Rapidinhas
- APENAS O FIM: ANTES DO AMANHECER, Domingos de Oliveira, cultura nerd, Claude Lelouch e criatividade para orçamento baixíssimo. Dessa mistura saiu a primeira obra de Matheus Souza. Parece um filme de patota – e é, todo filmado na Puc-Rio com a ajuda dos amigos do diretor de 22 anos. Gregório Duvivier e Erika Mader são o casal que discutem o fim de sua relação entre jardins da Gávea, referências pop e amigos bizarros que aparecem pelo caminho. É um filme simpático que conquista nos primeiros diálogos. E quando as citações a The West Wing, Orkut e TRANSFORMERS começam a cansar, a história sabe a hora de terminar. O típico filme ‘fofo’.
- TINHA QUE SER VOCÊ: Falando em filmes ‘fofos’, esse aqui traz dois grandes nomes do cinema (Dustin Hoffman e Emma Thompson) numa história romântica ‘madura’. Emma Thompson é sempre divina, mas em papéis amargurados ela se supera (nunca me esquecerei dela ouvindo Joni Mitchell no quarto em SIMPLESMENTE AMOR). Dustin Hoffman com sua cara de ‘cachorro que perdeu o dono’ conquista na primeira cena, e é impressionante como consegue dar nuances ao personagem com um olhar ou gesto. O filme tem um fiapo de história, mas com o charme dos protagonistas e do passeio por Londres, quem consegue resistir?
- HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO: Filmaço com Kristin Scott Thomas (que nem sabia que falava francês), de quem gosto desde QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL. A atriz vive uma mulher que sai da cadeia depois de 15 anos, culpada por um crime terrível. Tristíssimo, o filme é rico em simbolismo (principalmente relacionado à água) e fundado na culpa que emerge de personagens consumidos pela dor. Mesmo que o final seja um pouco previsível e acabe apresentando uma solução um tanto simplista, nada prepara o espectador para a comunhão perfeita dos diálogos juntamente com as interpretações fortíssimas de Scott Thomas e Elsa Zylberstein (que vive a irmã da protagonista). De fazer Freud tremer.
- INTRIGAS DE ESTADO: Interessante ‘filme de conspiração’ que interessa menos pela trama política e mais pelo subtexto sobre a questão do fim do jornalismo tradicional. Russel Crowe interpreta um jornalista à moda antiga que se alia a uma jovem profissional do jornal onde trabalha (leia-se: blogueira) vivida pela ótima Rachel McAdams para investigar uma trama envolvendo a Guerra do Iraque, tramóias de Washington e amantes calientes. Além do elencasso principal (que ainda inclui Helen Mirren deliciosamente bitch e Ben Affleck menos canastrão que de costume), chama a atenção a presença de coadjuvantes de luxo como Jeff Daniels (que hoje é um ator e tanto – quem se lembra de ARACNOFOBIA?) e Robin Wright Penn (vivendo pela milionésima vez o papel de mulher-traída-amarga). Mesmo perdendo força da metade pro final, vale pela discussão sobre o papel do jornalismo no mundo de hoje.
- A PARTIDA: O vencedor do Oscar de filme estrangeiro mostra uma visão peculiar sobre a morte no Japão. Me impressionou o fato de os familiares assistirem ao corpo ser maquiado e tratado. Essa prática funeral é um tanto chocante, mas conduzida com extrema sensibilidade (e até mesmo humor) pelo filme. Mesmo que as soluções narrativas sejam um tanto formulaicas e final já se saiba há milhas de distância, surpreende pela sutileza e coesão com que trata um tema tão denso.