- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

Top 10 – Cenas da década

Com a década faltando pouco pra terminar (estou torcendo pra 2010 ser melhor que 2009 em termos de filmes), já podemos falar das cenas mais marcantes dos anos 2000, não é? Aqui vão as minhas preferidas:

10- Rebekah Del Rio canta “Llorando” em CIDADE DOS SONHOS

Um dos grandes temas do cinema contemporâneo é a questão da manipulação da realidade, e talvez nenhuma cena apresente um questionamento mais profundo sobre o assunto do que esta. Dá pra escrever um compêndio só sobre estes breves minutos: a queda da cantora,  o playback, a reação das protagonistas, a caixa azul. Mas mesmo que isso não importasse, só a música já torna esse momento do filme inesquecível.

9- Final de ANTES DO PÔR-DO-SOL

Começando com a valsinha cantada por Julie Delpy até sua dancinha com “Baby, You’re gonna miss that plane”, é um dos finais de filme mais perfeitos que existem.

8- Elephant Love Medley em MOULIN ROUGE

De todas as cenas musicais do filme de Baz Luhrmann, essa é a mais marcante porque é a que melhor retrata um dos motes principais do filme (usar músicas contemporâneas pra falar de uma história de amor num século XIX imaginário). De Bowie a Phil Collins, de U2 a Paul McCartney, é o atestado de que o verdadeiro amor mesmo que inevitavelmente cafona é extremamente sincero.

7- O beijo do reencontro em BROKEBACK MOUNTAIN

Mesmo que antes da cena os protagonistas já tenham tido uma noite na cabana, é a urgência do sentimento nesse reencontro que acabou ficando marcado como exemplo máximo do amor entre Jack e Ennis. Não tem como negar que o filme é um dos símbolos da crescente aceitação às relações gays nessa década, e a cena funciona como um marco dessa mudança.

6- A Noiva versus os “Crazy 88″ em KILL BILL

Roupa amarela, sangue esguichando, máscaras de “Besouro Verde” e Japão de mentirinha. E no meio disso tudo, as lutas mais loucamente coreografadas. Essa cena é como se o público fosse lançado dentro do oceano de referências de Quentin Tarantino. Pode até haver sequências de lutas melhores nessa década, mas nenhuma é mais criativa.

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1999 – O Ano que não terminou

Estamos em 2009 e há exatos 10 anos atrás o cinema norte-americano (mas não só ele) viveu uma fase de ouro. Os filmes lançados em 1999 foram os que realmente marcaram uma nova visão temática, narrativa, e até mesmo de propaganda para a Hollywood do século 21. No drama, no suspense ou na ficção científica, muitos dos filmes que assistimos nesses anos “OO” (alguém vai inventar um nome melhor pra essa década?) são herdeiros das principais produções de 1999. Vamos a elas:

MATRIX

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O que achei quando eu vi: Saí do cinema achando um filme de ação bem legal, especialmente o uso do slow motion nas cenas de ação e do kung fu coreográfico.

O que eu acho hoje: Por mais que eu goste do filme, ainda assim não acho toda essa maravilha a ponto de chamar de clássico. Mas só o fato de ser uma ficção científica com idéias realmente originais vale a pena. Sua proposta de “Baudrillard para as massas” é ótima, além das trocentas referências à filosofia e à literatura.

A influência: A indústria de casacos de vinil, couro preto e óculos escuros tem muito que agradecer aos irmãos Wachowski. Agora falando sério, as cenas de ação nunca mais foram as mesmas: todo filme de fundo de quintal agora tem ‘wire-fu’ e  balas de revólver que deixam um rastro no ar com muito bullet time.

BELEZA AMERICANA

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O que achei quando vi: Assisti numa pré-estréia, em um dia muito especial. Saí do cinema pensando “como um filme que começa com uma cena de masturbação é o favorito ao Oscar?” Gostei de tudo o que vi e fiquei particularmente impressionado com os personagens de Wes Bentley e Annette Benning. E a surpresa com o Chris Cooper, como tudo mundo.

O que acho hoje: Continuo gostando bastante, mesmo que a desconstrução de alguns estereótipos da sociedade norte-americana acabassem gerando outros. E é interessante pensar como todo o filme é totalmente positivo em relação aos seus protagonistas masculinos e bem crítico com os personagens femininos. No entanto, os diálogos de Alan Ball permanecem impagáveis e a qualidade das atuações (até mesmo Mena Suvari!) é ponto alto.

Influência: O Oscar mudou muito a percepção sobre o filme. Eu sou da opinião que é o filme mais “não-Oscar” a receber a estatueta desde O SILÊNCIO DOS INOCENTES. No entanto, hoje muita gente torce o nariz, chegando a dizer que é um dos piores vencedores do Oscar da história (ninguém viu CRASH?). No entanto, é fato que não haveria ‘filme de subúrbio palatável’ (já que os de Todd Solondz são muito ‘hard’ para as massas) sem BELEZA AMERICANA, muito menos “Desperate Housewives”.

CLUBE DA LUTA

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O que achei quando vi: Esperava um filme de muita porradaria, mas me surpreendi com as idéias e o visual escalafobético de David Fincher. Nem sonhava com aquela reviravolta no meio, e a cena final é pura poesia pré-Davos.

O que acho hoje: Acho que talvez seja o filme mais representativo do mundo contemporâneo. Algumas das idéias que aparecem truncadas em MATRIX, são muito bem apresentadas aqui. Continuo achando que depois que se forma aquela organização terrorista no meio do filme a história cai um pouco. Mesmo assim, não tira o mérito de ser o melhor filme de Fincher.

Influência: Teve gente criando “clubes da luta” de verdade – ou seja, devem ter visto outro filme! Fracasso de bilheteria, não lembro de ninguém tentando imitar seu estilo.

O SEXTO SENTIDO

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O que achei quando vi: Primeiramente, fiquei por uma semana morrendo de medo de ficar em casa com a luz apagada – ir ao banheiro no meio da noite, nem pensar! Também vi na pré-estréia, e só lembro nos jornais as pessoas falando sobre ‘o filme que os americanos estão indo ver duas vezes no cinema’. Nada, contudo, foi mais chocante que o final.

O que acho hoje: Além de ter um roteiro maravilhoso, possui um ritmo lento e crescente visto muito pouco no cinema americano contemporâneo. Mesmo não tendo visto em bastante tempo, continuo adorando.

Influência: Bruce Willis voltou a ter cacife como ator ’sério’ e o clichê de ‘criança sinistra em filme com fantasmas’ voltou com toda a força. Haley Joel Osment se tornou um dos atores-mirins mais conhecidos da história graças à qualidade da atuação e uma frase que já se tornou uma das mais clássicas do cinema: “I see dead people.” Shyamalan se tornou um “auteur”, para alegria dos críticos (só dos franceses) e desespero dos estúdios.

TUDO SOBRE MINHA MÃE

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O que eu achei quando vi: Assisti em um Festival do Rio e, mesmo com tantos outros filmes interessantes naquele ano, acabei considerando o melhor de 1999. O travesti mais divertido da história do cinema, a sempre maravilhosa Cecilia Roth e as referências a Tennessee Williams foram os elementos que mais me marcaram.

O que eu acho hoje: Mesmo tendo feito sucessivos filmaços posteriormente, ainda considero este o melhor filme de Almodóvar. Acho que é a obra que de forma mais completa alia seus elementos melodramáticos, mas de natureza essencialmente psicológica, ao visual arrebatador característico do diretor.

Influência: Colocou Almodovar para o público norte-americano (e consequentemente mundial) como um diretor além da estética kitsch. E uma jovem Penelope Cruz chamou muita atenção.

MAGNOLIA

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O que eu achei quando vi: Difícil dizer com que personagem eu mais me identifiquei. Julianne Moore novamente dando show e tive a certeza que Paul Thomas Anderson era meu novo diretor favorito, em mais um excelente filme depois de BOOGIE NIGHTS.

O que eu acho hoje: Embora o filme tenha uma legião de fãs, acho interessante como é pouco comentado hoje (na filmografia de Anderson, BOOGIE NIGHTS e SANGUE NEGRO roubam a atenção). E me dá uma raiva ver que outros filmes menores da estética ‘histórias de pessoas problemáticas lutando pra viver na selva de pedra’ recebem elogios sem dar crédito a MAGNÓLIA.

Influência: Conseguiu por um certo tempo colocar Tom Cruise no spotlight como ator dramático. E sua narrativa fragmentada e múltipla (herdade de Altman) rendeu uma série de imitadores (de Paul Haggis a Inarritu).

A BRUXA DE BLAIR

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O que achei quando vi: Desorientação e muito, muito medo.

O que acho hoje: Taí outro filme que nunca mais vi, especialmente porque acho que não mereça uma segunda visita. Mesmo assim, acho que essa idéia de câmera na mão e terror na cabeça muito boa.

Influência: O filme que mostrou à indústria de cinema como a internet havia se tornado uma imensa força de divulgação. Teria A BRUXA DE BLAIR sido o primeiro marketing viral? De certa forma, o filme também foi a primeira produção “shaky-cam” com aquela câmera ‘versão labirintite’, isso antes de REC e CLOVERFIELD (e beeem antes do YouTube também). Até hoje é o filme mais lucrativo da história, se compararmos o que custou e o que rendeu.

TOY STORY 2

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O que eu achei quando vi: Eu adoro o primeiro TOY STORY e achei esse ainda mais divertido. A história é brilhante, e tem gags na medida certa (”Buzz, I’m your father!”).

O que acho hoje: Difícil dizer que é a obra-prima da Pixar, porque também existem WALL-E e RATATOUILLE, mas talvez seja o filme que tenha revelado a maturidade artística do estúdio.

Influência: TOY STORY está prestes a se tornar uma trilogia, e esse segundo filme parece que confirmou como um desenho de animação computadorizado pode ser um sucesso gigante de público e também de crítica. Aliás, o vilão ‘nerd’ poderia muito bem ser da mesma família do outro vilão ‘nerd’ de OS INCRÍVEIS, né?

BUENA VISTA SOCIAL CLUB

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O que achei quando vi: Aula de poesia de Wim Wenders – mesmo nostálgico, não tem a menor pinta de saudosista.

O que acho hoje: Basicamente a mesma coisa, talvez goste um pouco exatamente porque conheci a música cubana através do filme.

Influência: Virou moda fazer documentário sobre músicos tradicionais de um país – no caso do Brasil, foram os sambistas. Na Argentina, foram os cantores de tango.

QUERO SER JOHN MALKOVICH

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O que achei quando vi: Totalmente insano, mas no bom sentido. Lembro de voltar de metrô pra casa e só ouvir “Malkovich, Malkovich?” martelando na minha cabeça.

O que acho hoje: O absurdo das situações hoje me parecem menos engraçadas e mais melodramáticas. Tem coisa mais triste que a história da Cameron Diaz e do chimpanzé?

Influência: Colocou Charlie Kaufman no mapa, assim como sua legião de imitadores. Mostrou que Spike Jonze era capaz de ser talentoso além da esfera do videoclipe. Ver um filme com John Malkovich nunca mais foi a mesma coisa.

1999 também foi o ano de O TALENTOSO RIPLEY, FIM DE CASO, ELEIÇÃO e A LENDA DO CAVALEIRO SEM-CABEÇA. Alguma dúvida de que foi o melhor ano do cinema em muito tempo?

Top 10 – Melhores filmes dos anos 90

Postei aqui recentemente um vídeo de Roger Ebert e Scorsese comentando seus filmes favoritos dos anos 90. Como eu sou cara de pau, também vou postar a minha lista:

10- A FRATERNIDADE É VERMELHA

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Depois da poesia de A LIBERDADE É AZUL e da comédia truncada de A IGUALDADE É BRANCA, Kieszlowski fechou sua trilogia das cores com um espetáculo visual que reflete um quebra-cabeça narrativo milimetricamente arranjado. É uma história sobre o amor, o tempo e o arrependimento que melhora a cada vez a que se assiste.

9- OS IMPERDOÁVEIS

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Só mesmo Clint Eastwood para ter o cacife de fazer um western que subverte as regras do gênero, na verdade um ajuste de contas com todas as narrativas do oeste americano. Acaba sendo um faroeste metafísico, na mesma tradição de RASTROS DE ÓDIO, mas onde a obra-prima de John Ford mostra a humanização do aspecto mais selvagem da existência, Eastwood retrata a selvageria oculta em cada um de seus personagens.

8- BOOGIE NIGHTS

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Épico do pornô e releitura brilhante de TOURO INDOMÁVEL, o filme que colocou Paul Thomas Anderson no mapa é um estudo visceral dos anos 70 e 80 através de figuras atormentadas que por mais que transem loucamente, só querem ser amados. Roller-girl talvez seja uma das grandes personagens da década. A cena em que ela é reconhecida numa limusine pelo homem com quem deveria transar é uma das mais tristes que já vi.

7- O SHOW DE TRUMAN

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Mais do que um filme, um retrato sócio-cultural de toda uma época. O SHOW DE TRUMAN é uma alegoria em alta escala sobre a sociedade do espetáculo, repleto de símbolos  e referências. Reflexo de um mundo que só se define pelo que assiste, é uma representação fiel dos simulacros que invadem o mundo contemporâneo (e deixa MATRIX no chinelo).

6- JFK

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Ainda hoje JFK é criticado pela manipulação de dados históricos e pela insistência em teorias de conspiração exageradas para explicar a morte do presidente Kennedy. Quem dera que todas as obras históricas fossem filmadas com o vigor de Oliver Stone nesse filme. Misturando imagens documentais, encenações e momentos totalmente fictícios, JFK é uma experiência impactante, dando margem para todo tipo de discussão e questionamento. O elenco é quase uma orquestra (Sissy Spacek, Gary Oldman, Joe Pesci, Kevin Bacon, Tommy Lee Jones) e Kevin Costner tem o papel de sua vida.

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