Top Ten – Créditos iniciais
Eu simplesmente adoro créditos iniciais bem-feitos. Essa moda atual de começar o filme sem dizer o nome dos atores, do diretor, e às vezes nem do filme não me agrada muito. Gosto mesmo é do espetáculo, da música, daquela sensação inicial que dá o tom da história que vem a seguir. Abaixo, os meus dez favoritos:

10- SUPERMAN/SUPERMAN-O RETORNO
A trilha de John Williams desempenha um grande papel aqui, sem dúvida, mas aqueles nomes gigantes cortando a tela já dão idéia do espetáculo cinematográfico que está por vir. A homenagem feita pelo filme de Bryan Singer, que ainda se deu ao luxo de um pequeno discurso de Marlon Brando antes dos créditos, fez jus ao original.
Lembro de que, quando vi essa abertura no cinema, abri um sorrisão ao perceber a divertida sacada dos créditos (acompanhada da música que hoje percebemos como irônica). Na verdade, esta abertura prepara o espectador para as (nem sempre) divertidas tramóias que o protagonista Nick Naylor (Aaron Eckhart, ótimo) vai se envolver. Criatividade e sarcasmo na medida certa.
8- GOLDFINGER
As aberturas dos filmes de 007 são icônicas e eu poderia escolher várias. A minha favorita, no entanto, é também a do meu filme preferido da série. A música de Shirley Bassey, classuda mas levemente kitsch, embala as mulheres douradas seminuas que refletem cenas do filme, introduzindo os personagens. Foram os créditos iniciais que definiram todos os posteriores presentes nas aventuras de James Bond.
Corria o risco de completar essa lista só com aberturas feitas por Saul Bass. O homem foi sem dúvida o maior designer criativo de pôsteres e créditos de abertura do cinema. Seus trabalhos com Hitchcock e Scorsese são icônicos. Nesse aqui, há um close na boca e nos olhos misteriosos de uma mulher, de onde saem os nomes dos protagonistas e do filme. A seguir, acompanhada da clássica trilha de Bernard Herrmann, figuras labirÃnticas tomam a tela, dançando em espiral – representando imageticamente um dos temas centrais dessa obra-prima de Hitchcock: a eterna busca pela realização da ilusão.
InesquecÃvel, essa abertura retrô pontua as principais cenas do filme de forma divertida e estilizada. Revê-la depois de ter assistido ao filme é um exercÃcio interessante, para apreciar toda a criatividade da reprodução das armações do protagonista Frank Abagnale.


Hoje esse recurso tipográfico já é mais comum (a série FRINGE o usa à exaustão), mas lembro que no cinema fiquei impressionadÃssimo com os créditos gigantes misturados à cidade de NY como se eles sempre estivessem estado lá. O efeito 3-D de cair o queixo já sinaliza para as diferentes artimanhas visuais que o próprio filme vai se utilizar. As aberturas dos filmes de David Fincher sempre são especiais, e essa foi simples porém impactante.
4- PARA O RESTO DE NOSSAS VIDAS
Muitos filmes usam os créditos iniciais para indicar a passagem de tempo, mas a que mais gosto é a desse filme inesquecÃvel de Kenneth Branagh. Ao som de Everybody Wants to Rule the World do Tears for Fears, vários acontecimentos polÃticos, sociais e culturais de 1982 a 1992 vão sendo mostrados acima dos créditos (do conservadorismo dos anos Thatcher/Reagan, passando pela queda do Muro de Berlin, a febre Michael Jackson, até Madonna em Cannes e John Major entrando em 10 Downing St.). É efetivo narrativamente e tem um efeito sentimental único.
3- SEVEN
Kyle Cooper, considerado o “Saul Bass moderno”, deixou muita gente assombrada com essa abertura um tanto demente. Realmente marcou época e vários filmes tentaram algo parecido depois. Lembro de ver pessoas reclamando com o projecionista dizendo que o filme estava com defeito. Os créditos iniciais não só já indicam que tipo de loucura o espectador está prestes a presenciar, mas também já cria um suspense com a identidade do assassino. Outra bola dentro de David Fincher.
De tudo que Saul Bass fez com Hitchcock (incluindo aà a idéia da cena do chuveiro de PSICOSE), acho que essa abertura é das coisas mais belamente artÃsticas surgida na parceria entre os dois. Os traços que se cruzam geometricamente são o sÃmbolo perfeito para o tema kafkiano dos vários caminhos absurdos que o protagonista vai ter seguir para se localizar no mundo. As linhas então se revelam como o exterior de um prédio, enquanto os créditos vão subindo e descendo, como elevadores, à s vezes com um criativo efeito em perspectiva. O prédio reflete a rotina da cidade, caótica e acelerada, assim como o enredo do filme. O final, com Hitchcock correndo pra pegar o ônibus, é uma graça.
1- ALIEN
Não há como não ficar impressionado como que um crédito de abertura de quase dois minutos, onde praticamente nada acontece, consegue criar um suspense absurdo apenas com uma trilha pra lá de soturna, imagens do espaço e um dos mais inteligentes usos de tipografia que eu já vi. Na verdade, assim como o monstro no decorrer do filme, o nome se revela aos poucos, de forma pouco usual, enquanto ruÃdos que representam a solidão do espaço são ouvidos. Os traços iniciais que formam o nome de certa forma remetem à engenharia tecnológica da nave Nostromo, onde o alien depois vai se alojar. A impressão que dá é a de que quando o nome completo aparece na tela, algo vai pular em cima de você. Brilhante.

03/27/2009
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