Rapidinhas
- GHOST TOWN: Umas das melhores surpresas que tive esse ano. O mega-roteirista David Koepp se aventura mais uma vez na direção e realiza seu melhor filme. Aparentemente, é aquela típica comédia bonitinha que usa fantasmas pra mostrar como a vida é bela e o amor é lindo. No entanto, a história é bem menos açucarada do que poderia se imaginar, e mesmo a transformação do incorrigível misantropo (Ricky Gervais, excelente) em uma figura de bom coração não é tão completa assim. Greg Kinnear está inspirado como o fantasma mau-caráter, e até mesmo Tea Leoni (que geralmente acho irritante) agrada, em sua melhor versão de Meg Ryan. A última fala do filme é de uma delicadeza que até hoje estou pensando nela.
- O CLUBE DAS COELHINHAS: Besteirol estrelado por Anna Faris, que merecia mais. O filme foi feito para repetir o sucesso de LEGALMENTE LOIRA e levar Faris finalmente ao estrelato, mas isso não aconteceu. Piadas geralmente sem graça e situações que ficam entre o óbvio e o estapafúrdio não ajudam.
- SECRETÁRIA: Misteriosamente, nunca tinha assistido a esse filme – e realmente adorei. Tanto se falou que o filme era pervertido e um tanto imoral, mas na verdade não é nada disso. O que mais vale é que o diretor não julga seus personagens, o que por si só já dá uma leveza à produção, mesmo com cenas de sadomasoquismo light. Maggie Gyllenhaal arrasa – ela tinha que fazer o papel de uma maluca lésbica assassina e colocar uma maquiagem bem pesada pra ganhar o Oscar.
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- SEGURANDO AS PONTAS: Mais uma produção da “escola Judd Apatow” de comédia com todos os seus elementos característicos: ‘bromance’, piadas sobre filme e música, e Seth Rogen. Nesse filme, contudo, o diferencial está em fazer da maconha quase um personagem, o que eventualmente dá certo. James Franco, que deveria fazer mais comédia, está impagável como o traficante que vive chapado. A trama amalucada que envolve uma briga de gangues pra lá de exagerada lembra até o estilo dos Irmãos Coen. Mas pra fazer esse filme, só se eles tivessem fumado um baseado.






- O CASAMENTO DE RACHEL: Pelo visto foi de propósito que o Oscar não indicou os melhores filmes do ano passado. Depois de O LUTADOR e WALL-E, O CASAMENTO DE RACHEL é um dos grandes representantes do cinema americano atual, seja ele independente ou não. Jonathan Demme, num estilo ultra-realista que remete ao movimento Dogma, filma com uma câmera na mão e muitas neuroses na cabeça (dos personagens). É um filme sutil em algumas cenas e bombástico em outras, e as escolhas do roteiro são em sua maioria acertadas. Acho ótimo o comentário nas entrelinhas sobre a questão racial ou sobre o retorno de soldados do Iraque, mesmo que isso jamais seja mencionado. O trio de atrizes (Anne Hathaway, Debra Winger e Rosemarie DeWitt) dão um mergulho na culpa e no medo narcísico de serem esquecidas ou ignoradas – mesmo não sendo pessoas adoráveis, conseguem a empatia do espectador. Uma realidade vibrante em forma de cinema.
- LARS AND THE REAL GIRL: Com uma premissa absurda, a produção consegue ser o típico filme fofo independente, mas que mexe com questões nada fáceis, especialmente quando se aventura pela pergunta perigosa: ‘O que é o amor?’ A resposta, quem sabe, pode estar escondida atrás dos olhos jovens e cheios de significado de Ryan Gosling, em mais uma soberba interpretação. Patricia Clarkson é outro nome de destaque, fazendo a médica que tentar ‘curar’ Lars. Gosto do fato do filme questionar a esquisitice da boneca inflável, mas nunca o amor de Lars por ela.
- UMA NOITE DE AMOR E MÚSICA: Título em português bem direto para NICK & NORAH INFINITE PLAYLIST. Por mais adolescente que seja o espírito do filme, há uma abordagem bem madura aqui para diferentes questões (amor, fama, homossexualismo, amizade e ‘pé na bunda’). É o tipo de filme que te lembrará de outras histórias já bem contadas pelo cinema, mas nem por isso faz com que “a noite de amor e música” de Nick & Norah seja trivial. E o que o agente de Kat Dennings está fazendo que não a transformou em estrela ainda?
- KUNG-FU PANDA: Taí um filme bem mais divertido do que eu pensava. Com um fiapo de história e um visual alucinante, empolga com uma manjadíssima história de superação. O protagonista, além de fofo, é o personagem mais cativante da Dreamworks Animation desde o Gato de Botas.
- LINHA DE PASSE: Mais um filme de ‘estética da pobreza’, mas dessa vez com uma alternativa diferente, mas nem tanto. Walter Salles continua a sua busca por um neo-realismo brasileiro, mas aqui ele não é tão bem-sucedido como em CENTRAL DO BRASIL ou na sua obra-prima, TERRA ESTRANGEIRA. Apesar de algumas metáforas um tanto óbvias, o destaque vai para as atuações. Além da festejada Sandra Corveloni, Vinícius de Oliveira arrasa.
- NÚMERO 9: Uma idéia até interessante, mas que acaba virando o samba do roteirista doido ao querer brincar de David Lynch. A divisão em três atos prejudica o filme (até porque o segundo, de caráter metalinguístico, é claramente superior), que termina querendo ser inteligente mas só fica no nonsense mesmo.
- FLIGHT OF THE RED BALLOON: Mais uma obra lentamente onírica de Hou Hsiao-hsein, que seduz pela fluidez das cenas cotidianas longuíssimas e inacreditavelmente sem cortes, além de mais um show de Juliette Binoche. No início dá sono, mas depois que se entra no clima do filme é difícil não ficar vidrado.