- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

Madonna – Hard Candy

014008370 gdq00 Madonna   Hard Candy music makes the people

Surpresa! O novo disco de Madonna não é tão ruim quanto muitos (eu inclusive) esperavam. Além do marketing genial, além das polêmicas, além da política sexual, o que fez a carreira de Madonna foi a escolha certeira da produção de seus discos e sua re-invenção musical. Com nomes como Patrick Leonard, William Orbit e Stuart Price Madonna fez um jogo de ‘me transforme em algo novo’ enquanto permanecia a artista mais relevante da história do pop.

No entanto, ao anunciar que faria um disco produzido pelos nomes mais manjados do momento – coisa que nunca fez – surgiram dúvidas de que ela poderia se sair ilesa. Para ficar no clichê, ela estaria seguindo a moda ao invés de fazê-la – coisa inédita em sua carreira. Ao se aliar a Pharrel Williams (o homem por trás de Gwen Stefani solo), Timbaland (o midas do urban hip-hop) e Justin Timberlake (que só não co-produziu disco do Roberto Carlos, eu acho), Madonna coloca seu olho gordo de material girl no mercado americano, que gradativamente perdeu.

Acontece que o resultado é surpreendentemente bom. Mesmo não chegando a níveis de genialidade como Like a Prayer e Ray of Light, Hard Candy é uma espécie de continuação ‘urbana’ de Confessions on a Dancefloor, seu disco anterior. Enquanto em Confessions Madonna falava da liberdade que sentia na pista de dança, do sentido de urgência e do estilo ’se joga na buatchy’ em meio ao ritmo dance-retrô de Stuart Price, em Hard Candy ela explora os mesmos temas só que no meio das batidas características do hip-hop, ainda que deixando um espaço para uma sonoridade que remete ao seu primeiro disco.

Candy Shop, a primeira-faixa do disco, é a mais ‘hip-hop’ de todas e talvez a única em que o estilo do produtor (Pharrel) se sobrepõe ao da cantora. É idêntica à que vazou meses atrás – ou seja, péssima. Já 4 Minutes, o primeiro single, o dueto da cantora com Justin é bem divertido e cheio dos barulhos característicos de Timbaland, mas nada demais. A melhor faixa do disco é sem dúvida Give it 2 me – uma espécie de Everybody contemporânea com uma batida alucinante enquanto fala de seu tema preferido: a auto-afirmação.

Aliás, Pharrel se dá bem melhor no disco produzindo as músicas de Madonna. Heartbeat e She’s not me são simplesmente ótimas. Timbaland & Justin até que conseguem tirar leite de pedra da fofa Miles Away, mas no resto ficam mais do mesmo, como na chata Devil would’t recognize you.

Mas o que fica é que Madonna não precisou fazer um ‘yo yo Madge’ como muitos esperavam. Para o último disco da cantora da Warner, tá de bom tamanho. Não foi um vexame e nem uma deturpação total de seu estilo pop. Pode-se dizer que Hard Candy é uma releitura interessante de um som dos anos 80 filtrado através da sonoridade urbana atual.

Escrever um comentario