- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

Top 10: Filmes mais aguardados de 2010

3- ILHA DO MEDO

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Basta ser filme de Martin Scorsese para estar na minha lista, mas ILHA DO MEDO é especial por diferentes motivos: é o primeiro filme do diretor depois de ter feito seu filme mais popular (OS INFILTRADOS), é baseado no romance sufocante de Dennis Lehane (de SOBRE MENINOS E LOBOS) e se passa todo num hospício que fica encravado numa ilha.

Em seu documentário A PERSONAL JOURNEY THROUGH AMERICAN CINEMA, Scorsese fala bastante sobre filmes que se passam em instituições para pacientes mentais e como ele gosta da dinâmica desse tipo de narrativa, portanto eu acho que agora que tem o seu próprio “filme de hospício”, o diretor vai arrasar. É claro que o elenco também ajuda: Leonardo DiCaprio (como não poderia deixar de ser), Mark Ruffalo, Michelle Williams, Emily Mortimer (que já tem até oscar buzz), Ben Kingsley, Max von Sydow, Patricia Clarkson

Top 10 – Filmes da minha vida

3- A ÉPOCA DA INOCÊNCIA

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A EXPERIÊNCIA:

Lá estou eu, com 13 ou 14 anos, indo ao cinema toda a semana. Via qualquer coisa, pelo prazer de descobrir novas histórias. Assisti a esse filme no cinema na semana seguinte a VESTÍGIOS DO DIA, que tinha gostado bastante. Quando comprei o ingresso, a moça da bilheteria me disse: “o pessoal tá dizendo que esse filme é chato, saem até no meio.” Mal sabia ela que eu já tinha lido tudo que podia sobre ele e estava ansiosíssimo pra assisti-lo.

Mas na verdade não sabia da maior surpresa que me esperava: estava indo assistir ao meu primeiro filme de Martin Scorsese. E desconhecia essa história de Scorsese ser associado a filmes violentos. Quando vi aqueles movimentos de câmera, enquadramentos e travellings (claro que na época não sabia esses nomes) lembro de pensar: “então pode se fazer isso num filme???” Foi realmente das experiências em cinema mais mágicas que tive, quase que sozinho naquela sala mas sendo inundado por aquela tela que de repente se tornava completamente amarela, ou aquela sofisticação que jamais tinha visto em qualquer filme. Hoje quando me deito e sempre olho pro pôster de A ÉPOCA DA INOCÊNCIA sobre a minha cama antes de dormir, penso que talvez não soubesse que naquele momento estava assistindo a um dos filmes da minha vida.

O FILME:

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Acho curioso que hoje quando se discute a carreira de Martin Scorsese costuma-se colocar A ÉPOCA DA INOCÊNCIA como apêndice. Esse é o destino de seus filmes ditos ‘diferentes’, como KUNDUN ou ALICE NÃO MORA MAIS AQUI. Mas esse ‘diferente’ pouco tem a ver com a qualidade das obras desse que é maior cineasta vivo. Na verdade, esses filmes não se enquadram naquilo que notoriamente é conhecido como seu estilo: a violência. Suas três obras-primas indiscutíveis (TAXI DRIVER, TOURO INDOMÁVEL e OS BONS COMPANHEIROS) são filmes que não poupam o espectador de sangue, tiros e porrada. Mas como pode um diretor assim dirigir um filme que conta uma história de amor proibido na sociedade nova-iorquina em meados de 1870? A resposta deixo com o próprio Scorsese: “A ÉPOCA DA INOCÊNCIA é um dos filmes mais violentos que já fiz”.

Quando se vê a chacina orquestrada de Travis Bickle ao final de TAXI DRIVER ou as cenas das lutas de boxe em TOURO INDOMÁVEL, é fácil esquecer que a principal violência realizada por (contra?) aqueles personagens é a que surge do contraste extremo entre suas identidades conflitantes e um mundo que não as tolera. Se tomarmos esse ponto de partida para praticamente todos os filmes de Scorsese, nenhum é mais bem-sucedido que A ÉPOCA DA INOCÊNCIA.

Baseado no épico de minúcias de Edith Wharton (que depois se tornou também um dos livros da minha vida), o cineasta tece uma história de amor complexa tendo como pano de fundo a Nova York de meados do século XIX. A paixão que surge entre Newland Archer (Daniel Day-Lewis) e Ellen Olenska (Michelle Pfeiffer) é o elemento revelador que eclode no meio de uma sociedade que vive de máscaras. Um amor que não só precisa ser escondido, mas destruído. Newland é um advogado respeitável, noivo de uma das moças mais puras e respeitáveis que se pode conhecer, May Welland (Winona Ryder). Mas com a chegada na cidade da prima de May, a Condessa Olenska, as certezas de Newland se abalam, assim como o verniz de decência que sustenta todo um imenso universo de aparências.

Scorsese capta com perfeição uma das temáticas centrais da literatura de Edith Wharton (e de seu ‘mestre’ Henry James): o contraste entre uma Europa ‘corrompida’ e uma América ‘pura’. A Condessa Olenska representa para os abastados nova-iorquinos do século retrasado algo entre o excêntrico e o intolerável. A maneira com que fala com homens abertamente, o fato de morar numa rua que não é da moda, ou até mesmo chegar atrasada a um baile são crimes  horrendos para um mundo que preza suas convenções. Uma das grandes escolhas do filme é mostrar essa atmosfera de duas formas aparentemente paradoxais, porém complementares:  ao mesmo tempo em que ilustra a hipocrisia reinante no âmago dessas normas, ele se deleita nos inumeráveis prazeres que ela apresenta. Juntamente com O LEOPARDO e BARRY LYNDON, A ÉPOCA DA INOCÊNCIA é um dos filmes mais requintados da história do cinema, com uma sofisticação que beira a extravagância. Já se tornou famosa a história de que havia um coreógrafo só pras cenas de jantar, e de que muitas das louças usadas são originais do período. Scorsese filma essas reuniões sociais (bailes, jantares, salões para os cavalheiros) como  microcosmos de uma realidade alheia aos sentimentos e orgulhosa de suas regras.

Tais regras são um peso para Ellen Olenska, acostumada com a vida de artistas e boemia de quando morava na Europa. A própria presença dela é ao mesmo tempo é um escândalo e um perigo, já que ela está à beira de um divórcio (praticamente um suicídio social). Michelle Pfeiffer, em uma de suas atuações mais notáveis, representa com gestos que se tornam cada vez mais contido o desespero contido de um animal enjaulado. Até seus sorrisos são tristes e enigmáticos, só sendo compreendidos por Newland, ao mesmo tempo seu confidente e amante. Daniel Day-Lewis tem aqui o difícil papel de servir de elo entre várias esferas: a da liberdade e a da repressão, a das regras e a da liberdade, a da aceitação e a da rebeldia. Com seu tom de voz quase sempre deixando ver uma amabilidade forçada e um andar severo mesmo nos momentos mais distraídos, o ator lentamente constrói seu personagem até que possamos notar as várias camadas por trás daquela figura tensa e meticulosa.

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A surpresa aqui fica por conta de Winona Ryder como a virginal May. Única do elenco a ser indicada a vários prêmios (ganhou o Globo de Ouro mas perdeu o Oscar pra Anna Paquin), a atriz durante grande parte do filme parece ter uma nota só. Contudo, é apenas quando é feita uma grande revelação sobre sua personagem (que acontece de forma tão brilhantemente sutil que se corre o risco de não se perceber) é que podemos admirar o detalhismo de sua atuação. O trio de protagonistas, apesar de poucas cenas juntos, realiza um trabalho perfeito na dificílima composição pra um filme de época tão perfeccionista.

Essa atenção a detalhes faz parte não só dos atores mas também a um dos mais espetaculares grupos de realizadores colocados por trás de qualquer filme. Simplesmente, estão reunidos em A ÉPOCA DA INOCÊNCIA os melhores de sua área: edição de Thelma Schoonmaker, fotografia de Michael Ballhaus, trilha de Elmer Berstein, direção de arte de Dante Ferretti, figurinos de Gabriela Pescucci (vencedora do Oscar) e créditos iniciais de Saul Bass. São diferentes elementos que tornam o filme não só uma experiência dramática mas também sensorial.

O que mais me chama a atenção em A ÉPOCA DA INOCÊNCIA é como as escolhas de Scorsese como diretor em muito enriquecem o vasto simbolismo das imagens. As metáforas com as cores (dos vestidos, dos salões) são as mais notáveis, assim como inundar toda a tela com uma  determinada cor para realçar um elemento da história. A cena do baile inicial é uma afronta de tão bem dirigida, em que a câmera ‘dança’ pelo salão sem cortes, apresentando várias das figuras mais conhecidas da sociedade nova-iorquina (acompanhada da deliciosamente irônica narração em off de Joanne Woodward). Os momentos passados na ópera também são de tirar o fôlego – a cena em que Michelle Pfeiffer passa o leque por sobre o auditório talvez seja a minha favorita em qualquer filme.

Porém, os momentos mais marcantes são aqueles que ilustram o amor de  Newland e Ellen. Scorsese de utiliza de inúmeros recursos cinematográficos para ilustrar ao mesmo tempo a força e a impossibilidade daquele sentimento. Adoro particularmente as partes em que a câmera fecha no casal, e todo o resto da tela escurece. Ou quando todos os sons são abafados e só podemos ouvir o diálogo dos dois. As cenas mais comentadas, contudo, são aquelas em que Newland e Ellen tem um breve momento de intimidade – tirar uma luva equivale a tirar a roupa inteira, e a sexualidade explosiva desses momentos é conduzida com uma sensibilidade que por muito tempo se achou impossível para um cineasta como Martin Scorsese.

A ÉPOCA DA INOCÊNCIA é um filme sofrido e, quando ele termina, sinto um grande aperto. É como se existissem elementos invisíveis me oprimindo, assim como aqueles que Newland Archer só vai visualizar claramente ao final da história. Chego a pensar se até mesmo a conclusão do filme não seria a melhor possível para esses personagens, que tanto foram aprisionados durante suas vidas. Seja como for, A ÉPOCA DA INOCÊNCIA moldou não só grande parte do meu gosto para cinema mas também uma abordagem com relação à vida. Amo esse filme.

Top 10 – Clipes inspirados em filmes

O videoclipe quando surgiu teve como modelo básico o cinema, não só na técnica mas muitas vezes também na temática. Assim, vários clipes (especialmente dos anos 80) prestaram uma interessante homenagem (às vezes cópia descarada mesmo) de filmes famosos. Mas essa moda permanece até hoje, com exercícios de paródia bem interessantes. Aqui vão os meus favoritos.

10- Believe – Lenny Kravitz (Dir.: Michel Gondry)

Inspiração: 2001 – UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO

Gondry refaz diversas cenas de 2001 tendo Lenny Kravitz como protagonista. O som um tanto psicodélico da canção combina bastante com a estética kubrickiana.

9- What’s your flava? – Craig David (Dir.: Little X)

Inspiração: A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE

Um divertida releitura da história de Willy Wonka, só que dessa vez ao invés de chocolates temos CDs premiados. Eu particularmente adoro os Oompa Loompas em versão feminina e sci-fi.

8- Foolish – Ashanti (Dir.: Irv Gotti)

Inspiração: OS BONS COMPANHEIROS

Várias cenas do clássico de Scorsese são homenageadas aqui, só que com menos sangue e drogas e com uma atmosfera pimp/bling. Terrence Howard faz o papel que foi de Ray Liotta.

7- I’m Glad – Jennifer Lopez (Dir.: David La Chapelle)

Inspiração: FLASHDANCE

jlo glad1 Top 10   Clipes inspirados em filmes clipografiaCLIQUE NA FOTO PARA ASSISTIR

LaChapelle é um dos papas da arte contemporânea, e nesse clipe mostra o motivo. Chega a ser assustadora a atenção aos detalhes nesse verdadeiro remake de FLASHDANCE. A fotografia do clipe é melhor que a de muitos filmes.

6- Rush Rush – Paula Abdul (Dir.: Stephan Wuernitzer)

Inpiração: JUVENTUDE TRANSVIADA

PAULA ABDUL RUSH RUSHCLIQUE NA FOTO PARA ASSISTIR

Paula Abdul é uma Natalie Wood saída dos anos 80 e Keanu Reeves é um James Dean um tanto insosso. Mesmo assim, o clipe é um curta-metragem interessante que faz um tributo aos melhores momentos do clássico de Nicholas Ray.

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Top 10 – Filmes mais bonitos do cinema

Existem filmes que tem um visual tão arrebatador que, sinceramente, nem precisavam ter uma história. Mas quando a beleza das imagens casa perfeitamente com o enredo, fica melhor ainda. Aqui vão meus dez filmes preferidos nesse estilo:

10- A LIBERDADE É AZUL

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A trilogia das cores de Kieslowski é toda um desbunde visual, em especial porque cada filme tem que seguir a sua palheta específica de azul, branco ou vermelho. Mas acredito que A LIBERDADE É AZUL é o mais rico em termos de imagens, já que todos os tons de azul da fotografia (de Slawomir Idziak, responsável também pelo visual soturono de GATTACA e do quinto HARRY POTTER) se fazem presentes em praticamente todos os fotogramas. Em particular, as cenas de Juliette Binoche na piscina são de tirar o fôlego, ainda mais acompanhadas pela trilha clássica de Zbigniew Preisner.

9-  EVITA

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Darius Khondji é um dos meus diretores de fotografia favoritos, e sou fã de seu trabalho especialmente ao lado de David Fincher (ALIEN 3, SEVEN, O QUARTO DO PÂNICO). Mesmo se especializando em um estilo mais moderno, acredito que seu melhor trabalho seja em EVITA, em que o visual clássico de uma Argentina de sonhos é crucial para que o filme funcione como musical. As sequências do funeral de Evita são um espetáculo por si só, mas as cenas da alta-sociedade de Buenos Aires são perfeitas em sua mistura de beleza e também ironia .

8- O TERCEIRO HOMEM

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Filmes em preto-e-branco geralmente são lindos por si só, mas no caso de O TERCEIRO HOMEM o filme inteiro é construindo através de um jogo de luz e sombras (e bota sombra nisso) pelas ruas de Viena. A cidade na verdade se torna uma personagem que engole todos os envolvidos numa sinistra trama de espionagem, até chegar em sua arrebatadora última cena, que parece saída de um sonho.

7- UM CORPO QUE CAI

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Aqui grande parte do crédito é claro que vai para Hitchcock e seu ímpeto controlador. O que mais me chama atenção é o uso das cores – do cinza do tailleur repressor de Kim Novak, ao vermelho da Golden Gate e das flores de Carlota Valdez, ao verde que envolve Madeleien quando ela retorna do mundo dos mortos. E há algo de perturbador em seu enigmático final, com um suicídio em plena luz do dia causado por uma freira pra lá de sinistra. É um filme hipnótico, devido não só à natureza labiríntica de sua história mas também ao seu visual, que parece imitar a mente alucinante de seu protagonista.

6- AMOR À FLOR DA PELE

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Os filmes de Wong Kar-Wai são reconhecíveis  já nas primeiras cenas. Acredito que só Almodóvar hoje tenha uma marca visual tão forte em sua filmografia. No caso do cinema de Wong Kar-Wai, grande parte de sua beleza vem da contruibuição do diretor com Christopher Doyle, provavelmente o mais talentoso diretor de fotografia da atualidade. Nos filmes de Kar-Wai a luz parece sair dos personagens para o ambiente – e no caso de AMOR À FLOR DA PELE, é o vermelho faiscante que envolve Tony Leung e Maggie Cheung que dá o tom da produção. A história é orgânica, pulsante, em especial porque as imagens do filme (por mais que às vezes não tenham um sentido óbvio) são a representação dos sentimentos dos protagonistas.

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