Brasil promovido: fim do mundo agora chega aqui
Finalmente o Brasil se tornou um país desenvolvido. Depois da invasão alienígena, o fim do mundo chega às terras tupiniquins. Todo mundo sabe que ET só invade o hemisfério norte, que meteoros e ondas gigantes só destroem Nova York e vírus mortais atacam, no máximo, Sydney. Mas os tempos agora são outros!
O trailer de 2012, o novo filme-catástrofe de Roland Emmerich, é o sinal do desenvolvimento de nossa nação. Vejam vocês: qual é o primeiro monumento reconhecido mundialmente destruído no trailer – a Torre Eiffel? a Muralha da China? o Big Ben? Que nada! É o Cristo Redentor! Imaginem só a correria no Parque Lage!
Sem brincadeira agora: Emmerich realmente parece só saber fazer um tipo de filme – o do gênero ‘vamos destruir alguns cartões postais’. No entanto, desde que rompeu com seu produtor de longa data Dean Devlin, o diretor parece estar mudando um pouco a abordagem. As hecatombes e os exageros continuam lá, mas dessa vez com desdobramento mais humanos e até (!) políticos.
Eu gostei bastante, por exemplo, de várias passagens de O DIA DEPOIS DE AMANHÃ, especialmente aquelas que abordavam a mudança na relação entre os EUA e o México com a destruição das principais cidades norte-americanas. A idéia de mostrar os americanos como refugiados foi ótima, assim como a deliciosamente perversa cena dos ‘imigrantes’ yankees entrando ilegalmente no México.
Esse 2012, pela sinopse e algumas passagens do trailer, parece que vai abordar também aspectos políticos – especialmente na questão de ‘quem vai sobreviver ao fim do mundo’. O razoável IMPACTO PROFUNDO também falou disso, mas pelo visto nem chegava aos pés do exagero acachapante que Roland Emmerich propõe em 2012. Aliás, me parece que vai haver uma forte influência religiosa – não é à toa que são logo o Cristo Redentor e o Vaticano que são destruídos totalmente, assim como o mosteiro tibetano nas montanhas.
Mas é claro que os Estados Unidos não escapam dessa, não é mesmo? Parece que Washington vai tomar o lugar de Nova York agora como principal local da devastação. E pasmem: Emmerich vai destruir a Casa Branca (de novo!), assim como já fez na famosa cena de INDEPENDENCE DAY. A onda gigante, que andava desempregada desde O DIA DEPOIS DE AMANHÃ, dessa vez chega à capital dos EUA trazendo o porta-aviões (ironia mórbida!) John F. Kennedy que cai sobre a Casa Branca com tudo.
Sugestão pro Roland Emmerich: no próximo filme, quero a destruição do obelisco de Ipanema!