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INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL

indy4 poster final big INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL 24 quadros por segundo

As duas principais perguntas na cabeça de todo mundo ao saber da confirmação de um novo INDIANA JONES foram:

- É só pra ganhar dinheiro mesmo?

- Harrison Ford vai conseguir convencer como herói com a idade avançada em que está?

A primeira pergunta era fácil de responder: por melhor que fosse o filme, não tem como negar que é desnecessário – serve apenas para alimentar a indústria do entretenimento, não só com o filme mas também para vender milhões de sub-produtos com a marca “Indiana Jones”, além de dar sobrevida aos brinquedos do parque da Universal.

Já a segunda pergunta fico feliz e aliviado em responder que também é positiva: Harrison Ford convence e revive o Dr. Jones com o mesmo charme e a verve dos filmes antigos.

Mas essa quarta aventura do arqueólogo-pastiche de matinê, talvez a mais simplesmente divertida criação não só de George Lucas mas também de Steven Spielberg, é divertida e…só. Mesmo não havendo nenhum momento muito embaraçoso como nas pavorosas prequels de STAR WARS, INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL se alonga e se explica tanto que se torna algo totalmente esquecível.

O roteiro é o grande culpado aqui: existem tantas cenas de exposição logo no início (e várias delas simplesmente são desnecessárias e não chegam a lugar nenhum) que o filme corre o risco de ficar chato. O carisma de Harrison Ford e Shia LaBeouf, ambos ótimos, salvam a platéia. Só é pena o pouco aproveitamento do retorno de Karen Allen, além do grande John Hurt fazer papel de pateta. Felizmente, Cate Blanchett no melhor estilo dominatrix, arrasa.

As cenas de ação e os efeitos especiais, mesmo que divertidamente exagerados, não ficam a dever aos outros filmes da série. A perseguição dentro da universidade é pulsante, e toda a seqüência no meio da Amazônia com os tanques é classicamente spielbergiana (mesmo com o momento patético em que os macacos de Nicole Kidman em A BÚSSOLA DOURADA fazem uma ponta).

A trama, que remete às produções dos anos 50 em que INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL se situa, usa e abusa da ficção científica recorrente da época no que se refere aos filmes de alienígena como metáfora da luta contra o comunismo. No entanto, tanto e.t. me fez pensar que Mulder e Scully apareceriam a qualquer minuto. Sem contar que os extraterrestres são a cara do monstro da série ALIEN. Achei meio truncado, esquisito mesmo.

Há momentos ótimos (Shia como Brando, Karen Allen fofa e, principalmente, as formigas gigantes), mas falta a essa aventura de Indiana Jones uma certa escolha moral ao final, assim como nos outros filmes. Não há um momento em que o arqueólogo se sinta tentado a abandonar tudo pela grande descoberta que fez. Ele apenas “soluciona” a situação e diz tchau.

INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL é um Spielberg descartável, me lembrou muito O MUNDO PERDIDO. Está longe de ser horrível, mas falta a sua história a consistência das aventura anteriores desse que é um dos maiores heróis da história do cinema.

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