- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

Rapidinhas – filmes

ToyStory3 150x150 Rapidinhas   filmes 24 quadros por segundoTOY STORY 3: E a Pixar fez de novo. TOY STORY 3 é a mais nova obra-prima do estúdio, concluindo o que parece ser a melhor trilogia da história do cinema. Me parece sintomático que numa época em que as identidades encontram-se tão objetificadas e há um imenso fetiche pela mercadoria, que sejam bonecos de plásticos os melhores personagens a debater questões essenciais da existência: amizade, abandono, amor e morte. O último filme tão profundo como esse que assisti foi SINÉDOQUE NOVA YORK – mas TOY STORY 3 acaba ganhando de Charlie Kaufman, porque além de tudo é muito engraçado.

The Wolfman poster1O LOBISOMEM: Devaneio vitoriano da Universal, tentando começar um novo nicho: remake dos seus clássicos filmes de monstro. Em termos de produção, é uma arraso: fotografia de cair o queixo, direção de arte absurda de tão linda, e trilha de Danny Elfman fazendo homenagem ao DRÁCULA de Coppola. Contudo, Joe Johnston parece não ser capaz de construir uma única cena de suspense convincente, e mesmo o ótimo elenco parece todo atuar no automático.

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SHREK PARA SEMPRE: Não chega a ser tão ruim quanto o terceiro, mas mesmo assim esse capítulo (que tomara que seja mesmo o último) da série da Dreamworks é bem fraquinho. A ideia de um presente alternativo é ótima, porém mal-explorada. O protagonista perdeu todo o carisma dos dois ótimos primeiros filmes e a história se arrasta. Algumas piadas salvam do desastre total, mas ainda assim é triste ver uma série que começou tão bem terminar tão pouco criativa.

greenberg-posterGREENBERG: Noam Baumbach é da mesma escola de direção de Sofia Coppola e Wes Anderson: um apreço por personagens esquisitões, nem sempre carismáticos, apresentados como deslocados, mas sempre buscando um sentido para sua vida. Em seu terceiro longa, Baumbach tem como protagonista um cara que acabou de sair de uma clínica psiquiátrica e acaba se envolvendo com uma moça frágil e também problemática. O elenco está todo excelente (Ben Stiller em ótima atuação, a atriz do momento Greta Gerwig, o sempre ótimo Rhys Ifans) e a sutileza dos diálogos de Baumbach alcança os níveis de perfeição de A LULA E A BALEIA. Um filme de poucos acontecimentos, mas todos eles extremamente importantes.

disturbios-do-prazer-posterDISTÚRBIOS DO PRAZER: Deprê até o osso, esse filme de Johan Renck (vindo do videoclipe) se inspira na história real de uma mulher (Maria Bello) que, instatisfeita com a vida infeliz ao lado de um marido distante (Rufus Sewell), acaba se envolvendo com um homem pra lá de insano (Jason Patric) que conhece na internet. É daqueles filmes em que as atuações são ótimas e o visual é metade do espetáculo (fotografia do papa Christopher Doyle, pegando pesado no clima ‘anomie suburbana’), mas o exagero pra deixar tudo mais depressivo possível acaba deixando o espectador distante.

Top 10: Filmes mais aguardados de 2010

2- A ORIGEM

inception poster 01 287x425 Top 10: Filmes mais aguardados de 2010 24 quadros por segundo

Christopher Nolan, vindo do sucesso estrondoso de O CAVALEIRO DAS TREVAS, resolveu enveredar pelo terreno do thriller psicológico numa história que parece misturar Philip K. Dick, Charlie Kaufman e Brian de Palma. Muito do roteiro ainda é pouco claro e os trailers lançados até agora não explicam muito. Mas quem precisa de explicação com um cidade dobrando ao meio? A trama que pretende misturar sonho, realidade, memória e muita ação parece promissora, ainda mais com um elenco pra lá de interessante (Marion Cotillard, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Michael Caine). Além disso, parece que finalmente vai confirmar Leonardo DiCaprio como o principal ator de Hollywood atualmente.

1999 – O Ano que não terminou

Estamos em 2009 e há exatos 10 anos atrás o cinema norte-americano (mas não só ele) viveu uma fase de ouro. Os filmes lançados em 1999 foram os que realmente marcaram uma nova visão temática, narrativa, e até mesmo de propaganda para a Hollywood do século 21. No drama, no suspense ou na ficção científica, muitos dos filmes que assistimos nesses anos “OO” (alguém vai inventar um nome melhor pra essa década?) são herdeiros das principais produções de 1999. Vamos a elas:

MATRIX

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O que achei quando eu vi: Saí do cinema achando um filme de ação bem legal, especialmente o uso do slow motion nas cenas de ação e do kung fu coreográfico.

O que eu acho hoje: Por mais que eu goste do filme, ainda assim não acho toda essa maravilha a ponto de chamar de clássico. Mas só o fato de ser uma ficção científica com idéias realmente originais vale a pena. Sua proposta de “Baudrillard para as massas” é ótima, além das trocentas referências à filosofia e à literatura.

A influência: A indústria de casacos de vinil, couro preto e óculos escuros tem muito que agradecer aos irmãos Wachowski. Agora falando sério, as cenas de ação nunca mais foram as mesmas: todo filme de fundo de quintal agora tem ‘wire-fu’ e  balas de revólver que deixam um rastro no ar com muito bullet time.

BELEZA AMERICANA

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O que achei quando vi: Assisti numa pré-estréia, em um dia muito especial. Saí do cinema pensando “como um filme que começa com uma cena de masturbação é o favorito ao Oscar?” Gostei de tudo o que vi e fiquei particularmente impressionado com os personagens de Wes Bentley e Annette Benning. E a surpresa com o Chris Cooper, como tudo mundo.

O que acho hoje: Continuo gostando bastante, mesmo que a desconstrução de alguns estereótipos da sociedade norte-americana acabassem gerando outros. E é interessante pensar como todo o filme é totalmente positivo em relação aos seus protagonistas masculinos e bem crítico com os personagens femininos. No entanto, os diálogos de Alan Ball permanecem impagáveis e a qualidade das atuações (até mesmo Mena Suvari!) é ponto alto.

Influência: O Oscar mudou muito a percepção sobre o filme. Eu sou da opinião que é o filme mais “não-Oscar” a receber a estatueta desde O SILÊNCIO DOS INOCENTES. No entanto, hoje muita gente torce o nariz, chegando a dizer que é um dos piores vencedores do Oscar da história (ninguém viu CRASH?). No entanto, é fato que não haveria ‘filme de subúrbio palatável’ (já que os de Todd Solondz são muito ‘hard’ para as massas) sem BELEZA AMERICANA, muito menos “Desperate Housewives”.

CLUBE DA LUTA

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O que achei quando vi: Esperava um filme de muita porradaria, mas me surpreendi com as idéias e o visual escalafobético de David Fincher. Nem sonhava com aquela reviravolta no meio, e a cena final é pura poesia pré-Davos.

O que acho hoje: Acho que talvez seja o filme mais representativo do mundo contemporâneo. Algumas das idéias que aparecem truncadas em MATRIX, são muito bem apresentadas aqui. Continuo achando que depois que se forma aquela organização terrorista no meio do filme a história cai um pouco. Mesmo assim, não tira o mérito de ser o melhor filme de Fincher.

Influência: Teve gente criando “clubes da luta” de verdade – ou seja, devem ter visto outro filme! Fracasso de bilheteria, não lembro de ninguém tentando imitar seu estilo.

O SEXTO SENTIDO

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O que achei quando vi: Primeiramente, fiquei por uma semana morrendo de medo de ficar em casa com a luz apagada – ir ao banheiro no meio da noite, nem pensar! Também vi na pré-estréia, e só lembro nos jornais as pessoas falando sobre ‘o filme que os americanos estão indo ver duas vezes no cinema’. Nada, contudo, foi mais chocante que o final.

O que acho hoje: Além de ter um roteiro maravilhoso, possui um ritmo lento e crescente visto muito pouco no cinema americano contemporâneo. Mesmo não tendo visto em bastante tempo, continuo adorando.

Influência: Bruce Willis voltou a ter cacife como ator ’sério’ e o clichê de ‘criança sinistra em filme com fantasmas’ voltou com toda a força. Haley Joel Osment se tornou um dos atores-mirins mais conhecidos da história graças à qualidade da atuação e uma frase que já se tornou uma das mais clássicas do cinema: “I see dead people.” Shyamalan se tornou um “auteur”, para alegria dos críticos (só dos franceses) e desespero dos estúdios.

TUDO SOBRE MINHA MÃE

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O que eu achei quando vi: Assisti em um Festival do Rio e, mesmo com tantos outros filmes interessantes naquele ano, acabei considerando o melhor de 1999. O travesti mais divertido da história do cinema, a sempre maravilhosa Cecilia Roth e as referências a Tennessee Williams foram os elementos que mais me marcaram.

O que eu acho hoje: Mesmo tendo feito sucessivos filmaços posteriormente, ainda considero este o melhor filme de Almodóvar. Acho que é a obra que de forma mais completa alia seus elementos melodramáticos, mas de natureza essencialmente psicológica, ao visual arrebatador característico do diretor.

Influência: Colocou Almodovar para o público norte-americano (e consequentemente mundial) como um diretor além da estética kitsch. E uma jovem Penelope Cruz chamou muita atenção.

MAGNOLIA

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O que eu achei quando vi: Difícil dizer com que personagem eu mais me identifiquei. Julianne Moore novamente dando show e tive a certeza que Paul Thomas Anderson era meu novo diretor favorito, em mais um excelente filme depois de BOOGIE NIGHTS.

O que eu acho hoje: Embora o filme tenha uma legião de fãs, acho interessante como é pouco comentado hoje (na filmografia de Anderson, BOOGIE NIGHTS e SANGUE NEGRO roubam a atenção). E me dá uma raiva ver que outros filmes menores da estética ‘histórias de pessoas problemáticas lutando pra viver na selva de pedra’ recebem elogios sem dar crédito a MAGNÓLIA.

Influência: Conseguiu por um certo tempo colocar Tom Cruise no spotlight como ator dramático. E sua narrativa fragmentada e múltipla (herdade de Altman) rendeu uma série de imitadores (de Paul Haggis a Inarritu).

A BRUXA DE BLAIR

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O que achei quando vi: Desorientação e muito, muito medo.

O que acho hoje: Taí outro filme que nunca mais vi, especialmente porque acho que não mereça uma segunda visita. Mesmo assim, acho que essa idéia de câmera na mão e terror na cabeça muito boa.

Influência: O filme que mostrou à indústria de cinema como a internet havia se tornado uma imensa força de divulgação. Teria A BRUXA DE BLAIR sido o primeiro marketing viral? De certa forma, o filme também foi a primeira produção “shaky-cam” com aquela câmera ‘versão labirintite’, isso antes de REC e CLOVERFIELD (e beeem antes do YouTube também). Até hoje é o filme mais lucrativo da história, se compararmos o que custou e o que rendeu.

TOY STORY 2

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O que eu achei quando vi: Eu adoro o primeiro TOY STORY e achei esse ainda mais divertido. A história é brilhante, e tem gags na medida certa (”Buzz, I’m your father!”).

O que acho hoje: Difícil dizer que é a obra-prima da Pixar, porque também existem WALL-E e RATATOUILLE, mas talvez seja o filme que tenha revelado a maturidade artística do estúdio.

Influência: TOY STORY está prestes a se tornar uma trilogia, e esse segundo filme parece que confirmou como um desenho de animação computadorizado pode ser um sucesso gigante de público e também de crítica. Aliás, o vilão ‘nerd’ poderia muito bem ser da mesma família do outro vilão ‘nerd’ de OS INCRÍVEIS, né?

BUENA VISTA SOCIAL CLUB

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O que achei quando vi: Aula de poesia de Wim Wenders – mesmo nostálgico, não tem a menor pinta de saudosista.

O que acho hoje: Basicamente a mesma coisa, talvez goste um pouco exatamente porque conheci a música cubana através do filme.

Influência: Virou moda fazer documentário sobre músicos tradicionais de um país – no caso do Brasil, foram os sambistas. Na Argentina, foram os cantores de tango.

QUERO SER JOHN MALKOVICH

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O que achei quando vi: Totalmente insano, mas no bom sentido. Lembro de voltar de metrô pra casa e só ouvir “Malkovich, Malkovich?” martelando na minha cabeça.

O que acho hoje: O absurdo das situações hoje me parecem menos engraçadas e mais melodramáticas. Tem coisa mais triste que a história da Cameron Diaz e do chimpanzé?

Influência: Colocou Charlie Kaufman no mapa, assim como sua legião de imitadores. Mostrou que Spike Jonze era capaz de ser talentoso além da esfera do videoclipe. Ver um filme com John Malkovich nunca mais foi a mesma coisa.

1999 também foi o ano de O TALENTOSO RIPLEY, FIM DE CASO, ELEIÇÃO e A LENDA DO CAVALEIRO SEM-CABEÇA. Alguma dúvida de que foi o melhor ano do cinema em muito tempo?

SYNECDOCHE NEW YORK

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Pode-se falar qualquer coisa de Charlie Kaufman, menos que o cara não tem ambição. Ele já colocou espectadores na cabeça de John Malkovich (QUERO SER JOHN MALKOVICH), já criou um irmão gêmeo que o ajudou a escrever seu próprio roteiro (ADAPTAÇÃO) e já falou das desventuras de querer apagar alguém de sua memória (BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS). Esses três roteiros, que são os seus mais famosos, casaram perfeitamente com o estilo pop e visionário dos diretores que lhes deram vida: Spike Jonze e Michel Gondry. Kaufman, no entanto, foi esperto o suficiente para dirigir ele próprio o seu roteiro mais grandioso e pessoal, que rendeu o melhor filme do ano passado (lançado nos Estados Unidos) e um dos melhores da década: trata-se de SYNECDOCHE, NEW YORK.

Nesse estudo sobre os limites da arte e da morte, acompanhamos a vida de Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman), um diretor de teatro que acredita estar morrendo. Ele é casado com uma pintora conceituada (Catherine Keener) com quem tem sérios problemas conjugais. Quando ela parte para Berlim juntamente com a filha do casal, Cotard é cortejado por uma assistente de bilheteria de teatro (Samantha Morton) e pela atriz principal da versão de “A Morte do Caixeiro Viajante” que está dirigindo (Michelle Williams). Cada vez mais desiludido e certo da morte iminente, ele resolve usar o dinheiro que recebe de uma fundação artística para realizar uma peça grandiosa, que pretende retratar a vida ‘de forma brutal’. A questão principal da peça é que ela é uma cópia em menor escala da cidade de Nova York, com atores tentando emular de forma fiel a vida real.

Já em seu título, SYNECDOCHE, NEW YORK insinua sua pretensão artística mas também sua peculiar ironia. ‘Sinédoque’ é aquela figura de linguagem geralmente associada à parte pelo todo, próxima da metonímia (como quando dizemos ‘O brasileiro é malandro’, mas na verdade estamos falando de todos os brasileiros). A brincadeira linguística aqui também tem a ver com Schenectady, cidade do estado de Nova York onde vive o protagonista no início do filme. A sinédoque mais direta do filme é a da gigantesca peça montada por Cotard, num armazém de tamanho colossal que reproduz, de certa forma, toda a cidade de Nova York. A outra sinédoque, essa mais sutil porém mais poderosa, é a de que Cotard é uma pequena parte de todos nós, e todos somos ele – aquela criatura frágil e cheia de idéias, em busca de amor e de sonhos, mas que ao final o único encontro certo que possui é com a morte.

Charlie Kaufman não está para brincadeiras aqui, e não é à toa que SYNECDOCHE, NEW YORK cita de Shakespeare a Harold Pinter, de Kafka a Arthur Miller – as ambições do roteirista/diretor em representar a vida e a morte através da arte passa pelos mesmos propósitos dos mestres da literatura e do teatro. No entanto, ele não joga esses nome em vão, e nem quer apenas parecer culto – suas intenções aqui são de produzir uma estrutura intrincada que quer ser a própria representação da existência. É um filme de símbolos (não é à toa que Cotard pensa em chamar sua peça originalmente de ‘Simulacro’) que nem sempre remetem a um sentido original – ou, se o faz, é de forma comicamente perturbadora. Os melhores exemplos disso são a casa onde vive Hazel (Samantha Morton), que está eternamente em chamas mas mesmo assim habitada; ou o mundo fora do armazém onde se encena a peça de Cotard, que parece estar passando por uma espécie de guerra química.

Philip Seymour Hoffman como Cotard (e não haveria melhor nome para um personagem tão perturbado pela idéia da morte) tem a melhor interpretação de sua carreira, o que não é pouca coisa. Especialmente considerando que a história compreende um período de décadas, é fascinante ver como o personagem passa de um estado de desilusão, depois furor artístico, e finalmente placidez, diante da condição de ter se tornado uma criação de sua própria obsessão. O elenco feminino que orbita em torno de Hoffman é algo de sonhos: além da sempre brilhante Samantha Morton, Catherine Keener e Michelle Williams, o filme ainda conta com Emily Watson, Jennifer Jason Leigh e Dianne Wiest (divina, com um personagem-chave para interpretar as diferentes camadas da história).

Há muito tempo não via um filme que me fizesse pensar nele por semanas, e só escrevo esse texto depois de ver SYNECDOCHE, NEW YORK mais de uma vez,  já que sua riqueza temática e o talento de sua realização é um exemplo de vigor raro no cinema americano atual. É uma obra sobre grandes temas, mas cuja sensibilidade acaba fazendo das minhas (e também das suas) angústias e desejos a matéria-prima de sua história. Não seriam elas, de certa forma, também a matéria-prima da vida?