- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

Pop Erudito: Cena do museu em “Curtindo a Vida Adoidado”

Desde a primeira vez que assisti a CURTINDO A VIDA ADOIDADO, sempre achei meio fora do lugar o passeio que os protagonistas fazem ao museu. Afinal de contas, aquele é para ser o dia mais alegre e agitado que se pode ter: faltar a escola, dirigir uma Ferrarri, estar com os melhores amigos, almoçar num restaurante caríssimo e até mesmo cantar Beatles num carro alegórico no meio da rua.

Quando se chega ao Instituto de Arte de Chicago, parece que o filme reduz seu ritmo vertiginoso, até porque o que geralmente é associado à própria ideia de museu é uma atitude contemplativa, pra não dizer “chato”, como muita gente acha. Hoje acredito que a cena do museu é o contraponto perfeito pra cena do “Twist & Shout” (e não acho coincidência que elas sejam em sequência). Se Ferris cantando na parada alemã é o momento catártico do filme, a cena do museu tem como foco o momento em que os personagens entram em contato maior com suas complexas personalidades. É no museu, por exemplo, em que há a cena  romântica entre Ferris e Sloane (até então, o relacionamento entre os dois me parecia ser algo mais de brincadeira do que um interesse amoroso genuíno).

Mas é especialmente Cameron que, numa cena breve e impactante, entra em contato com seu lado mais íntimo. Em meio a Picassos, Kandinskys e Hoppers, ele para em frente a “Tarde de Domingo na Ilha de La Grande Jatte”, de Georges Seurat. Seu olhar (que também é o olhar do público) se concentra no rosto de uma menininha no quadro, acompanhada de sua mãe. E quanto mais próximo o olhar (o da câmera, o de Cameron, o nosso), mais desfocado se torna o rosto da menina. Da mesma forma, closes vez mais próximos de Cameron deixa apenas seus olhos azuis na tela.

É uma cena incrivelmente lenta e sensível num filme tão obcecado com a diversão a qualquer custo. John Hughes parece querer fazer dela o centro emocional do roteiro, e a própria escolha de colocar “Please, Please, Please, Let Me Get What I Want” dos Smiths como trilha-sonora reforça isso. Das análises que já li/ouvi sobre a cena, talvez a melhor mesma seja a do próprio Hughes: a criança do quadro é Cameron, e quanto mais perto se olha pra ela, menos se vê – e esse é o grande medo do personagem. Talvez para entender a vida por inteiro, é necessário dar alguns passos pra trás.

Top 10: Filmes pra ficar feliz

Um dos posts mais acessados aqui do blog é o Top 10 de filmes tristes. Para impedir que as pessoas que lêem aquele post se matem, está na hora de fazer um top 10 de filmes pra se ficar feliz – os chamados feel good movies. Existem vários nesse estilo, mas abaixo vai uma lista bem pessoal:

10- UMA LINDA MULHER

richard gere and julia roberts in pretty woman 0090 303x425 Top 10: Filmes pra ficar feliz 24 quadros por segundo

Esse filme é o principal exemplo de “roteiro 101″: manipulativo, formulaico e até um pouco sexista. Mas quer saber? Funciona que é uma beleza. Ao mesmo tempo é uma história de amor e de sucesso e obviamente a personagem principal é tão especial não porque é diferente mas porque se conforma às regras. Acho interessante como no filme a idéia de relacionamento amoroso está intimamente ligada à idéia de sucesso financeiro. O milionário vivido por Richard Gere se torna uma pessoa melhor porque descobre o amor onde menos esperava; a personagem de Julia Roberts se torna uma pessoa melhor porque agora pode comprar o que quiser na Rodeo Drive e esnobar vendedoras. Essa versão moderna de Cinderella diz muito mais sobre o mundo em que vivemos do que podemos imaginar.

Cena mais feliz: o final, com o ‘príncipe’ resgatando a ‘princesa‘. E o sorriso de Julia Roberts garante a alegria de qualquer pessoa por um dia inteiro.

9- INDIANA JONES E O TEMPLO DA PERDIÇÃO

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Nada mais feliz do que o herói corajoso que derrota os vilões e ainda fica com a mocinha no final. Hoje o filme é muito criticado por sua atitude superior e até mesmo racista, especialmente com relação àquela tribo exótica que (literalmente) come o coração de mocinhas brancas e loiras. Talvez por isso, o próprio Spielberg diga que esse é o filme de INDIANA JONES que menos gosta. Contudo, acho que por esse ser exatamente o filme da série que menos se preocupa com grandes idéias e temas (não se concentra tanto em aspectos históricos ou religiosos como os outros da série), há espaço para várias das melhores sequências de aventura da história do cinema. Além do mais, a história é construída de diferentes ‘atos’, todos divertidamente exagerados (o jantar com cérebro de macaco é antológico), o que fazem o filme ir num crescendo de adrenalina. Assim, a sensação do espectador é de que literalmente passou por uma montanha-russa – incluindo o alívio e a satisfação ao final da jornada.

Cena mais feliz: ao invés de escolher uma sequência de ação, fico aqui com a cena de abertura, talvez onde Spielberg tenha sido mais bem-sucedido no pastiche dos filmes de matinê  dos anos 40 – Kate Capshaw como a diva loira cantando “Anything Goes”. Aliás, como é divertido ver Spielberg brincando de Busby Berkeley! Imaginem só ele dirigindo um musical!

8- O MÁSCARA

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Falando em musicais, O MÁSCARA é um filme que reluta muito em se assumir como um. A história meio Jekyll e Hyde da máscara que dá a Jim Carrey o melhor super-poder que existe (transformá-lo num desenho animado) em muito se debate entre sair ou não do armário dos musicais. Há sequências inteiras no filme de colocar muito NINE no chinelo. A história ainda tem aventuras alopradas, vilões divertidamente caricatos e uma bombshell de babar, no melhor univerno cartunesco criado em cinema desde DICK TRACY.

Cena mais feliz: Jim Carrey dançando e cantando ‘Cuban Pete’ com os policiais. É de dançar rindo ou rir dançando.

7- OS GOONIES

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Nada como aventuras quando se é criança, e nenhum filme captou esse espírito melhor do que OS GOONIES. Tem piratas, uma família de mafiosos atrapalhada, birra com os irmãos adolescentes que se acham super-maduros, um tesouro perdido e… o Slot! E diferente de outros filmes, quando acaba e todo mundo está a salvo, não existe aquela coisa de ‘eles amadureceram e nunca mais foram os mesmos’. Os personagens permanecem infantis e fofos.

Cena mais feliz: nunca uma cena foi tão engraçada com alguém chorando do que quando o Chunk faz sua série de confissões sendo torturado pelos Fratellis. E dublado em português consegue ser ainda mais hilário.

6- TOY STORY

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As crianças amam as produções da Pixar mas, sinceramente, acho que os adultos gostam ainda mais. No caso de TOY STORY, isso é ainda mais especial porque os adultos assistem ao filme com um certa nostalgia (e acho que no terceiro filme com um Andy maduro, isso vai acabar sendo um elemento da narrativa). As neuroses de cada personagem são hilárias, além da amizade entre Woody e Buzz ser algo tão genuíno que a única opção é torcer por eles.

Cena mais feliz: Muitos reclamam que todos os filmes da Pixar, por mais brilhantes que sejam, sempre tem que terminar com uma grande sequência de aventura (exceto RATATOUILLE, que é o mais brilhante de todos também por isso). No entanto, nenhuma cena de ação é mais bem estruturada, tensa e ao mesmo tempo tocante quanto aquela em que Woody e Buzz tentam voltar pro caminhão de mudança e terminam ao lado de Andy.

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