- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

Top 5 – Músicas do Roberto Carlos

Aceitando o desafio proposto pelo Inagaki, resolvi fazer um Top 5 de músicas do Roberto Carlos. Pra minha surpresa, (quase) todas as músicas que acabei escolhendo pra essa minha pequena lista tem a palavra “VOCÊ” no título. Assim como os Beatles no início da carreira (”From me to you”; “She loves you”), o Rei em suas melhores canções sempre se mostra extremamente altruísta (em algumas letras até masoquista) ao colocar a ênfase total na pessoa para quem escreve a música. E nós, como admiradores de suas composições, até podemos nos identificar com o ‘você’  pra que ele canta. Vamos às músicas:

5- AS CANÇÕES QUE VOCÊ FEZ PRA MIM

Ninguém faz letras melhores sobre fim de relacionamento (vulgo ‘toco’) do que Roberto Carlos. Nessa música, o Rei faz um interessante exercício de metalinguagem sobre ser abandonado por alguém que lhe escrevia canções. E o verso matador “ficaram as canções / e você não ficou” diz muito sobre a sensação de perda de alguém que ainda ama – porém, aquele que se vai parte sem nem olhar pra trás (”eu acho que você /já nem se lembra mais”). Essa canção deu título ao histórico disco de Maria Bethânia só com músicas do Roberto & Erasmo.

4- VOCÊ

Essa é a mais tocante música sobre desilusão amorosa que eu conheço. O fato de ser chamada simplesmente “Você” ilustra a obsessão do cantor pela pessoa amada, que vai sendo mostrada em suas diferentes facetas (os beijos, os encontros, as palavras de amor). E os últimos versos, com uma bem construída inversão, são uma pá de cal em qualquer relacionamento – “Você que eu não encontro mais / os beijos que já não lhe dou / fui tanto pra você / e hoje nada sou.”

3- OUTRA VEZ

Essa música não tem a palavra ‘você’ no título. Nesse caso, nem precisa, já que o uso do “você” no primeiro verso é inconfundível – basta dizer “Você foi…” e a melodia vem toda na cabeça. Se nas duas outras músicas acima o fim do relacionamento é descrito em tom de amargura, aqui se relembra um amor do passado com bastante ternura. Por mais que tenha terminado, sua importância não pode ser negada – daí o uso tão interessante dos paradoxos na letra como ’simples/complicado’, ‘brincadeira séria’, ‘mentira sincera’ etc. Mas o verso que melhor ilustra esse retorno ao passado que serve como impulso para continuar em busca de um novo sentimento é “Das lembranças que eu trago na vida / você é a saudade que eu gosto de ter”. Dá uma incrível sensação de conforto.

2- EU PRECISO DE VOCÊ

Diferente das outras músicas desse Top 5, “Eu Preciso de você” é o retrato perfeito da felicidade amorosa. A canção tem uns versos inegavelmente bregas (”como a abelha necessita de um flor / eu preciso de você e desse amor”), mas pra mim servem como representação de como ficamos meio bobos quando estamos amando.

1- VOCÊ NÃO SABE

Existem músicas de amor, e existe “Você Não Sabe”. A canção é um hino voltado para aqueles que fariam loucuras para provar como seu amor é único. O jogo de rimas é um dos mais musicalmente ricos de todas as músicas de Roberto Carlos, e mesmo quando parece estar falando uma obviedade, fala de uma maneira tão sincera que supera o lugar-comum. Por exemplo: “você só sabe / que eu te amo tanto / mas na verdade meu amor não sabe o quanto”. O ’só’ aqui faz toda a diferença. Novamente, o Rei usa de artifícios metalinguísticos, mas com ainda mais sentimento, beirando o metafísico: “eu chegaria onde só chegam os pensamentos / e encontraria uma palavra que não existe / pra te dizer nesse meu verso quase triste / como é grande o meu amor”. É uma das canções de amor mais genuínas que conheço. A versão da Bethânia é insuperável.

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Top 10: Filmes pra ficar feliz

Um dos posts mais acessados aqui do blog é o Top 10 de filmes tristes. Para impedir que as pessoas que lêem aquele post se matem, está na hora de fazer um top 10 de filmes pra se ficar feliz – os chamados feel good movies. Existem vários nesse estilo, mas abaixo vai uma lista bem pessoal:

10- UMA LINDA MULHER

richard gere and julia roberts in pretty woman 0090 303x425 Top 10: Filmes pra ficar feliz 24 quadros por segundo

Esse filme é o principal exemplo de “roteiro 101″: manipulativo, formulaico e até um pouco sexista. Mas quer saber? Funciona que é uma beleza. Ao mesmo tempo é uma história de amor e de sucesso e obviamente a personagem principal é tão especial não porque é diferente mas porque se conforma às regras. Acho interessante como no filme a idéia de relacionamento amoroso está intimamente ligada à idéia de sucesso financeiro. O milionário vivido por Richard Gere se torna uma pessoa melhor porque descobre o amor onde menos esperava; a personagem de Julia Roberts se torna uma pessoa melhor porque agora pode comprar o que quiser na Rodeo Drive e esnobar vendedoras. Essa versão moderna de Cinderella diz muito mais sobre o mundo em que vivemos do que podemos imaginar.

Cena mais feliz: o final, com o ‘príncipe’ resgatando a ‘princesa‘. E o sorriso de Julia Roberts garante a alegria de qualquer pessoa por um dia inteiro.

9- INDIANA JONES E O TEMPLO DA PERDIÇÃO

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Nada mais feliz do que o herói corajoso que derrota os vilões e ainda fica com a mocinha no final. Hoje o filme é muito criticado por sua atitude superior e até mesmo racista, especialmente com relação àquela tribo exótica que (literalmente) come o coração de mocinhas brancas e loiras. Talvez por isso, o próprio Spielberg diga que esse é o filme de INDIANA JONES que menos gosta. Contudo, acho que por esse ser exatamente o filme da série que menos se preocupa com grandes idéias e temas (não se concentra tanto em aspectos históricos ou religiosos como os outros da série), há espaço para várias das melhores sequências de aventura da história do cinema. Além do mais, a história é construída de diferentes ‘atos’, todos divertidamente exagerados (o jantar com cérebro de macaco é antológico), o que fazem o filme ir num crescendo de adrenalina. Assim, a sensação do espectador é de que literalmente passou por uma montanha-russa – incluindo o alívio e a satisfação ao final da jornada.

Cena mais feliz: ao invés de escolher uma sequência de ação, fico aqui com a cena de abertura, talvez onde Spielberg tenha sido mais bem-sucedido no pastiche dos filmes de matinê  dos anos 40 – Kate Capshaw como a diva loira cantando “Anything Goes”. Aliás, como é divertido ver Spielberg brincando de Busby Berkeley! Imaginem só ele dirigindo um musical!

8- O MÁSCARA

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Falando em musicais, O MÁSCARA é um filme que reluta muito em se assumir como um. A história meio Jekyll e Hyde da máscara que dá a Jim Carrey o melhor super-poder que existe (transformá-lo num desenho animado) em muito se debate entre sair ou não do armário dos musicais. Há sequências inteiras no filme de colocar muito NINE no chinelo. A história ainda tem aventuras alopradas, vilões divertidamente caricatos e uma bombshell de babar, no melhor univerno cartunesco criado em cinema desde DICK TRACY.

Cena mais feliz: Jim Carrey dançando e cantando ‘Cuban Pete’ com os policiais. É de dançar rindo ou rir dançando.

7- OS GOONIES

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Nada como aventuras quando se é criança, e nenhum filme captou esse espírito melhor do que OS GOONIES. Tem piratas, uma família de mafiosos atrapalhada, birra com os irmãos adolescentes que se acham super-maduros, um tesouro perdido e… o Slot! E diferente de outros filmes, quando acaba e todo mundo está a salvo, não existe aquela coisa de ‘eles amadureceram e nunca mais foram os mesmos’. Os personagens permanecem infantis e fofos.

Cena mais feliz: nunca uma cena foi tão engraçada com alguém chorando do que quando o Chunk faz sua série de confissões sendo torturado pelos Fratellis. E dublado em português consegue ser ainda mais hilário.

6- TOY STORY

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As crianças amam as produções da Pixar mas, sinceramente, acho que os adultos gostam ainda mais. No caso de TOY STORY, isso é ainda mais especial porque os adultos assistem ao filme com um certa nostalgia (e acho que no terceiro filme com um Andy maduro, isso vai acabar sendo um elemento da narrativa). As neuroses de cada personagem são hilárias, além da amizade entre Woody e Buzz ser algo tão genuíno que a única opção é torcer por eles.

Cena mais feliz: Muitos reclamam que todos os filmes da Pixar, por mais brilhantes que sejam, sempre tem que terminar com uma grande sequência de aventura (exceto RATATOUILLE, que é o mais brilhante de todos também por isso). No entanto, nenhuma cena de ação é mais bem estruturada, tensa e ao mesmo tempo tocante quanto aquela em que Woody e Buzz tentam voltar pro caminhão de mudança e terminam ao lado de Andy.

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Top 10: Filmes mais aguardados de 2010

2- A ORIGEM

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Christopher Nolan, vindo do sucesso estrondoso de O CAVALEIRO DAS TREVAS, resolveu enveredar pelo terreno do thriller psicológico numa história que parece misturar Philip K. Dick, Charlie Kaufman e Brian de Palma. Muito do roteiro ainda é pouco claro e os trailers lançados até agora não explicam muito. Mas quem precisa de explicação com um cidade dobrando ao meio? A trama que pretende misturar sonho, realidade, memória e muita ação parece promissora, ainda mais com um elenco pra lá de interessante (Marion Cotillard, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Michael Caine). Além disso, parece que finalmente vai confirmar Leonardo DiCaprio como o principal ator de Hollywood atualmente.

Top 10: Filmes mais aguardados de 2010

3- ILHA DO MEDO

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Basta ser filme de Martin Scorsese para estar na minha lista, mas ILHA DO MEDO é especial por diferentes motivos: é o primeiro filme do diretor depois de ter feito seu filme mais popular (OS INFILTRADOS), é baseado no romance sufocante de Dennis Lehane (de SOBRE MENINOS E LOBOS) e se passa todo num hospício que fica encravado numa ilha.

Em seu documentário A PERSONAL JOURNEY THROUGH AMERICAN CINEMA, Scorsese fala bastante sobre filmes que se passam em instituições para pacientes mentais e como ele gosta da dinâmica desse tipo de narrativa, portanto eu acho que agora que tem o seu próprio “filme de hospício”, o diretor vai arrasar. É claro que o elenco também ajuda: Leonardo DiCaprio (como não poderia deixar de ser), Mark Ruffalo, Michelle Williams, Emily Mortimer (que já tem até oscar buzz), Ben Kingsley, Max von Sydow, Patricia Clarkson