Videografia: Fotógrafos que também dirigem clipes

Diretores de videoclipe se aventurarem pelo cinema é mais do que normal e, em alguns casos, é um processo até natural. Contudo, fotógrafos se tornarem diretores de clipes continua sendo pouco comum. Mesmo assim, quando acontece, o resultado na maioria das vezes é extremamente bem-sucedido. No clique baixo, alguns dos meus clipes favoritos dirigidos por fotógrafos/diretores.
Um dos primeiros fotógrafos a fazer a migração para o mundo das imagens em movimento foi Anton Corbijn. Ele se tornou conhecido primeiramente pelas suas fotos de bandas inglesas do perÃodo pós-punk e New Wave, como Joy Division e Depeche Mode. Logo depois, foi convidado por essas mesmas bandas a dirigir seus clipes, o que resultou numa longa e proveitosa parceria. Com a banda de Ian Curtis, por exemplo, realizou o soturno clipe de “Atmosphere”.
Com o Depeche Mode, Corbijn realizou inúmeros vÃdeos e foi o responsável pela identidade visual da banda nos anos 80 e 90. Dessa colaboração, o meu trabalho favorito permanece sendo o simples e desolador clipe de “Enjoy the Silence” (clipe favorito #43).
Outra banda com quem Anton Corbijn realizou inúmeros trabalhos foi o U2. Desde os primeiros singles da banda, Bono & cia colaboraram com Corbijn muita vezes para realizar mais de um clipe por música. O melhor deles, no entanto, é um realizado já nos anos 2000: “Eletrical Storm”, onde o bateirista Larry Mullen e Samantha Morton (que se tivesse um Oscar pra atuação em videoclipe, ganhava) vivem um amor impossÃvel. É quase uma versão nouvelle vague para SPLASH, UMA SEREIA EM MINHA VIDA.
Corbijn do mundo dos clipes pulou para o cinema, onde realizou o maravilhoso CONTROL (cinebio de Ian Curtis do Joy Division) e THE AMERICAN, com George Clooney, que será lançado esse ano.
Outro genial fotógrafo que teve uma carreira muito bem-sucedida com videoclipes foi Herb Ritts. O mais interessante do trabalho de Ritts com vÃdeos é que ele conseguiu manter seu estilo fotográfico nas imagens em movimento, sem fazer concessões. O primeiro clipe dirigido por Herb Ritts foi “Cherish”, de Madonna. Ritts até hoje permanece o fotógrafo que melhor clicou Madonna (um feito e tanto), e a cantora o chamou em 1989 para dirigir o clipe de seu single mais recente. Ritts relutou, mas acabou cedendo. O vÃdeo mostra uma Madonna saradÃssima numa belÃssima fotografia azulada, em meio a ’sereios’ e crianças. Permanece um dos vÃdeos mais simples e belos da rainha do pop.
O clipe seguinte de Ritts é um dos que mais fielmente retrata seu estilo de fotografia: trata-se de “Love Would Never Do”, de Janet Jackson. Com sua caracterÃstica predileção pelo preto-e-branco clássico (na direção de fotografia, nas roupas, na escolha dos modelos), Ritts mostra uma sensualidade crua em meio a locações desérticas. O clipe ainda traz participações de Antonio Sabato Jr. e Djimon Hounsou (quando ainda era modelo apenas).
O melhor clipe de Ritts é não só extremamente caracterÃstico de seu estilo mas também o clipe mais sexy de todos os tempos: “Wicked Game”, de Chris Isaak (clipe favorito #27). Muita fumaça, praia, fotografia em p&b de babar e Helena Christensen.
Um fotógrafo que também se manteve fiel ao seu estilo na migração para o mundo dos videoclipes foi Bruce Weber. Mesmo tendo dirigindo apenas 4 videoclipes (sendo três deles para os Pet Shop Boys), Weber mostra uma tremenda sensibilidade para transpor o espÃrito das melodias, sendo elas dançantes ou lentas.
O melhor e mais famoso deles é o primeiro realizado em parecia com os Pet Shop Boys: “Being Boring” (clipe favorito #19). O clipe é quase que uma representação dos célebres editoriais de moda de Weber, com modelos em looks casuais servindo de espelho de uma América jovem e perfeita. Só que há algo triste aqui, especialmente porque a letra insiste em lembrar que aquela festa, por melhor que seja, vai acabar.
Já no vÃdeo de “I Get Along”, Weber liga seu trabalho como fotógrafo com o de diretor de clipes de forma ainda mais direta, pois o vÃdeo é uma espécie de filmagem dos bastidores de um sessão de fotos. Assim como no clipe de Being Boring, “I Get Along” começa com um escrito na tela – dessa vez de Joseph Conrad, tendo como pano de fundo closes de um garoto de aparência angelical. Em seguida, o clipe vai para o estúdio de Weber em Nova York, onde o próprio e os Pet Shop Boys interagem com vários modelos, incluindo Natalia Vodianova antes de ser top.
Se Ritts e Weber preferem uma estética mais clássica, David LaChapelle transpôs o estilo exagero e fragmentado de suas fotografias para o mundo do videoclipe. O primeiro clipe de destaque de LaChapelle foi “Natural Blues”, do Moby. Nele, o artista (com uma maquiagem pesadÃssima) vivia um velho que era visitado por um anjo, interpretado por Christina Ricci. O clipe tem um clima onÃrico e bastante poético, uma novidade no estilo de LaChapelle.
Outro clipe criativo e muito bonito do diretor é “This Train Don’t Stop There Anymore”, de Elton John. No vÃdeo, Justin Timberlake vive um Elton John jovem dos anos 70 se preparando pra entrar no palco, e o somos apresentados (aparentemente sem cortes) à atmosfera de luxo e decadência e aos personagens mais inusitados da carreira do artista.
O clipe mais badalado de David LaChapelle é “Dirrty”, de Christina Aguilera, e é nele que o diretor/fotógrafo mais abusa de seu estilo pop-sexy-exagerado. O vÃdeo retrata um submundo de sexo e luta livre, reminscente de ROLLERBALL, onde Aguilera é uma dançarina/lutadora cercada de muita gente suada e sarada. A fotografia escura dá o tom de proibido, especialmente quando o foco de luz se coloca apenas no meio da tela em várias cenas, cercado de sombras.
O mais recente fotógrafo a se aventurar no mundo dos videoclipes é Steven Klein. Famoso por seus ensaios fotográficos e vÃdeo-instalações com Madonna, a migração pra o terreno dos clipes acabou sendo uma progressão natural para Klein. Seu primeiro trabalho foi o vÃdeo “Alejandro”, de Lady Gaga, com direito a muito fetiche, couro preto e uma certa violência – caracterÃsticas presentes também em seus ensaios fotográficos.
Sabem um que eu adoraria ver o que faria no mundo dos videoclipes? Steven Meisel. Quem sabe ele não é o próximo…
07/01/2010
De todos, só não gosto (mesmo!) do clipe de Dirty. De resto, ótimas escolhas. “Atmosphere” é uma de minhas canções preferidas e Corbijn um diretor fantástico!
07/04/2010
Como sempre um excelente trabalho de pesquisa! Vou até salvar aqui para ver alguns clipes depois (mesmo já conhecendo alguns).
08/24/2010
uau. lista genial. vai contribuir e muito pra meu site. vlewwwwwwww