte do público alvo da empresa são a mesma pessoa.

A campanha “Go Forth” também está sendo usada na mídia impressa, com fotografias de um tom lírico clicadas por Ryan McGinley e com alguns trechos de poemas de Whitman também.

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Para aqueles que acham isso o exemplo máximo da massificação da maior voz poética da literatura norte-americana, tornando arte em comércio, só resta pegar as tochas. Mas há de se admirar a criatividade e o talento por trás da criação dessas (e porque não?) também belas obras de arte.