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Top 10: Filmes pra ficar feliz

Um dos posts mais acessados aqui do blog é o Top 10 de filmes tristes. Para impedir que as pessoas que lêem aquele post se matem, está na hora de fazer um top 10 de filmes pra se ficar feliz – os chamados feel good movies. Existem vários nesse estilo, mas abaixo vai uma lista bem pessoal:

10- UMA LINDA MULHER

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Esse filme é o principal exemplo de “roteiro 101″: manipulativo, formulaico e até um pouco sexista. Mas quer saber? Funciona que é uma beleza. Ao mesmo tempo é uma história de amor e de sucesso e obviamente a personagem principal é tão especial não porque é diferente mas porque se conforma às regras. Acho interessante como no filme a idéia de relacionamento amoroso está intimamente ligada à idéia de sucesso financeiro. O milionário vivido por Richard Gere se torna uma pessoa melhor porque descobre o amor onde menos esperava; a personagem de Julia Roberts se torna uma pessoa melhor porque agora pode comprar o que quiser na Rodeo Drive e esnobar vendedoras. Essa versão moderna de Cinderella diz muito mais sobre o mundo em que vivemos do que podemos imaginar.

Cena mais feliz: o final, com o ‘príncipe’ resgatando a ‘princesa‘. E o sorriso de Julia Roberts garante a alegria de qualquer pessoa por um dia inteiro.

9- INDIANA JONES E O TEMPLO DA PERDIÇÃO

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Nada mais feliz do que o herói corajoso que derrota os vilões e ainda fica com a mocinha no final. Hoje o filme é muito criticado por sua atitude superior e até mesmo racista, especialmente com relação àquela tribo exótica que (literalmente) come o coração de mocinhas brancas e loiras. Talvez por isso, o próprio Spielberg diga que esse é o filme de INDIANA JONES que menos gosta. Contudo, acho que por esse ser exatamente o filme da série que menos se preocupa com grandes idéias e temas (não se concentra tanto em aspectos históricos ou religiosos como os outros da série), há espaço para várias das melhores sequências de aventura da história do cinema. Além do mais, a história é construída de diferentes ‘atos’, todos divertidamente exagerados (o jantar com cérebro de macaco é antológico), o que fazem o filme ir num crescendo de adrenalina. Assim, a sensação do espectador é de que literalmente passou por uma montanha-russa – incluindo o alívio e a satisfação ao final da jornada.

Cena mais feliz: ao invés de escolher uma sequência de ação, fico aqui com a cena de abertura, talvez onde Spielberg tenha sido mais bem-sucedido no pastiche dos filmes de matinê  dos anos 40 – Kate Capshaw como a diva loira cantando “Anything Goes”. Aliás, como é divertido ver Spielberg brincando de Busby Berkeley! Imaginem só ele dirigindo um musical!

8- O MÁSCARA

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Falando em musicais, O MÁSCARA é um filme que reluta muito em se assumir como um. A história meio Jekyll e Hyde da máscara que dá a Jim Carrey o melhor super-poder que existe (transformá-lo num desenho animado) em muito se debate entre sair ou não do armário dos musicais. Há sequências inteiras no filme de colocar muito NINE no chinelo. A história ainda tem aventuras alopradas, vilões divertidamente caricatos e uma bombshell de babar, no melhor univerno cartunesco criado em cinema desde DICK TRACY.

Cena mais feliz: Jim Carrey dançando e cantando ‘Cuban Pete’ com os policiais. É de dançar rindo ou rir dançando.

7- OS GOONIES

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Nada como aventuras quando se é criança, e nenhum filme captou esse espírito melhor do que OS GOONIES. Tem piratas, uma família de mafiosos atrapalhada, birra com os irmãos adolescentes que se acham super-maduros, um tesouro perdido e… o Slot! E diferente de outros filmes, quando acaba e todo mundo está a salvo, não existe aquela coisa de ‘eles amadureceram e nunca mais foram os mesmos’. Os personagens permanecem infantis e fofos.

Cena mais feliz: nunca uma cena foi tão engraçada com alguém chorando do que quando o Chunk faz sua série de confissões sendo torturado pelos Fratellis. E dublado em português consegue ser ainda mais hilário.

6- TOY STORY

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As crianças amam as produções da Pixar mas, sinceramente, acho que os adultos gostam ainda mais. No caso de TOY STORY, isso é ainda mais especial porque os adultos assistem ao filme com um certa nostalgia (e acho que no terceiro filme com um Andy maduro, isso vai acabar sendo um elemento da narrativa). As neuroses de cada personagem são hilárias, além da amizade entre Woody e Buzz ser algo tão genuíno que a única opção é torcer por eles.

Cena mais feliz: Muitos reclamam que todos os filmes da Pixar, por mais brilhantes que sejam, sempre tem que terminar com uma grande sequência de aventura (exceto RATATOUILLE, que é o mais brilhante de todos também por isso). No entanto, nenhuma cena de ação é mais bem estruturada, tensa e ao mesmo tempo tocante quanto aquela em que Woody e Buzz tentam voltar pro caminhão de mudança e terminam ao lado de Andy.

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Videografia – Diretores: Mark Romanek

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Mark Romanek é um dos meus diretores de videoclipe favoritos, tendo realizado verdadeiras obras-primas com os maiores cantores/bandas do showbiz. Como parece ser natural, Romanek fez uma transição bem-sucedida para o cinema com o filme RETRATOS DE UMA OBSESSÃO, o qual achei interessante (até porque várias das características visuais do diretor foram mantidas).

No entanto, minha grande expectativa mesmo é para o segundo filme de Romanek, NEVER LET ME GO, baseado em um dos melhores livros dos últimos tempos, de autoria de Kazuo Ishiguro (o mesmo de VESTÍGIOS DE DIA). Estrelando a queridinha da vez Carey Mulligan, a promessa Andrew Garfield e Keira Knightley (curiosamente em papel de coadjuvante), a história (sobre uma escola na Inglaterra que esconde um segredo que beira o sci-fi) parece ser perfeita para o estilo de Romanek.

Mas enquanto o filme não chega, vale a pena fazer um apanhado dos melhores videoclipes desse promissor cineasta.

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Um segundo ato para Michael Jackson

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Para um artista que está sob os holofotes desde a sua infância, parece sintomático que o funeral de Michael Jackson não poderia deixar de ser também uma espécie de show. Um show triste, certamente, não só porque a sua imensa ausência no cenário pop será para sempre sentida, mas também porque num evento criado para, entre outras coisas, celebrar a sua música e dança, não se viu um décimo do talento do rei do pop.

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Michael Jackson está ligado a minha vida mesmo que eu não queira. Uma das minhas primeira lembranças (se não for a primeira) foi quando assisti muito criança à estréia do clipe de Thriller (clipe favorito #2) no Fantástico. Foi com ele que entendi o que era um videoclipe, o conceito de música e imagem que poderia contar uma história. Mal sabia eu que estava tendo o luxo de ser apresentando ao mundo dos clipes através de um de seus representantes mais revolucionários. Obviamente, o aspecto mais marcante foi todo o conjunto de referências de filmes de terror. Eu, medroso desde sempre, fechei o olho logo no início do clipe quando o cantor vira lobisomem, voltei a ver quando ele caminha com a moça e fechei de novo quando os mortos-vivos saem das tumbas e esgotos. No momento mais famoso do vídeo (a dança dos zumbis), alternava entre olhadelas rápidas para a TV e enterrar a cara no colo da minha mãe, que empolgadíssima dizia “olha, olha”. Morria de medo, mas de vez em quando via um passo de dança legal. O clipe de Thriller é realmente o supra-sumo da idéia básica do terror: ele repele ao mesmo tempo que atrai, e sua mágica até hoje permanece inalterada.

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Depois veio Bad (clipe favorito #20) e era impossível não acompanhar a Jackson-mania, com todo mundo querendo dançar que nem ele, dar gritinhos que nem ele, se vestir que nem ele, pegar no saco que nem ele. No Show de Calouros do Silvio Santos aos domingos, no Xou da Xuxa de manhã, nos programas de humor – todos imitavam, dublavam e dançavam de acordo com Michael Jackson. Crianças nasciam com o nome de ‘Maicon’. E quem não queria ‘do the Bartman like Michael Jackson’?

Depois de Thriller, vi todas as estréias de seus inesquecíveis videoclipes no Fantástico (que era a MTV do povão). Na fase ‘Dangerous’, nada foi melhor do que ver a estréia de Black or White (que passou com sua explosiva seqüência final, e foi exibido duas vezes no programa), com seu revolucionário ‘morphin’ de rostos – que depois ficou comum, mas cujo efeito no clipe permanece insuperável. Vieram Jam, In The Closet, o maravilhosamente kitsch Remember the Time.  Seu ultimo grande clipe, Scream também foi um evento: um dos mais caros da história, dueto com a irmã Janet e o lançamento do álbum duplo ‘HIStory’ – com um disco de inéditas e outro de grandes sucessos (o lançamento de inúmeras coletâneas seria infelizmente uma constante na parte final da carreira de Michael Jackson).

Os clipes de Michael Jackson são muito importantes não só para mim, mas para toda uma geração – eles são a invenção da indústria pop como a conhecemos, onde a imagem dita a importância do artista e multiplica sua força. Jackson trabalhou com os melhores (David Fincher, Mark Romanek, Steve Barron, Herb Ritts) e foi responsável pela invenção do videoclipe como curta-metragem. Sua decisão de trabalhar com grandes diretores de cinema (John Landis, John Singleton e, obviamente, Martin Scorsese) elevou o estilo a uma nova forma de arte. Para a MTV e a Pepsi, ele foi um veículo para dominação do gosto juvenil da época. Para os negros, ele foi a representação de sua cultura para a massa branca dos subúrbios norte-americanos.

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O poder da imagem de Michael Jackson era tamanho que acabou por consumir o próprio artista. Nenhuma mudança de aparência na história foi mais estudada, analisada, debochada e criticada. De certa forma, com razão. Mas me impressiona como a idéia de um rapaz negro de cabelo encaracolado para uma quase-mulher branca (caucasiana) de cabelos lisos saiu das páginas de fofoca para os meios acadêmicos, onde se estuda o caso de Michael Jackson como o símbolo máximo do chamado homem ‘pós-humano’ – aquele que manipula o corpo de forma completa através de cirurgias e implantes. À medida que o tempo passava, o cantor se tornava uma imensa caricatura visual que transcendia os limites de gênero, raça, sexualidade e idade: não era homem nem mulher, branco nem negro, gay nem heterossexual, jovem nem velho.

A peculiaridade de Jackson acompanhava sua genialidade como artista – e ambas não poderiam caber em qualquer lugar. Como um Charles Foster Kane pop, ele criou sua própria Xanadu, com o nome do mundo imaginário da história de Peter Pan: ‘Neverland’, a Terra do Nunca. Como o personagem de J.M. Barrie, lá ele exercia o direito de ser a criança que parecia nunca ter deixado de ser, e aí parece estar grande parte do seu fascínio. Talvez por possuir um comportamento aparentemente infantil (sua voz de criança parecia ser elevada à milésima potência quando saída daquele corpo magro com pele alva), a revelação de sua atração sexual por crianças foi ainda mais chocante. Sua inocência não combinava com a de um predador sexual. Seria a infantilidade do cantor um reflexo da constante proximidade de crianças ao seu redor? E quão perigosa era essa proximidade?

É interessante pensar nisso porque nem sendo acusado do crime mais hediondo para a sociedade contemporânea, Michael Jackson perdeu seu fascínio. Hoje, no dia que foi realizado o seu funeral, a estrela do cantor brilhou mais do que nunca. À exceção da série de shows que marcaria seu retorno aos palcos esse ano, o cantor ficou durante muito tempo desaparecido da mídia. Seu último bom disco, o subestimado ‘Dangerous’, foi lançado há 15 anos atrás. Nesse mundo de informações rápidas em que ídolos vão e vem, por que mesmo depois de tão massacrado pela mídia a morte de Michael Jackson causa essa comoção tremenda?

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Acredito que é porque o cantor ultrapassa os limites de ‘ser importante para a música’ – ele na verdade ‘é’ a música. Seu legado é gigantesco – nas canções, na dança, no vestuário. Ele é mais do que uma influência – é uma espécie de arquétipo de grande artista. Ele se encontra entre os grandes da história do pop/rock porque em seu nome está mais do que um artista – está um conceito. Assim como outros da seleta lista de artistas que mudaram o mundo e são reconhecidos com um simples nome – Elvis, Beatles, Madonna, Bowie – a própria menção de ‘Michael’ já desperta todo um arsenal de símbolos que são parte de uma geração inteira: moonwalking, Billie Jean is not my lover, zumbis dançando, black or white, luvas brancas,  who’s bad.

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A famosa frase de F. Scott Fitzgerald – “não há segundo ato na vida americana” – já foi contrariada por Elvis, quando o cantor retornou aos palcos em Las Vegas e retornou ao sucesso, se tornado mito. Michael Jackson estava prestes a ter o seu segundo ato na série de shows em Londres, mas as cortinas se fecharam rápido demais. Mesmo assim, ainda conseguimos ouvi-lo através delas, com sua voz inconfundível e seus passos acrobáticos. Michael Jackson, na verdade, nem precisava de um segundo ato. A narrativa de sua vida é eterna.

Links do Trenó

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