Fotógrafos: Pierre et Gilles

Pierre Commoy e Gilles Blanchard, conhecidos simplesmente como Pierre et Gilles (acima, em um auto-retrato), são um casal de fotógrafos franceses cujas imagens são famosas pelo seu forte conteúdo sexual e religioso. Só que mais do que o conteúdo, a forma que os artistas expõem seus trabalhos é o que torna essa dupla realmente conhecida.
Todas as suas fotos passam por um trabalho de estilização especÃfico, através de manipulação digital, inserção de elementos em alto relevo e até mesmo nas molduras. Ano passado, tive a sorte de ver as obras de perto devido à exposição dos principais trabalhos da dupla no Rio de Janeiro. No clique abaixo, algumas das fotos (NSFW!) mais célebres de Pierre et Gilles.
Sendo um casal gay, Pierre et Gilles muito se utilizam da estética homoerótica em vários de seus trabalhos. Muitas vezes, os modelos acabam sendo uma exacerbação dos próprios fetiches que permeiam o imaginário queer. Um deles é sem dúvida o dos marinheiros, retratados incansavelmente em vários de seus trabalhos.

O uso das dobraduras de papel acima ilustra o aspecto altamente superficial da imagem – e o mais legal é a própria moldura da foto é feita do mesmo papel. Nem toda representação dos marinheiros de Pierre et Gilles, contudo, é tão sexualizada. Há algo de triste e infeliz até mesmo na beleza – e o uso de luz nas fotos é especialmente importante pra criar essa atmosfera.


Essa estetização exagerada de marinheiros foi muito bem utilizada na campanha publicitária do perfume “Le Male” de Jean-Paul Gaultier.

Aliás, o próprio Gaultier já foi clicado pela dupla cercado de uma estética kitsch que é caracterÃstico do seu estilo. Pierre et Gilles sem dúvida fazem um interessante comentário visual sobre a questão do culto à celebridade e necessidade de uma perfeição (artificial) que elas precisam atingir.

Um dos retratos simplesmente geniais é o de Iggy Pop, praticamente irreconhecÃvel depois da manipulação da imagem. A figura de bagaceiro é substituÃdo por uma aura andrógina, sem rugas e um tanto perturbadora.

Outro retrato que gosto muito é o de Madonna inserida num cenário japonês metodicamente kitsch, o que realça a artificialidade não só dos clichês do Oriente, mas também da própria questão da imagem da cantora.

Um que também combinou perfeitamente com o mundo over dos artistas foi Marilyn Manson.

Ainda no terreno bizarro, a foto de Nina Hagen como uma boneca sadomasô é ótima. Diferente do look que Pierre et Gilles criaram para Laetitia Casta – uma ninfa cercada de estrelas-do-mar.


Se nos retratos de Pierre et Gilles as celebridades são os novos mitos, nada mais justo do que tê-las retratando mitos e deuses gregos. Dessa atmosfera mitológica, a imagem que mais gosto é a de Naomi Campbell como a deusa Diana.

Obviamente, os fotógrafos também se utilizam da atmosfera sexual masculina pra preencher esse mundo mÃtico, como ilustra a imagem abaixo.

Às vezes, esse mundo mÃtico é o do cinema – a imagem de um jovem Anakin Skywalker é um exemplo disso.

Os fotógrafos também gostam de trabalhar com sÃmbolos militares, e a série que fizeram sobre a União Soviética é particularmente muito bonita.

Um dos principais temas do trabalho de Pierre et Gilles é a utilização de referências religiosas, seja através da exaltação kitsch de figuras do Cristianismo, seja através de um comentário irônico sobre o seu significado. Dessa segunda categoria, acho divertida Kylie Minogue como uma freira safadinha.

Mas são mesmo as imagens de santos, anjos e até de Jesus Cristo que, num artificialismo que beira a pop art, Pierre et Gilles pratica mostram figuras religiosas como se saÃdas de um anúncio de publicidade.





As fotografias que talvez sirvam de resumo de todo o trabalho de Pierre et Gilles são aquelas em que eles representam a figura de São Sebastião. Misturando o sÃmbolo religioso ao fetiche do marinheiro banhado em homoerotismo, essas imagens acabaram sendo as mais famosas realizadas pela dupla.





Num mundo o photoshop é lei e a manipulação digital é a coisa mais normal, Pierre et Gilles ousam exagerar esses conceitos, revelando-se herdeiros da pop art e mestres do kitsch.
07/07/2010
Não conhecia o trabalho da dupla, mas confesso que foram capazes de tirar o meu folego.
07/11/2010
Nossa, espetacular! [Aliás, adoro seus posts sobre fotografia] Lembro-me dessa exposição em cartaz aqui no Rio, mas infelizmente eu perdi. =/ E que pena que eu perdi, pois adorei o trabalho da dupla, que só passei a conhecer devido ao trabalho de divulgação na cidade. Lindo e muito conceitual.
Parabéns pelo post.
[]s!