Meme: Cenas favoritas do cinema
O Cine Resenhas está uma máquina de memes e dessa vez me convidou para falar das minhas cenas favoritas do cinema. Não existe coisa mais difÃcil pra mim. Até já comecei uma lista pensando em fazer um Top 100 aqui no blog, mas já estava em quase 200 e fiquei sem paciência.
Para não deixar esse meme passar em branco, portanto, vou fazer uma listinha de dez cenas favoritas, uma por década desde a criação do cinema, porque aà fica menos difÃcil, ok?
1910-1919
Cena da Babilônia em INTOLERÂNCIA

Assisti a esse filme na TV e até hoje ainda sonho em vê-lo no cinema. É um espetáculo grandioso que o cinema não faz mais. Traçar a história da intolerância da humanidade através dos tempos é tarefa hercúlea e hoje parece inacreditável como Griffith fez isso com os recursos de 1916 (e ainda dirigindo 3000 extras!). De todos os momentos marcantes do filme, o mais impactante é a passagem que se passa na Babilônia, onde a intolerância religiosa é causa para um massacre.
1920-1929
Cena da transformação do robô em METROPOLIS

O primeiro clássico da ficção cientÃfica no cinema, METROPOLIS cria um futuro distópico que via servir de base a outras visões pessimistas do futuro como BLADE RUNNER. Quando o cientista transforma o robô na personagem Maria (nenhum nome poderia ser mais sugestivo), nasce o primeiro andróide do cinema.
Runner-up: Cena da dança dos pães em EM BUSCA DO OURO
1930-1939

Poderia ter escolhido várias cenas de Chaplin, mas essa realmente é ápice de seu talento criativo. Tendo ajudado a florista cega a enxergar, o adorável vagabundo vai ao seu encontro mas ao princÃpio não é reconhecido. Mas ao toque de sua mão, a moça reconhece finalmente o seu benfeitor. É a cena mais sensÃvel de toda a filmografia de Chaplin, e sempre que vejo meus olhos se enchem dágua.
Runner-up: Scarlett O’Hara jamais sentirá fome novamente em E O VENTO LEVOU
1940-1949

O final mais famoso do cinema consegue o milagre de reforçar a fé no amor mesmo que ele não se concretize. E existiu rosto mais bonito que o de Ingrid Bergman em p&b?
Runner-up: Charles Foster Kane falando ‘Rosebud’ em CIDADÃO KANE (fiquei tentado a preferir essa cena, já que afinal dá tÃtulo a esse blog!)
1950-1959
Cena final de CREPÚSCULO DOS DEUSES

Essa foi a década mais difÃcil de escolher uma cena preferida – mas acho que Norma Desmond no ápice da loucura estando pronta para seu close-up é insuperável.
Runner-up: Cary Grant foge do avião em INTRIGA INTERNACIONAL.
1960-1969

A sombra na cortina, os gritos de Janet Leigh, a trilha-sonora, a edição, o sangue (que era chocolate) descendo pelo ralo e o close final no olho. A morte como obra-de-arte.
Runner-up: Cena final de UMA RAJADA DE BALAS
1970-1979
O beijo de Michael e Freddo em O PODEROSO CHEFÃO II

Como já falei aqui, é o beijo mais amargo da história do cinema. Mais do que a decepção da traição, ele é o anúncio da morte. O fato de ocorrer no meio de uma festa de ano novo torna tudo mais aterrador.
Runner-up: Alien sai de John Hurt em ALIEN
1980-1989
A morte de Roy Batty em BLADE RUNNER

Há algo de shakespeariano neste solilóquio de final de Roy Batty. Toda a sua fala, sobre o que viu e “os momentos que pra sempre ficarão perdidos no tempo como lágrimas na chuva” é o momento mais humano de um filme sobre (entre vários temas) a perda da humanidade. Time to die.
Runner-up: Despedida de ET e Elliott em E.T.
1990-1999
Toda a seqüência do Jack Rabbit Slim em PULP FICTION

A cereja no sundae de toda essa seqüência é a dança de John Travolta com Uma Thurman, mas desde o momento em que os personagens entram no restaurante Jack Rabbit Slim nós somos apresentados ao momento crucial da filmografia de Tarantino. Seus filmes não tomam a realidade como base, mas o próprio cinema – e a própria existência de um local onde tudo se localiza como pastiche do pastiche é seu momento máximo como diretor.
Runner-up: Cena do ‘Funny Guy’ em OS BONS COMPANHEIROS
2000-2008
Anton Ego dá uma garfada para o passado em RATATOUILLE

Sem um diálogo sequer, o lado doce e amargo de se recordar o passado. Só Proust fez igual.
Runner-up: Elephant Love Medley de MOULIN ROUGE