Sobrando filme na história

A Wired publicou uma reportagem, a propósito da estréia lá fora de ZODIAC, novo filme do David Fincher, sobre o velho dilema hollywoodiano sobre o quão longo um filme pode ser sem cansar a platéia. O filme de Fincher tem 160 minutos de duração. Longo?! Isso?!
A ver: o recém-oscarizado OS INFILTRADOS dura 151 minutos, e não deixou de ter bilheteria por isso. O RETORNO DO REI teve 201 minutos, cinco finais e mesmo assim a galera saiu feliz do cinema. TITANIC, que deve ter sido o primeiro a anunciar a volta da moda do filme longo e épico, 194 minutos (nem o naufrágio durou tanto) e todo mundo ficou sentadinho e HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO, que supostamente é um filme para platéias mais ansiosas, deixa a galera esperando para ver Você Sabe Quem por mais de 150 minutos.
São filmes completamente diferentes uns dos outros, mas são todos filmes de sucesso. Se a duração deles afastasse público, bem… tadinho de Peter Jackson, né? E se Scorsese, ou Spielberg fazem você ficar sentado três horas por uma coisa que presta, você não reclama, né? E não precisa nem ser um “bom” filme – basta que seja atraente, como um dos PIRATAS DO CARIBE, que ninguém sente o tempo passar.
O que chama a atenção na matéria da Wired (na verdade, da AP, republicada no site) é que as pessoas se questionam mesmo se um filme, em 2007, pode durar quase três horas, quando esta é uma questão falsa. O problema é que há pouca sala e muitos filmes, e os filmes mais longos tendem a ser mais caros. O problema não é que o público deixe de ir por conta da duração, o que não acontece, mas sim que o tamanho do filme impeça a multiplicidade das sessões, diminuindo as chances do estúdio recuperar o que investiu.
Agora, veja você, David Fincher, que não é um qualquer um – é o homem de O Clube da Luta e 7Even -, estréia um filme e o que se fala é sobre… a duração dele. Tem o Jake Gyllenhaal, o Robert Downey Jr e o Mark Ruffalo – um elenquinho de chamar a atenção, e eu tenho que ler sobre o quanto a minha bunda ficará comprimida numa poltrona confortável de uma sala com ar condicionado comendo pipoca.