- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

Top 10: Filmes pra ficar feliz

Um dos posts mais acessados aqui do blog é o Top 10 de filmes tristes. Para impedir que as pessoas que lêem aquele post se matem, está na hora de fazer um top 10 de filmes pra se ficar feliz – os chamados feel good movies. Existem vários nesse estilo, mas abaixo vai uma lista bem pessoal:

10- UMA LINDA MULHER

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Esse filme é o principal exemplo de “roteiro 101″: manipulativo, formulaico e até um pouco sexista. Mas quer saber? Funciona que é uma beleza. Ao mesmo tempo é uma história de amor e de sucesso e obviamente a personagem principal é tão especial não porque é diferente mas porque se conforma às regras. Acho interessante como no filme a idéia de relacionamento amoroso está intimamente ligada à idéia de sucesso financeiro. O milionário vivido por Richard Gere se torna uma pessoa melhor porque descobre o amor onde menos esperava; a personagem de Julia Roberts se torna uma pessoa melhor porque agora pode comprar o que quiser na Rodeo Drive e esnobar vendedoras. Essa versão moderna de Cinderella diz muito mais sobre o mundo em que vivemos do que podemos imaginar.

Cena mais feliz: o final, com o ‘príncipe’ resgatando a ‘princesa‘. E o sorriso de Julia Roberts garante a alegria de qualquer pessoa por um dia inteiro.

9- INDIANA JONES E O TEMPLO DA PERDIÇÃO

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Nada mais feliz do que o herói corajoso que derrota os vilões e ainda fica com a mocinha no final. Hoje o filme é muito criticado por sua atitude superior e até mesmo racista, especialmente com relação àquela tribo exótica que (literalmente) come o coração de mocinhas brancas e loiras. Talvez por isso, o próprio Spielberg diga que esse é o filme de INDIANA JONES que menos gosta. Contudo, acho que por esse ser exatamente o filme da série que menos se preocupa com grandes idéias e temas (não se concentra tanto em aspectos históricos ou religiosos como os outros da série), há espaço para várias das melhores sequências de aventura da história do cinema. Além do mais, a história é construída de diferentes ‘atos’, todos divertidamente exagerados (o jantar com cérebro de macaco é antológico), o que fazem o filme ir num crescendo de adrenalina. Assim, a sensação do espectador é de que literalmente passou por uma montanha-russa – incluindo o alívio e a satisfação ao final da jornada.

Cena mais feliz: ao invés de escolher uma sequência de ação, fico aqui com a cena de abertura, talvez onde Spielberg tenha sido mais bem-sucedido no pastiche dos filmes de matinê  dos anos 40 – Kate Capshaw como a diva loira cantando “Anything Goes”. Aliás, como é divertido ver Spielberg brincando de Busby Berkeley! Imaginem só ele dirigindo um musical!

8- O MÁSCARA

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Falando em musicais, O MÁSCARA é um filme que reluta muito em se assumir como um. A história meio Jekyll e Hyde da máscara que dá a Jim Carrey o melhor super-poder que existe (transformá-lo num desenho animado) em muito se debate entre sair ou não do armário dos musicais. Há sequências inteiras no filme de colocar muito NINE no chinelo. A história ainda tem aventuras alopradas, vilões divertidamente caricatos e uma bombshell de babar, no melhor univerno cartunesco criado em cinema desde DICK TRACY.

Cena mais feliz: Jim Carrey dançando e cantando ‘Cuban Pete’ com os policiais. É de dançar rindo ou rir dançando.

7- OS GOONIES

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Nada como aventuras quando se é criança, e nenhum filme captou esse espírito melhor do que OS GOONIES. Tem piratas, uma família de mafiosos atrapalhada, birra com os irmãos adolescentes que se acham super-maduros, um tesouro perdido e… o Slot! E diferente de outros filmes, quando acaba e todo mundo está a salvo, não existe aquela coisa de ‘eles amadureceram e nunca mais foram os mesmos’. Os personagens permanecem infantis e fofos.

Cena mais feliz: nunca uma cena foi tão engraçada com alguém chorando do que quando o Chunk faz sua série de confissões sendo torturado pelos Fratellis. E dublado em português consegue ser ainda mais hilário.

6- TOY STORY

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As crianças amam as produções da Pixar mas, sinceramente, acho que os adultos gostam ainda mais. No caso de TOY STORY, isso é ainda mais especial porque os adultos assistem ao filme com um certa nostalgia (e acho que no terceiro filme com um Andy maduro, isso vai acabar sendo um elemento da narrativa). As neuroses de cada personagem são hilárias, além da amizade entre Woody e Buzz ser algo tão genuíno que a única opção é torcer por eles.

Cena mais feliz: Muitos reclamam que todos os filmes da Pixar, por mais brilhantes que sejam, sempre tem que terminar com uma grande sequência de aventura (exceto RATATOUILLE, que é o mais brilhante de todos também por isso). No entanto, nenhuma cena de ação é mais bem estruturada, tensa e ao mesmo tempo tocante quanto aquela em que Woody e Buzz tentam voltar pro caminhão de mudança e terminam ao lado de Andy.

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Algo de podre?

Emile Hirsch

Estava demorando para o cinema apresentar mais uma versão de “Hamlet”, a obra máxima do teatro mundial. Existem alguns filmes legais e outros nem tanto sobre o príncipe dinamarquês de William Shakespeare. A próxima tentativa de transpor para as telas a fúria indecisa do do personagem parece que vai sair com Emile Hirsch atuando e Catherine Hardwicke dirigindo. Hardwicke, antes de fazer o chatíssimo CRESPÚSCULO, tinha mostrado bastante talento em AOS TREZE e OS REIS DE DOGTOWN (também com Hirsch). Mas “Hamlet”?

Estava disposto a dar um voto de confiança, até que li que o produtor quer “apresentar a história como um thriller de suspense, e tornar a história excitante e acessível ao público de hoje”. Acho “acessível”  um termo um tanto perigoso, principalmente se em “público de hoje” pensarmos em “público médio de blockbuster norte-americano”. A não ser que seja uma grande piada pós-moderna (como naquela hilária versão com Schwarzenegger em O ÚLTIMO GRANDE HERÓI), espero que Hardwicke não trilhe o caminho da idiotização. Não que eu amasse uma versão 100% fiel – adoro liberdades de estilo, contanto que  seja algo criativo.

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Das versões cinematográficas de “Hamlet”, a primeira que realmente ficou famosa foi a de Laurence Olivier, considerado por muitos o maior ator shakesperiano de todos os tempos. Ele dirigiu e atuou, e de certa forma foi essa versão que fez ficar popular a idéia do príncipe vagando sem saber o que fazer com um ar meditativo. Eu particularmente achei bem chato.

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Em 1990, Franco Zefirelli fez uma versão com Mel Gibson no papel principal. O mistério até hoje permanece se Zefirelli comeu cocô ou tomou chá de cogumelo antes de dar o maior papel do ocidente a um dos atores mais sofríveis do ocidente e oriente juntos. Além do mais, o filme corta o que não é pra cortar, acelera o que era pra contemplar, e usa e abusa dos psicologismos mais rasos pra tratar da relação de Hamlet com Gertrude. Aliás, só mesmo Glenn Close como a rainha se salva. E a cara de perdida da Helena Bonham Carter serve como alívio cômico.

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Em 1994, a Disney achou que “Hamlet” seria ótimo para criancinhas e lançou sua obra-prima – O REI LEÃO. De todas as referências à peça (da morte do pai e seu retorno como fantasma, do tio assassino, de Timão e Pumba como Rosencrantz e Guildenstern), pra mim a mais criativa é mostrar a clássica indecisão de Hamlet como algo divertido – as divagações sobre o “ser ou não ser” viraram o Hakuna Matata.

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Em 1996, Kenneth Branagh – o Olivier moderno – lançou sua ambiciosa versão de “Hamlet”, a minha favorita por vários motivos. O principal deles é que é a obra completa, e nem por isso o filme é chato (vi no cinema a versão trucidada pela Columbia, mas depois em VHS a original de 4 horas). A opção de transportar a história para o século XIX foi golpe de mestre, especialmente porque a questão da identidade nacional (assunto-chave do período) é um dos temas-chave da peça explorados por Branagh. A decisão de filmar em 70 mm também fez toda a diferença – até hoje é um dos filmes mais visualmente arrebatadores que já vi. E com seu elenco multi-estelar, (de Judi Dench a Billy Crystal, de Kate Winslet a Charlton Heston), Branagh retoma um ponto crucial da interpretação shakesperiana: pode um ator de formação contemporânea e não inglês atuar em “Hamlet” de forma convincente? Com esse filmaço, ele provou que sim.

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Em 2000, é lançada uma versão de “Hamlet” dirigida por Michael Almereyda com Ethan Hawke no papel-título. É uma versão modernizada (a Dinamarca vira “Denmark Corporation” e o pai de Hamlet era um alto executivo), mas com os diálogos no original. Gosto de algumas sacadas dessa  visão contemporânea, especialmente o ‘to be or not to be’ sendo declamado na Blockbuster e o fantasma do pai de Hamlet que sai da máquina de refrigerantes. E Bill Murray como Polonius é brilhante. Aliás, em quantas versões de peças de Shakespeare a Julia Stiles esteve?A mulher estava em todas!

Gosto bastante do Emile Hirsch (NA NATUREZA SELVAGEM, enough said), mas essa coisa de deixar ‘acessível’ me parece um tanto estúpido. Vamos ver no que vai dar.

Top Ten – Filmes sobre amizade

Existem duas coisas em cinema que me deixam arrasado. Uma é qualquer cena que mostra alguém na praia, observando o mar. A outra é assisir a filmes que tenham uma grande amizade como tema. Aqui vai uma lista bem pessoas sobre meus filmes favoritos sobre amizade.

10- SINGLES

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Esse filme é um poço de lembranças e eu vi várias vezes em VHS. Lembro que só fui entender a importância de todo aquele contexto grunge de Seattle bem depois, assim como a presença de Chris Cornell e Eddie Vedder. O elenco é um charme só (acho que casava com a Bridget Fonda nesse filme) e na minha adolescência sonhava em levar uma vida como aquela. As amizades do filme são daquelas do tipo que, com um empurrãozinho, podem virar amor. Um dos dois melhores filmes de Cameron Crowe.

9- CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS

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Tristíssimo, esse é um dos grandes filmes nacionais recentes. João Miguel, sempre fenomenal, é a expressão de uma região agrária e desolada mas mesmo assim cheia de esperança. O vínculo que ele cria com o alemão que vai de região em região levando um cinema itinerante é o fio condutor da narrativa, e à medida que eles aprendem um com o outro, nós como espectadores aprendemos mais sobre viver, eu acho.

8- TRÊS FORMAS DE AMAR

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Esse filme ficou famoso pelo ménage entre os três personagens principais, mas na verdade é apenas uma cena e o sexo é mais sugerido que mostrado. O que mais gostei mesmo foi como a amizade é mostrada como algo tão frágil que, um gesto errado ou uma palavra diferente, pode colocar tudo a perder. Ainda sim, o filme tem cenas super divertidas, como a road trip ao som de I’ll take you there.

7- CAINDO NA REAL

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Outro filme que eu cansei de ver em VHS e queria ter a vida igualzinha a dos personagens, inclusive os problemas, porque eles são tão cool. Só vim a saber que esse era filme definitivo da ‘Generation X’ bem depois, mas já me identificava muito. O elenco é muito bom, mas Ethan Hawke fazendo um misantropo de butique rouba todas as cenas. Porque o Ben Stiller nunca mais dirigiu nada assim?

6- O REENCONTRO

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Com o passar do tempo, a sensação de rever esse filme é a mesma dos personagens que passam uma temporada numa casa convivendo com os velhos amigos depois do suicídio de um deles. A trilha-sonora dos anos 70 é um arraso, e é impossível não se identificar com pelo menos uma daquelas pessoas e pensar no que vai ser da sua vida quando você estiver naquela fase da vida (que acho q é a minha atual!). Elenco fenomenal (Glenn Close, William Hurt, Tom Berenger, Kevin Kline) e a cena de funeral mais linda da história do cinema, cortesia dos Rolling Stones.

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