- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

Pop Erudito: Walt Whitman + Levi’s

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Para desespero de uns e deleite de outros, os novos comerciais da marca americana Levi’s usam dois marcantes poemas de Walt Whitman (o maior poeta da literatura dos EUA) para vender… calças jeans.

Como essa discussão sobre (arte versus comércio) é tãaaaaaao anos 80, nem vou falar isso aqui. Fato é que os comerciais são extremamente originais e realmente apresentam um frescor que vão além de modelos anoréxicas em produções exageradamente manipuladas digitalmente. Esse frescor é milimetricamente planejado? Claro que é! Mas a criatividade aqui faz toda a diferença para transformar um mero minuto de “compre essa calça jeans” numa pequena pérola artística.

Os dois comerciais, que tem como slogan “Go Forth”, foram ficaram a cargo de Cary Fukunagaque será o diretor da futura versão de Jane Eyre para o cinema. O primeiro comercial usa o poema “Pioneers! O Pioneers!” de Whitman, que em linha geral fala dos exploradores responsáveis pela expansão territorial dos EUA. Usando uma estética que ilustra a aproximação dos jovens com a natureza e o com um aspecto selvagem, a propaganda tem um apelo moderno e ao mesmo tempo poético.

O segundo comercial da linha “Go Forth” é ainda mais simbólico. Usando dessa vez o poema “América”, a propaganda utiliza a voz do próprio Walt Whitman (gravada de forma rudimentar no final do século XIX!) narrando seu texto. É uma América de cunho romântico, mesmo que esse romantismo agora inclua novas identidades que no tempo de Whitman não faziam parte do sonho americano (especialmente os negros, maioria no comercial).

Mesmo com bandeiras dos EUA ao vento, o comercial passa longe da patriotada – começando com a palavra AMERICA em neon quase submersa. Parece haver uma espécie de narrativa, com um empresário engravatado sendo acuado e mostrado com um olhar desesperado. Claro que ele não se encaixa no modelo de consumidor da Levi’s – o belo e endinheirado de 18 a 34 anos que faz a alegria de qualquer marca de roupas. Talvez por isso esse segundo comercial seja tão esperto: acaba nos convencendo que os verdadeiros norte-americanos e aqueles que fazem parte do público alvo da empresa são a mesma pessoa.

A campanha “Go Forth” também está sendo usada na mídia impressa, com fotografias de um tom lírico clicadas por Ryan McGinley e com alguns trechos de poemas de Whitman também.

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Para aqueles que acham isso o exemplo máximo da massificação da maior voz poética da literatura norte-americana, tornando arte em comércio, só resta pegar as tochas. Mas há de se admirar a criatividade e o talento por trás da criação dessas (e porque não?) também belas obras de arte.

Nicole Kidman, Ridley Scott, Shekhar Kapur e… Schweppes?

Depois do comercial um tanto decepcionante do Chanel n.5 com Audrey Tatou, agora é a vez de Nicole Kidman colocar a cara (e o botox) a cargo da máquina publicitária. Aliás o comercial é dirigido por Shekhar Kapur (o homem por trás dos dois ELIZABETH), produzido por Ridley Scott e ainda tem a menininha fofa Rubina Ali (a “Latikaaaaaaaaaaaaa!!!” mirim de SLUMDOG MILLIONAIRE). Todos esses nomes pra anunciar…Schweppes.

Como a maioria dos comerciais de refrigerantes, esse não faz o menor sentido, usa sexo pra vender a marca e, (como tudo hoje em dia) se passa na Índia. Fiquei surpreso por ser um comercial de refrigerantes, porque com o luxo da produção, poderia muito bem ser a continuação do comercial da Chanel que Kidman fez há cinco anos. Aliás, em termos de visual – mesmo sendo nonsense – Kapur e seu Schweppes colocam Jean-Pierre Jeunet e seu Chanel no chinelo. E, brincadeiras a parte, Nicole Kidman plastificada ainda é Nicole Kidman.

Finalmente: Audrey Tatou no comercial da Chanel

Há um tempo vinha cheio de expectativas para o novo comercial do Chanel no.5 dirigido por Jean-Pierre Jeunet e estrelado por Audrey Tatou (a dupla por trás de AMELIE POULAIN). Um comercial desses da Chanel é um evento – não é à toa que todos se lembram do comercial de 2004 com Nicole Kidman e Rodrigo Santoro dirigido por Baz Luhrmann.

E o que achei do resultado?

Um tanto decepcionante. A história se passa no Expresso do Oriente, quando Audrey Tatou fica fazendo carão pro modelo Travis Davenport, que ao invés de demonstrar charme aparenta ser um daqueles stalkers dos mais perigosos (juro que pensei que no final do comercial ele ia jogá-la do trem). Depois Tatou fica toda lânguida na cama fazendo cara de ‘quero sexo’. Quando ambos descem do trem em Istambul, ficam num jogo de gato e rato até que se encontram na estação, onde (é claro) há o símbolo da maison Chanel no chão. Confesso que esperava mais de Jeunet, um diretor reconhecido por imprimir uma forte marca visual nas suas produções. Nem Billie Holiday cantando no final salva.

“Take on Me” do A-ha em versão publicitária

Uma agência publicitária resolveu prestar uma divertida homenagem ao clássico clipe de “Take on Me” do A-ha (videoclipe favorito #6) ao realizar um comercial de tintas.

Ao invés da moça do restaurante que entra na revista em quadrinhos e vive uma aventura ao lado da banda, o comercial mostra uma dona de casa que é levada por um boneco desenhado na parede a um mundo de fantasia bem mais divertido do que o que ela vive. Nessa realidade alternativa, tudo vai muito bem até que…

Adoraria ver mais comerciais baseados em clipes, e vocês?

Via ADvertido