- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

LOST – Comentários sobre o final da série

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É inevitável que uma série como LOST, tão marcada por mistérios e inúmeras perguntas, tenha muito de sua qualidade definida pelo nível de satisfação de seu final. Mesmo com o papo de “o que importa foi o caminho percorrido” e bla bla bla, todo mundo quer que o final seja no mínimo recompensador.

Contudo, o mais curioso é que muito sobre LOST não vai ser julgado pelo seu episódio final, mas especialmente pelos seus 20 minutos finais. E numa série dada a inúmeras referências, esse final não podia ser diferente: foi de citações a preceitos do Budismo e do Cristianismo, passando por MATRIX e O SEXTO SENTIDO. Mas me parece que muito da decepção ou da satisfação com relação ao final de LOST passa mais por uma questão crucial:

Os roteiristas-produtores não se preocuparam em explicar o que era a ilha, e sim o que eram os flash-sideways.

Está claro pra mim que essa é a primeira constatação de qualquer um que tenha a pretensão de discutir o tão desejado ‘significado’ da série (ou a falta dele). Na verdade, o abandono de alguns mistérios ou arcos narrativos (qual a importância de Walt? quem está por trás da Hanso Foundation? qual a razão do embate entre Widmore e Benjamin Linus?) foi feito para se dar ênfase a um único – qual a razão da tal realidade alternativa fora da ilha? Acontece que essa é uma preocupação apenas da última temporada, e não da série inteira. E daí que o nosso julgamento do final da série tem de passar irrevocavelmente pela nossa opinião da 6ª temporada.

Para mim, de todas as imensas qualidades de LOST, a maior delas é a criatividade em trabalhar sua narrativa – múltipla, fragmentada, plural. A série começou com o recurso tradicional do flashback, depois passou pelo mais inovador flashforward, e aí para uma narrativa de viagem no tempo e finalmente inventou uma nova realidade. Ou seja: começou trabalhando de forma convencional as questões de tempo (pra frente ou para trás), depois desconstruiu essa própria noção com as viagens no tempo e, ao final, ultrapassou não só os limites de tempo mas também as de espaço criando os flash-sideways.

Só que ficar na narrativa pura não dá uma série de sucesso: LOST também tinha personagens cativantes com micro-histórias que, sozinhas, dariam origem a várias outras séries interessantes individualmente. Junte-se a isso a questão dos mistérios inacreditáveis que se misturava à campanha de marketing que marcou época, e temos um dos principais fenômenos da cultura/entretenimento desse início de século.

Em se tratando de LOST, a 6ª temporada foi incrivelmente irregular. Todo aquele arco narrativo do Templo teve poucos momentos importantes e parece não ter levado a lugar nenhum. Os próprios acontecimentos da ilha estavam um tanto desinteressantes – apoiando-se basicamente no binômio Jacob/Homem de Preto e no talento de Terry O’Quinn.

O que havia de realmente marcante, questionador, surpreendente ou no mínimo curioso acontecia nos flash-sideways. Mesmo nos episódios mais fracos (como no de Kate ou no de Sun/Jin), havia algo que nos levava a considerar os paralelismos entre aquela realidade e a realidade da ilha. Em seus melhores episódios (como no de Desmond, em que começa a se delinear a junção entre os dois universos), somos apresentados aos melhores aspectos das duas esferas tão mencionadas pelos fãs, mas que no fundo sempre estiveram unidas: o da ‘mitologia’ e o das ‘histórias individuais’.

Assim sendo, por um lado gostei bastante da importância dada aos flash-sideways no final – e de certa forma, a ênfase quase que total nas tais ‘histórias individuais’ deixando vários aspectos da  ‘mitologia’ de lado (sim, ficamos sem saber o que era o pássaro que dizia o nome do Hurley na 1ª temporada). Contudo, quando o final se concentrava nesses aspectos ‘mágicos’, não convenceu muito. A tal caverna mágica pode ter inúmeros simbolismos, mas acabou se reduzindo a um recurso chinfrim pra criar um final com destruição digno de filme de James Bond (daqueles com o Roger Moore), com direito a câmera tremendo pra fingir que é terremoto. Mesmo eu talvez sendo o único a ter gostado de “Across The Sea” (aka, o episódio da mãe do Jacob/Homem de Preto), foi estranho ser apresentado aquilo tudo tão perto do final – ficou parecendo que a caverna mágica foi um recurso de última hora pra explicar a ilha e muita coisa relacionada a ela.

E aí chegamos a um ponto importante: onde ficou a ciência em LOST?  Muitos abandonaram a história na 5ª temporada, quando começou a narrativa das viagens no tempo e a série saiu do armário da ficção científica. Nessa 6ª temporada, quem gostava mais dos aspectos científicos em LOST (como Dharma, eletreomagnetismo, ‘buraco de minhoca’ etc), que chegaram ao seu ápice na 2ª temporada, se desiludiu de vez com a ênfase (talvez exagerada) em aspectos simbólicos e altamente subjetivos.

Eu acredito que de certa forma podemos interpretar isso como mais um aspecto da multiplicidade de leituras de LOST – que é uma de suas principais características (e agradeço profundamente Cuse e Lindelof por nos poupar de explicações timtim por timtim). Muitos dos mistérios de LOST podem ser lidos como a emergência de questões mágicas/imaginativas/simbólicas, mas também como aspectos científicos da ilha. Desde o urso polar (cobaias da Dharma ou representação dos poderes de Walt ao ler HQ?) até a própria caverna mágica (luz primordial ou descarga eletromagnética?), muito pode visto dessa forma dual.

No entanto, é nesse entre-lugar entre o científico e o simbólico que reside uma das principais questões não só de LOST mas de praticamente todas essas grandes narrativas contemporâneas da cultura pop: porque não satisfeitas com a própria força de seu enredo e com a construção de seus personagens, essas histórias tem de recorrer a um inevitável discurso religioso?

Não digo que isso seja bom ou ruim – apenas acho um fenômeno extremamente complexo. Qual a necessidade de obras literárias, cinematográficas ou da TV precisarem imbuir o seu ‘sentido final’ a uma esfera religiosa? Sendo mágica (HARRY POTTER), gótica (O SEXTO SENTIDO) ou de ficção científica (BATTLESTAR GALACTICA, AVATAR, MATRIX), parece que a própria natureza intrincada de suas histórias não lhe bastam: precisam de um ‘purgatório’, de uma figura messiânica, de um comentário sobre reencarnação.

Eu chamo esse fenômeno de “Chico Xavierzação” da cultura pop. Novamente, não sei se isso é válido em si. Não que seja novidade – a ficção científica especialmente é famosa por sua conexão com o místico. Mas essa ligação com o religioso hoje em dia me parece que é usado, antes de mais nada, como um discurso legitimador, do tipo “tem um monstro de fumaça que solta faísca, mas no fundo ele é a representação da queda de Adão. Viu como a série é profunda?”

E LOST, como principal narrativa de ficção científica pós-MATRIX, seguiu o mesmo caminho. Sabendo que não importa a explicação que fossem dar sobre a ilha, ela nunca seria satisfatória o suficiente, preferiram se concentrar nos flash-sideways. Só que essa explicação foi tão pesada no quesito religioso que me pergunto se precisava realmente daquilo tudo. Quando no episódio “Happily Ever After” se esboçou uma teoria de que tudo era o ‘amor’, muitos acharam patético. Mas não sei se seguir a veia unicamente sentimental teria sido tão ruim. Não que esse episódio final não tivesse seus momentos extremamente tocantes: Sun/Jin (chorei), Charlie/Claire (chorei muuuuito), Sawyer/Juliet (ri e chorei ao mesmo tempo).

Aliás, não é engraçado perceber que aqueles diziam “é o purgatório” estavam certos desde o início? Eles só estavam falando da realidade errada. E como o Rômulo tinha dito, teve até cena à la “Dumbledore explica tudo a Harry”, só que dessa vez com Christian Shephard (e pra quem não pegou a referência do nome, estava lá a Kate pra fazer piadinha e esfregar na nossa cara).

Falando especificamente do destino dos personagens:

- gostei muito do Jack nessa temporada. Teve final merecido e achei ótimo o “mini-flashback do amor” (golpe de mestre de Cuse & Lindelof) mais importante ser causado pelo seu pai e não por Kate.

- Kate excelente. Evangeline Lilly se redimiu de péssimos episódios.

- finais amorosos fofos: Sun/Jin, Charlie/Claire, e especialmente, Juliet/Sawyer.

- final amoroso meio forçado: Shannon/Sayid

- Locke: talvez o melhor “mini-flashback”, com ele mexendo o pé. E impressionante como a interpretação do Terry O’Quinn mudou.

- Ben: desfecho redentor para o personagem. E ele falar pro Locke levantar, muito bonito.

- Hurley: o novo Jacob, me surpreendi. Mas de forma positiva.

- Desmond & Penny: mereciam uma super cena, mas quem fez “The Constant” não precisa de mais nada.

Se teve uma coisa que gostei muito desse final foi que, ao mesmo tempo em que há um final redentor (de Cristo Redentor na entrada da igreja, mais especificamente) para os personagens, por outro lado há um certo amargor no destino deles fora dali. Jack morre na ilha acompanhado por Vincent, e por mais que seja por causa de seu heroísmo e sua recém-adquirida fé, é muito triste. Mais triste ainda é saber que os tripulantes do avião (Kate, Sawyer, Miles, Lapidus – vivo! – e Alpert –vivo!) provavelmente tiveram uma experiência de vida vazia e sem sentido se considerarmos seus flash-sideways. Afinal, Christian Shephard diz para Jack: “Alguns morreram antes de você, outros muito tempo depois de você”.

Mas a frase mais significativa de Christian para Jack Shephard foi: “Não existe o aqui e o agora.” E como tudo em LOST, pode-se ler isso de várias formas: a explicação mais óbvia seria uma mistureba new age de todas as religões (claramente retratadas no vitral atrás do personagem). Mas prefiro ler essa afirmação como uma reafirmação das maneiras como LOST sempre inteligentemente subverteu o esquema da narrativa linear. Depois de tanto falar sobre manipulações de tempo/espaço, chegou a hora de afirmar que ambos os conceitos são meramente discursos subjetivos – o ‘aqui’ e ‘agora’, ao final, realmente não fizeram a menor importância para aqueles que tiveram os momentos mais importantes de suas vidas na ilha.

Como não podia deixar de ser em LOST, é um final com mais perguntas que respostas e fico feliz que tenha sido assim. A própria questão de porque aquelas pessoas especificamente estavam na igreja vai ser debatida pra sempre, assim como debatemos por anos porque aquelas pessoas especificamente estavam na ilha.  Podemos até chegar a pensar quem estaria na ‘nossa igreja’, ou quem seria o ‘nosso Christian Shepherd’ (eu pelo menos pensei). Mas, claro que, assim como o ‘aqui’ e ‘agora,’ talvez eles não passem também de mais invenções para suportarmos a dor de não nos encontrarmos – pelo menos até vislumbrarmos a caverna iluminada.

LOST termina como uma excelente narrativa humana, imaginativa como poucas que já assisti – mas como reforçado nesse último episódio, essencialmente mística. O quanto isso vai afetar o legado da série (cujos episódios vou rever e rever), saberemos em breve. See you in another life, brotha.

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1999 – O Ano que não terminou

Estamos em 2009 e há exatos 10 anos atrás o cinema norte-americano (mas não só ele) viveu uma fase de ouro. Os filmes lançados em 1999 foram os que realmente marcaram uma nova visão temática, narrativa, e até mesmo de propaganda para a Hollywood do século 21. No drama, no suspense ou na ficção científica, muitos dos filmes que assistimos nesses anos “OO” (alguém vai inventar um nome melhor pra essa década?) são herdeiros das principais produções de 1999. Vamos a elas:

MATRIX

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O que achei quando eu vi: Saí do cinema achando um filme de ação bem legal, especialmente o uso do slow motion nas cenas de ação e do kung fu coreográfico.

O que eu acho hoje: Por mais que eu goste do filme, ainda assim não acho toda essa maravilha a ponto de chamar de clássico. Mas só o fato de ser uma ficção científica com idéias realmente originais vale a pena. Sua proposta de “Baudrillard para as massas” é ótima, além das trocentas referências à filosofia e à literatura.

A influência: A indústria de casacos de vinil, couro preto e óculos escuros tem muito que agradecer aos irmãos Wachowski. Agora falando sério, as cenas de ação nunca mais foram as mesmas: todo filme de fundo de quintal agora tem ‘wire-fu’ e  balas de revólver que deixam um rastro no ar com muito bullet time.

BELEZA AMERICANA

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O que achei quando vi: Assisti numa pré-estréia, em um dia muito especial. Saí do cinema pensando “como um filme que começa com uma cena de masturbação é o favorito ao Oscar?” Gostei de tudo o que vi e fiquei particularmente impressionado com os personagens de Wes Bentley e Annette Benning. E a surpresa com o Chris Cooper, como tudo mundo.

O que acho hoje: Continuo gostando bastante, mesmo que a desconstrução de alguns estereótipos da sociedade norte-americana acabassem gerando outros. E é interessante pensar como todo o filme é totalmente positivo em relação aos seus protagonistas masculinos e bem crítico com os personagens femininos. No entanto, os diálogos de Alan Ball permanecem impagáveis e a qualidade das atuações (até mesmo Mena Suvari!) é ponto alto.

Influência: O Oscar mudou muito a percepção sobre o filme. Eu sou da opinião que é o filme mais “não-Oscar” a receber a estatueta desde O SILÊNCIO DOS INOCENTES. No entanto, hoje muita gente torce o nariz, chegando a dizer que é um dos piores vencedores do Oscar da história (ninguém viu CRASH?). No entanto, é fato que não haveria ‘filme de subúrbio palatável’ (já que os de Todd Solondz são muito ‘hard’ para as massas) sem BELEZA AMERICANA, muito menos “Desperate Housewives”.

CLUBE DA LUTA

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O que achei quando vi: Esperava um filme de muita porradaria, mas me surpreendi com as idéias e o visual escalafobético de David Fincher. Nem sonhava com aquela reviravolta no meio, e a cena final é pura poesia pré-Davos.

O que acho hoje: Acho que talvez seja o filme mais representativo do mundo contemporâneo. Algumas das idéias que aparecem truncadas em MATRIX, são muito bem apresentadas aqui. Continuo achando que depois que se forma aquela organização terrorista no meio do filme a história cai um pouco. Mesmo assim, não tira o mérito de ser o melhor filme de Fincher.

Influência: Teve gente criando “clubes da luta” de verdade – ou seja, devem ter visto outro filme! Fracasso de bilheteria, não lembro de ninguém tentando imitar seu estilo.

O SEXTO SENTIDO

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O que achei quando vi: Primeiramente, fiquei por uma semana morrendo de medo de ficar em casa com a luz apagada – ir ao banheiro no meio da noite, nem pensar! Também vi na pré-estréia, e só lembro nos jornais as pessoas falando sobre ‘o filme que os americanos estão indo ver duas vezes no cinema’. Nada, contudo, foi mais chocante que o final.

O que acho hoje: Além de ter um roteiro maravilhoso, possui um ritmo lento e crescente visto muito pouco no cinema americano contemporâneo. Mesmo não tendo visto em bastante tempo, continuo adorando.

Influência: Bruce Willis voltou a ter cacife como ator ’sério’ e o clichê de ‘criança sinistra em filme com fantasmas’ voltou com toda a força. Haley Joel Osment se tornou um dos atores-mirins mais conhecidos da história graças à qualidade da atuação e uma frase que já se tornou uma das mais clássicas do cinema: “I see dead people.” Shyamalan se tornou um “auteur”, para alegria dos críticos (só dos franceses) e desespero dos estúdios.

TUDO SOBRE MINHA MÃE

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O que eu achei quando vi: Assisti em um Festival do Rio e, mesmo com tantos outros filmes interessantes naquele ano, acabei considerando o melhor de 1999. O travesti mais divertido da história do cinema, a sempre maravilhosa Cecilia Roth e as referências a Tennessee Williams foram os elementos que mais me marcaram.

O que eu acho hoje: Mesmo tendo feito sucessivos filmaços posteriormente, ainda considero este o melhor filme de Almodóvar. Acho que é a obra que de forma mais completa alia seus elementos melodramáticos, mas de natureza essencialmente psicológica, ao visual arrebatador característico do diretor.

Influência: Colocou Almodovar para o público norte-americano (e consequentemente mundial) como um diretor além da estética kitsch. E uma jovem Penelope Cruz chamou muita atenção.

MAGNOLIA

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O que eu achei quando vi: Difícil dizer com que personagem eu mais me identifiquei. Julianne Moore novamente dando show e tive a certeza que Paul Thomas Anderson era meu novo diretor favorito, em mais um excelente filme depois de BOOGIE NIGHTS.

O que eu acho hoje: Embora o filme tenha uma legião de fãs, acho interessante como é pouco comentado hoje (na filmografia de Anderson, BOOGIE NIGHTS e SANGUE NEGRO roubam a atenção). E me dá uma raiva ver que outros filmes menores da estética ‘histórias de pessoas problemáticas lutando pra viver na selva de pedra’ recebem elogios sem dar crédito a MAGNÓLIA.

Influência: Conseguiu por um certo tempo colocar Tom Cruise no spotlight como ator dramático. E sua narrativa fragmentada e múltipla (herdade de Altman) rendeu uma série de imitadores (de Paul Haggis a Inarritu).

A BRUXA DE BLAIR

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O que achei quando vi: Desorientação e muito, muito medo.

O que acho hoje: Taí outro filme que nunca mais vi, especialmente porque acho que não mereça uma segunda visita. Mesmo assim, acho que essa idéia de câmera na mão e terror na cabeça muito boa.

Influência: O filme que mostrou à indústria de cinema como a internet havia se tornado uma imensa força de divulgação. Teria A BRUXA DE BLAIR sido o primeiro marketing viral? De certa forma, o filme também foi a primeira produção “shaky-cam” com aquela câmera ‘versão labirintite’, isso antes de REC e CLOVERFIELD (e beeem antes do YouTube também). Até hoje é o filme mais lucrativo da história, se compararmos o que custou e o que rendeu.

TOY STORY 2

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O que eu achei quando vi: Eu adoro o primeiro TOY STORY e achei esse ainda mais divertido. A história é brilhante, e tem gags na medida certa (”Buzz, I’m your father!”).

O que acho hoje: Difícil dizer que é a obra-prima da Pixar, porque também existem WALL-E e RATATOUILLE, mas talvez seja o filme que tenha revelado a maturidade artística do estúdio.

Influência: TOY STORY está prestes a se tornar uma trilogia, e esse segundo filme parece que confirmou como um desenho de animação computadorizado pode ser um sucesso gigante de público e também de crítica. Aliás, o vilão ‘nerd’ poderia muito bem ser da mesma família do outro vilão ‘nerd’ de OS INCRÍVEIS, né?

BUENA VISTA SOCIAL CLUB

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O que achei quando vi: Aula de poesia de Wim Wenders – mesmo nostálgico, não tem a menor pinta de saudosista.

O que acho hoje: Basicamente a mesma coisa, talvez goste um pouco exatamente porque conheci a música cubana através do filme.

Influência: Virou moda fazer documentário sobre músicos tradicionais de um país – no caso do Brasil, foram os sambistas. Na Argentina, foram os cantores de tango.

QUERO SER JOHN MALKOVICH

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O que achei quando vi: Totalmente insano, mas no bom sentido. Lembro de voltar de metrô pra casa e só ouvir “Malkovich, Malkovich?” martelando na minha cabeça.

O que acho hoje: O absurdo das situações hoje me parecem menos engraçadas e mais melodramáticas. Tem coisa mais triste que a história da Cameron Diaz e do chimpanzé?

Influência: Colocou Charlie Kaufman no mapa, assim como sua legião de imitadores. Mostrou que Spike Jonze era capaz de ser talentoso além da esfera do videoclipe. Ver um filme com John Malkovich nunca mais foi a mesma coisa.

1999 também foi o ano de O TALENTOSO RIPLEY, FIM DE CASO, ELEIÇÃO e A LENDA DO CAVALEIRO SEM-CABEÇA. Alguma dúvida de que foi o melhor ano do cinema em muito tempo?