- O blog pra quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, Tyler Durden é coisa da sua cabeça e, claro, Rosebud é o trenó!

Pitchfork e suas listas de melhores dos anos 2000

O site musical-indie-esnobe Pitchfork lançou recentemente várias listas de melhores dos anos 2000. São os 200 melhroes discos, as 500 melhores músicas e os 50 melhores clipes. Abaixo, coloco apenas os 10 melhores escolhidos pelo site e meus comentários.

Melhores discos:

Kid A3 Pitchfork e suas listas de melhores dos anos 2000 music makes the people

1- KID A – Radiohead

2- FUNERAL – Arcade Fire

3- DISCOVERY – Daft Punk

4- YANKEE HOTEL FOXTROT – Wilco

5- THE BLUEPRINT – Jay-Z

6-THE MOON & ANTARCTICA

7- IS THIS IT – The Strokes

8- AGAETIS BYRJUN – Sigur Ros

9- PERSON PITCH – Panda Bear

10- SINCE I LEFT YOU – The Avalanches

O QUE ACHEI: Não conheço metade dos álbuns dessa lista, mas dos que conheço, achei merecido. Por mais que “Kid A” seja um disco que goste muito, teria colocado o “Funeral” em primeiro lugar. Até hoje acho The Strokes superestimado, mesmo gostando de algumas músicas. Esse disco do Sigur Rós é realmente é lindo, e fiquei surpreso de ver rap na lista, mas de certa forma contente de perceberem realmente que os anos 2000 realmente pertenceram à música negra.

Melhores músicas:

OutKastBOB Pitchfork e suas listas de melhores dos anos 2000 music makes the people

1- B.O.B. – Outkast

2- ALL MY FRIENDS – LCD Soundsystem

3- PAPER PLANES – M.I.A.

4- CRAZY IN LOVE – Beyoncé

5- ONE MORE TIME – Daft Punk

6- MAPS – Yeah Yeah Yeahs

7- GET UR FREAK ON – Missy Elliot

8- IDIOTEQUE – Radiohead

9- MY GIRLS – Animal Collective

10- NEIGHBORHOOD #1 (TUNNELS) – Arcade Fire

O QUE ACHEI: Para a Pitchfork, uma lista incrivelmente pop. “Crazy in Love” merecidíssimo, já que Beyonce é a cantora da década, assim como “Paper Planes” e “One More Time”. Algumas músicas teria trocado por outras do mesmo artista, como por exemplo teria incluído “How to Disappear Completely” do Radiohead, “Wake Up” do Arcade Fire ou até mesmo “Gossip Folks” da Missy Elliot. Acho “Maps” linda, mas não sei se é merecedora de top 10. E só eu que não vejo nada demais em “All My Friends”? A música do Outkast é bem divertida, mas primeiro lugar é pra lá de exagerado. Em termos de comparação, está bem diferente da minha lista de melhores músicas dos anos 2000.

Melhores videoclipes:

Fell In Love With A Girl Video Clip 425x318 Pitchfork e suas listas de melhores dos anos 2000 music makes the people

1- FELL IN LOVE WITH A GIRL – The White Stripes

2- TRAPPED IN THE CLOSET – R. Kelly

3- PORK & BEANS – Weezer

4- SINCE I LEFT YOU – The Avalanches

5- 1234 – Feist

6- BAD COVER VERSION – Pulp

7- WHAT’S A GIRL TO DO – Bat for Lashes

8- D.A.N.C.E. – Justice

9- WEAPON OF CHOICE – Fatboy Slim

10- HERE WE GO AGAIN – OK Go

O QUE ACHEI: A lista é feita de clipes que são mais ‘cool’ do que necessariamente bons (”Weapon of Choice”, “What’s a Girl to do”, “1234″). O melhor pra mim é o de “D.A.N.C.E.” (clipe favorito #12), o mais criativo e bem realizado. Em “Pork & Beans” do Weezer acho que a idéia é melhor que clipe. Se é pra ficar com influência do youtube, vá com a original do OK Go. Sobre o primeiro lugar, acho que o Michel Gondry tem clipes melhores nessa década, como “The Hardest Button to Button” do próprio White Stripes (clipe favorito #47) e “Come Into My World” da Kylie Minogue.

Famoso no clipe: Courtney Cox com Bruce Springsteen e Counting Crows

Courtney Cox (que adicionou o sobrenome Arquette depois de se casar) já esteve em outros clipes além do óbvio “I’ll Be There For You” de The Rembrandts. E são clipes de duas músicas que eu particularmente gosto muito: a primeira é “Dancing in the Dark”, de Bruce Springsteen. É uma daquelas canções animadas porém tristinhas que o cantor faz tão bem. A atriz, bem jovem, é a escolhida pra dança com Springsteen no palco.

O segundo clipe é o de “A Long December”, música dos Counting Crows que marcou minha adolescência. O vocalista da banda, Adam Duritz, nos anos 90 era uma espécie de “Falcão do Rappa”, conquistando com seu jeito desleixado estrelas como Jennifer Aniston, Mary-Louise Parker e a nossa Courtney Cox. Na época em que os dois eram namorados, ela fez essa participação do belo clipe de “A Long December”.

Outra chance

Quando eu fiz a minha lista de 50 videoclipes favoritos de todos os tempos, um clipe ficou faltando simplesmente porque eu não sabia nem o nome do artista nem o nome da música. Mas eu lembro de tê-lo visto apenas uma vez em uma madrugada nos tempos áureos da MTV – e ele me marcou tanto que volta e meia eu me pegava pensando nele.

Esses dias, graças à maravilha do YahooRespostas, apenas com a descrição da história do clipe, finalmente eu o redescobri – trata-se de “Another Chance”, de Roger Sanchez. É uma das mais lindas histórias de (falta de) amor que eu já vi, com a moça de coração (literalmente) gigante que diante da incompreensão do mundo acaba se desiludindo profundamente. Até que um estranho lhe oferece ajuda e os dois travam um diálogo curto, mas tão simbólico que me emociona toda vez. Quando ele diz que o coração dela é “assustador”, ela diz: “esse é o meu problema”. Todos os desdobramentos  sobre os problemas de amar demais são sugeridos, mas o clipe é esperto demais pra enumerá-los.

O final ilustra uma espécie de círculo vicioso do amor: por mais que a decepção seja a tônica do sentimento (como diz a Catherine Keener no SYNECDOCHE NEW YORK, “todo mundo é decepcionante quanto mais você conhece as pessoas”), um coração gigante sempre busca “another chance”.

Se refizesse a minha lista dos 50 clipes favoritos hoje, esse entrava no top 10 fácil.

Famoso no Clipe – Angelina Jolie é uma stripper para os Rolling Stones

Uma das músicas mais legais dos Rolling Stones fora da época áurea é “Anybody Seen My Baby”, do disco Bridges to Babylon. A música ficou famosa por dois motivos: um foi o suposto plágio da também ótima “Constant Craving” da K.D. Lang. O outro é a presença de Angelina Jolie como uma stripper que foge de um clube bizarro.

A sexualidade explosiva de Jolie (quem tem uma boca daquelas não precisa de mais nada) combina com o aspecto surreal característico dos clipes de Samuel Bayer, que adora permear suas produções com referências a Bosch e outros artistas sinistros. E adoro Jolie de cabelo joãozinho, da fase Hackers. Lembra muito Madonna no clipe de “Fever”.