Pop Erudito: Takashi Murakami + Kirsten Dunst + McG

Dos artistas contemporâneos, não tem nenhum que eu admire mais que Takashi Murakami. De certa forma, ele até serviu como um dos motivos de eu estar estudando japonês. Murakami é famoso pelas suas obras multi-coloridas, com um certo apelo infantil, mas também ricas em um subtexto ‘dark’ e altamente sexuais.
Muitos o consideram o principal artista da Pop Art depois de Andy Warhol, e suas obras realmente impressionam numa avalanche de referências à grande parte da cultura popular japonesa – que por sua vez já é uma releitura da indústria de entretenimento norte-americana. Na verdade, para Murakami não existe mesmo muita diferença entre ‘arte’ e ‘indústria’, já que suas obras são licenciadas em dezenas de produtos. Afinal, quem nunca viu a imagem da florzinha sorridente criada por ele?

Mês passado, tive o prazer de visitar a excelente exposição ‘Pop Life – Art in a Material World’ no Tate Modern, onde várias obras de Murakami estavam sendo exibidas. Entre elas, tirei uma foto (escondida do guarda) do famoso ursinho hip-hop que depois foi utilizado por Kanye West (cujo disco ‘Graduation’ tem todo o encarte feito por Murakami).

Nessa exposição, um dos destaques era a exibição da vídeo-instalação ‘Akihabara Majokko Princess’, idealizada por Murakami e dirigida por McG (dos dois AS PANTERAS e do último EXTERMINADOR DO FUTURO). Mesmo sendo um diretor de cinema bem fraquinho, McG se dá melhor no terreno do videoclipe (de onde saiu) – e nesse vídeo sendo guiado pelo célebre artisa japonês, se deixa delirar.
A protagonista do vídeo é Kirsten Dunst, fofíssima com uma peruca azul e com roupinha de boneca-fada-sexy caminhando pelas ruas de Tóquio cantando a música ‘Turning Japanese’, da banda The Vapors. Um dos objetivos principais do vídeo é servir de retrato do distrito de Akihabara, capital da cultura ‘otaku‘ no Japão. De certa forma, o vídeo serve como um retrato talvez da principal questão da arte contemporânea: a demolição da barreira entre a ‘alta cultura’ e ‘ baixa cultura’. Mesmo sendo extremamente divertido e absurdo (Takashi Murakami faz até uma ponta, fantasiado de uma de suas obras), o vídeo deixa a entender essa preocupação que é central nas obras do artista. Assista abaixo: