- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

Top 10 – Clipes bizarros

A criatividade ao se fazer um videoclipe às vezes é tamanha que o diretor/artista às vezes enchem a produção de referências tão diversas que o resultado acaba sendo bizarro. Os vídeos abaixo são um exemplo disso. Na verdade, são bizarrices do bem – que mesmo sendo assustadoras, poéticas ou até mesmo doidas mesmo, acabo gostando.

10- BLACK HOLE SUN (Soundgarden)

O diretor Howard Greenhalgh, que já é famoso pelo visual alucinante de vários clipes dos Pet Shop Boys, fez desse vídeo um dos mais famosos dos anos 90 com sua descrição exagerada da loucura suburbana. O clipe é como se fosse um BELEZA AMERICANA com ácido. Algumas imagens são realmente perturbadoras, como a da mulher cortando o peixe ainda vivo. Mas tudo é engolido pelo grande buraco negro que anuncia o fim daquela sociedade kitsch-decadente. A banda tocando com as nuvens passando rápido por trás está entre as imagens mais famosas do videoclipe.

9- NOTHING REALLY MATTERS (Madonna)

Madonna – Nothing Really Matters

É mais uma instalação de arte contemporânea do que um clipe, e o próprio cenário denota isso. Madonna encarna uma geisha pós-moderna enquanto um monte de japoneses fazem a ‘epilep-dance’. Os figurinos de Jean-Paul Gaultier são um arraso. Não faz muito sentido, mas é só mesmo pra admirar o espetáculo visual. E adoro o início do clipe, com o bebê que é um saco plástico estiloso.

8- EVIL (Interpol)

Eu morro de medo de bonecos, por isso poucas vezes consegui ver o clipe de “Evil” por inteiro. Começa com um acidente de trânsito, e uma das vítimas é um boneco meio fantoche com uma cara assustadora. E ele ainda canta a música toda! O final do clipe com ele dançando em cima da cama do hospital é um pavor, mas acho engraçado como acaba combinando com a música.

7- PARANOID ANDROID (Radiohead)

É como se fosse um Beavis e Butt-Head doentio. Tem horas que parece que é pra ser engraçado, mas o resultado é sinistro. A animação é um tanto enigmática, com referências sexuais que beiram a perversão mas que os dois protagonistas do clipe parecem não perceber devido a uma inocência suspeita. Não sei se tem alguma história pra ser entendida, mas não dá pra parar de ver.

6- TRIUMPH OF THE HEART (Bjork)

Bjork – Triumph Of The Heart

Poderia ter feito essa lista só com clipes da Bjork, mas escolhi esse aqui pra representar o conjunto da obra. Nessa espécie de comédia romântica bizarra dirigida por Spike Jonze, o fato de Bjork ser casada com um gato (o animal mesmo) é o que menos assusta. E o que é aquela dancinha do final?

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Top 50 – Videoclipes favoritos

E, finalmente, chega a hora de revelar meu videoclipe favorito. E ele é…

1- All is Full of Love (Bjork) – Dir.: Chris Cunningham

 Top 50   Videoclipes favoritos clipografia

A união de dois visionários rendeu o videoclipe mais tocante já produzido. Só que do encontro de Bjork com Chris Cunningham não poderia sair um clipe romântico qualquer. É um vídeo que seduz pelas sensações e pela riqueza de seu visual, que casa perfeitamente com a melodia hipnótica da canção.

Eu sempre achei que havia algo de robótico na Bjork, mas Cunningham levou as minhas suspeitas às últimas conseqüências. O diretor talvez seja o que melhor sabe utilizar os efeitos especiais não só na realização mas também na própria concepção da idéia do clipe. Mas ao invés do exagero, a tecnologia apenas auxilia na estética lírica que lhe é característica. Os vídeos de Chris Cunningham, no entanto, tendem para o gótico, sempre desafiando o espectador a enfrentar um aspecto sombrio inexplicável – estão aí Frozen de Madonna (videoclipe favorito #38), Only You do Portishead e seus assustadores clipes para o Aphex Twin que não me deixam mentir. Para All is Full of Love o desafio visual está lá, mas a escuridão da maioria de seus vídeos dá lugar a uma luz faiscante e o predomínio da cor branca.

Isso não quer dizer que não há algo de assustador no clipe. O robô-Bjork impressiona até hoje pelos efeito em que o rosto da cantora é perfeitamente articulado numa estrutura metálica (e copiado descaradamente no filme EU ROBÔ). O etéreo em All is Full of Love é ao mesmo tempo ritmado e confortante – o clipe tem toda uma cadência própria, quase em câmera lenta, num estilo que remete ao Kubrick de 2001. Por outro lado, o aspecto gélido é acolhedor, já que a robô-Bjork parece estar passando por algum tipo de conserto. Essa figura robótica híbrida, que ilustra a questão do pós-humano como eu nunca vi em nenhum filme, parece contudo estar infeliz quando é mostrada rapidamente em poucas cenas com o o olhar perdido no vazio. As máquinas reparadoras (como aquelas das montadoras de automóveis), continuam a fazer o seu trabalho.

A primeira grande surpresa do vídeo é o aparecimento de outro robô-Bjork  naquela sala iluminada (e cantando a segunda voz do refrão!).  Esse segundo robô estende a mão para o primeiro e há um corte para a segunda grande surpresa, um dos momentos mais lindos da história do videoclipe: os robôs se beijam.

A temáticada da sexualidade também é muito presente na videografia de Chris Cunningham, mas aqui ele lança uma nova luz sobre os limites do orgânico e inorgânico (e não é à toa que ele participou como supervisor de efeitos especiais nos dois últimos filmes da série ALIEN). Primeiramente, o beijo do clipe não é nada suave: ele é mostrado em toda a sua avidez e sensualidade, e a posição em que as duas figuras se encontram indicam um prelúdio ao sexo, com direito à mão na bunda e tudo.  Em segundo lugar, a presença das imensas máquinas atrás do casal acentua a artificialidade da cena, como se aquele ‘amor’ só fosse concretizado com o auxílio de uma estrutura mecânica despida (ou não) de sentimento. A iluminação fica menos acentuada, como se o próprio clipe quisesse respeitar a intimidade do casal ao colocá-lo na penumbra. Mas, finalmente, o mais impressionante de tudo é que as duas figuras que se beijam são praticamente iguais – são duas robôs-Bjork se beijando. Será que o amor no mundo moderno (rodeado de aparatos tecnológicos) é tão artificial que só se basta quando encontra a si mesmo? O outro que procuramos nesse mundo frio de lâmpadas fluorescentes é a apenas o reflexo de nós mesmos?

A simbologia do ato sexual misturado ao aspecto mecânico chama a atenção, especialmente a abundância do líquido branco espesso que envolve as duas figuras e escorre para cima desafiando a gravidade, e também a imagem do pistão que entra e sai constantemente do maquinário.

Um belíssimo clipe que me deixa atônito até hoje. O meu preferido.